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Arquivo Histórico

20/08
2013

Diversos

Centenário de nascimento de Dom Luís do Amaral Mousinho

(*18/11/1912 + 24/04/1962)



Celebramos o centenário de nascimento de nosso 3° Bispo Diocesano e 1° Arcebispo, Dom Luís do Amaral Mousinho.

Alguns pontos de sua biografia merecem ser destacados em face da relevante importância para nossa Arquidiocese e para a Igreja como um todo.

Homem à frente de seu tempo, com pensamentos e ideias que ultrapassam os limites dos seus anos vividos, Dom Luís representou e ainda representa muito para história centenária de nossa Diocese.

Seus genitores, o senhor José Gabriel Mousinho e dona Feliciana do Amaral Mousinho, tiveram a alegria de trazer à luz deste mundo, no dia 18 de novembro de 1912, o pequeno Luís, nascido na cidade de Timbaúba, estado de Pernambuco.

Nascido em berço cristão, poucos meses depois recebeu o Sacramento do Batismo em 12 de fevereiro de 1913 e a Primeira Eucaristia em 29 de junho de 1919.

Sua vocação ao Sacerdócio nasceu cedo. Em 1º. de fevereiro de 1924, com apenas 12 anos de idade, ingressou no Seminário Menor de Olinda, onde mergulhou nos estudos até o ano de 1930.

Em outubro de 1930, é enviado a Roma para cursar Filosofia e Teologia na Cidade Eterna. Doutorou-se em Filosofia em 1938. Estes anos passados em Roma marcaram profundamente a alma de Dom Luís. Em sua primeira Carta Pastoral à Diocese de Cajazeiras, sua primeira Diocese, ele expressa toda a influência destes anos em sua vida: “Bendizemos a Deus pela graça especial que nos concedeu de havermos feito nossos estudos superiores na Cidade Eterna (...) bem junto do coração da mãe de todas as Igrejas, a Santa Igreja Romana (...) em ambiente único de memórias históricas e sobretudo recordações religiosas. (...) Roma, em verdade, não é somente a cidade das almas. Ela é, sobretudo a cidade dos sacerdotes e dos bispos”. Desta paixão pela Igreja, por Roma e pelo Santo Padre, emana o lema episcopal assumido por Dom Luís: Consentire Romano Pontifici, expressando assim sua preocupação em viver em perfeita sintonia com o Bispo dos Bispos.

Nestes anos vividos em Roma, Dom Luís deu significativos passos em sua vida sacerdotal: em 28 de abril de 1934, recebe a tonsura (corte dos cabelos no alto da cabeça, entendida também como ‘corona Christi’ – coroa de Cristo. Era um sinal distintivo do estado clerical. (1) ). As primeiras ordens menores lhe são conferidas em 28 de outubro de 1934; as segundas ordens menores em 22 de dezembro do mesmo ano; em 1936 recebe o subdiaconato em 25 de outubro e o Diaconato em 19 de dezembro. Recebeu a ordem Sacerdotal em 27 de março de 1937.

Regressou ao Brasil em 1939, sendo nomeado professor de Filosofia no Seminário Maior de Olinda, onde permaneceu também como Reitor, nomeado em 1945.

“Por ocasião do I Congresso dos Reitores dos Seminários Diocesanos e Religiosos do Brasil (06-10/01/1948), realizado no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro, no qual foram apresentadas 17 teses, a 15ª. foi defendida pelo então, Mons. Luís do Amaral Mousinho, que tratou do tema: ‘Higiene e Saúde dos Seminaristas’”. (2)

Percebemos que os primeiros anos de Sacerdócio de Dom Luís foram vividos no Seminário e em função da Formação dos futuros sacerdotes.

Pouco depois da comemoração de seus 10 anos de vida sacerdotal, o então Mons. Luís, foi nomeado 4º. bispo diocesano de Cajazeiras, em 30 de agosto de 1948, pelo Papa Pio XII. Sua ordenação episcopal aconteceu em 28 de novembro do mesmo ano, na Catedral de Olinda.

Pastoreava as almas da Diocese de Cajazeiras quando, em 18 de março de 1952, foi nomeado bispo diocesano de Ribeirão Preto. A posse em sua nova Diocese deu-se a 10 de junho de 1952.

Numa biografia publicada poucos anos após seu falecimento, percebemos o entusiasmo com o qual a ‘Capital do Café’ acolheu seu novo bispo: “O Comercio serrou (SIC) suas portas às 15 horas. O povo já começava a se acotovelar em toda a extensão da rua. A praça Schmidt em poucos instantes ficou repleta. A frente da estação, num palanque oficial, S. Excia, receberia das mãos do prefeito Condeixa as chaves da cidade. Para uma recepção de tanto vulto a uma importante figura da Igreja, o Legislativo Municipal se reúne nos dias 8 e 9 de junho a fim de estudar os vários aspectos do programa. E então a chegada de Dom Luís do Amaral Mousinho empolgou a Capital do Café naquela feliz tarde de 10 de junho de 1962. Não havia distinção de cor e mesmo religião. Toda Ribeirão Preto veio às ruas para ver o novo bispo que o Papa enviava para a nossa Diocese. (...) O expresso especial que conduzia S. Excia. à nossa cidade, entrava na Cia. Mogiana. Num gesto altivo de saudação ao ilustre antístete, feriu-se vinte e um tiros morteiros ao lado da praça Schmidt. A banda de música entoou com muita vida e entusiasmo o hino nacional. As fanfarras entraram também num vibrante toque de saudação. O entusiasmo foi geral. Todos queriam ver o novo Chefe da Igreja assomar no alto do palanque oficial. Não foi de se esperar muito, logo a imensa população aglomerada na grande praça pode ver a figura simpática de S. Excia. Dom Luís do Amaral Mousinho.” (3)

A mesma empolgação estendeu-se para a acolhida oficial do novo bispo na Catedral Diocesana e durante as semanas seguintes. Vários órgãos de notícias da cidade e da região anunciaram nas primeiras páginas de suas publicações a chegada de Dom Luís a Ribeirão Preto.

O que se percebe, no decorrer dos anos, que Dom Luís procurou corresponder com a doação plena de sua vida a toda acolhida aqui recebida.

Já em sua primeira Carta Pastoral ao Clero e ao povo da Diocese de Ribeirão Preto Dom Luís estabelece seu programa de governo, resumindo-o em apenas duas palavras: “atualização e presença”. Algumas atitudes suas demonstram seu grande esforço para isso. Uma delas é o compromisso assumido em escrever semanalmente, aos domingos, uma coluna no Diário de Noticias, jornal da Diocese. “É nosso desejo manter, aos domingos, um contacto sincero e cordial com a imensa Família Diocesana...” (4) Nestes artigos, escritos por 10 anos, tratava de todos os assuntos e problemas que assolavam a vida da cidade, do país e do mundo.

Em 1958, mesmo ano em que a Diocese foi elevada à categoria de Arquidiocese, Dom Luís organizou e coordenou a “Semana da Presença” um grande evento que mobilizou toda a Diocese e culminou com um grande desfile na cidade de Ribeirão Preto, com a presença de delegações de todas as Paróquias da Diocese, terminando com uma Solene Missa Pontifical que teve a ilustre presença, entre outras, de Dom Helder Câmara, então Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro. (5)

Outra empresa de Dom Luís foi a construção do novo prédio do Seminário Maria Imaculada, na cidade de Brodowski. Em diversos momentos, Dom Luís chamou essa obra de “a menina dos olhos do Bispo”. Tudo isso com o afã de prover as Paróquias da Diocese com santos e sábios sacerdotes, capazes de conduzir e formar o Povo de Deus.

Em tempos de celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, Dom Luís tem que ser lembrado. Ele mesmo não participou do Concílio, pois faleceu antes que o mesmo se iniciasse. Mas não hesitou em mandar suas contribuições, encerradas em uma carta enviada a Dom Helder Câmara, presidente da CNBB, carta esta escrita do leito do hospital.

A enfermidade acometeu Dom Luís com muita severidade.

“Em dobres tristes e repicado os sinos da Catedral de São Sebastião às 4.40 da madrugada de 24 de abril de 1962 anunciava a morte de Dom Luís do Amaral Mousinho. Ao cerrar os olhos para sempre, ele exclama: ‘Não irei ao Concílio. É preciso ter fé...’” (6)

Assim se encerra a trajetória de uma vida que, embora curta aos olhos humanos, torna-se eterna pela Graça Divina.

Pe. Luis Gustavo Benzi

Pároco de Vila Abranches – Ribeirão Preto.

Responsável pelo Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux’

Professor na Associação Faculdade de Ribeirão Preto / UNIESP

Notas:

1. ROMAG, Dagoberto. Compêndio da História da Igreja - v.1. Rio de Janeiro: Vozes, 1949, p. 275.

2. REB 8 (1948) 206-209; especificamente, p. 208. in CORREIA, Francisco de Assis (org.) Artigos de D. Luís, Volume I.

3. SOUZA, Adhemar Pedro. Dom Luís – Subsídios para uma biografia. 1969.

4. MOUSINHO, Luís do Amaral. Caridade e Fidalguia. Diário de Notícias, 03/08/1952.

5. CORREIA, Francisco de Assis (org.) Artigos de D. Luís, Volume I, p. 36.

6. SOUZA, Adhemar Pedro. Dom Luís – Subsídios para uma biografia. 1969.


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