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15/04
2015

Pastoral

A recepção e a implantação dos documentos do concílio vaticano II (1962 1965), na Arquidiocese de RP (Primeira Parte)

Nas comemorações dos cinquenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II, meu ensejo é descrever, de forma cronológica por etapas, como se deram a recepção e a implantação dos documentos deste Concílio.


A recepção e a implantação dos documentos do concílio vaticano II (1962 1965), na Arquidiocese de Ribeirão Preto (1966 1981) - Primeira Parte

Introdução

Nas comemorações dos cinquenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II, meu ensejo é descrever, de forma cronológica por etapas, como se deram a recepção e a implantação dos documentos deste Concílio.

O período aqui estudado, 1966 a 1981, corresponde ao imediato término do Concílio e até 1981, ano do falecimento de Dom Bernardo José Bueno Miele (22 de dezembro).

Este período é áureo, porque foi nele que se acontecerão a recepção e a implantação dos documentos, através de palestras, de estudos e de reuniões destinados ao clero secular e regular, de religiosos e de leigos.

1 Etapa

Pode-se afirmar que, a partir deste período, 1966, iniciou-se verdadeiramente, na Arquidiocese de Ribeirão Preto o esforço, na vida concreta de ajustar a igreja arquidiocesana, o mais rápido e plenamente possível, imagem de Igreja do Vaticano II(1).

Dom Frei Felício César da Cunha Vasconcelos, OFM, que assumiu a Arquidiocese em 1965, não obstante sua abalada saúde, teve um papel singular nesta história: foi ele que solicitou um bispo auxiliar; foi ele que nomeou o primeiro coordenador de pastoral arquidiocesano. O bispo auxiliar, na verdade foi Dom Bernardo José Bueno Miele (1966 1981), com o título de arcebispo coadjutor com direito a sucessão e o primeiro coordenador arquidiocesano de pastoral foi o Cônego Angélico Sândalo Bernardino (1966 1974)(2).

Nesta primeira etapa, foi marcante o 1°. Curso para o Clero, nesta fase pós-conciliar, dedicado Pastoral Familiar (sic). O curso contou com os seguintes assessores:
- Monsenhor Roberto Mascarenhas Roxo que tratou das perspectivas históricas do Vaticano II; da Igreja mistério, da Igreja jurídica; da Igreja serviço, sinal e sacramento e destacou quatro serviços fundamentais da Igreja:

1. Hierarquia: manifesta o Cristo como Chefe, Pastor e Rei, da comunidade.

2. Religiosos: por sua despreocupação pelas cousas terrenas, manifestam a escatologia, antecipam a glória da Ressurreição; são o sacramento de Cristo glorioso.
3. Leigos: são o sacramento do Cristo em todos os aspectos vivenciais da existência.

4. Casados: são o sacramento da presença do Cristo em seu amor pela Igreja peregrina.

- Frei Luiz Gonzaga, coordenador da pastoral familiar do estado de São Paulo, discorreu sobre os vários aspectos pastorais da família.
- Pe. Gil tratou da espiritualidade conjugal.
- Monsenhor Milani falou sobre os problemas da moral conjugal a respeito do número de filhos (ainda não havia a Humanae Vitae).
- D. Alzira Lopes tratou da necessidade e urgência de escola de pais.

Não faltou a abordagem sobre a Pastoral de Conjunto e de suas seis linhas.

Por isso para o ano de 1967, a coordenação da Pastoral propôs, já em outubro de 1966, o que segue:

Plano de Pastoral de Conjunto da Arquidiocese de Ribeirão Preto

- 1967 -

Sintetizando as grandes linhas, perspectivas, da LUMEN GENTIUM, e em especial do capítulo primeiro, podemos afirmar que o OBJETIVO GERAL DE AO da Igreja é levar todos os homens plena comunhão de vida com o Pai e entre si em Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo, pela mediação visível da Igreja.

A Igreja no Brasil, bendito seja Deus, possui Plano de Pastoral de Conjunto cujo OBJETIVO GERAL é o de criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste, o mais rápida e plenamente possível, imagem de Igreja do Vaticano II.

A Arquidiocese de Ribeirão Preto, em sua ação pastoral, visa realizar o objetivo geral de ação da Igreja, enquadrando-se nos objetivos do Plano de Pastoral de Conjunto.

UNIDOS ao pastor e Pai da Arquidiocese, D. Frei Felício, Sacerdotes, Religiosos, Religiosas e Leigos, formamos a Família Arquidiocesana, colocada em dinamismo de amor, para a realização da vontade de Deus.

FIIS seremos aos ensinamentos do Papa que, ao Episcopado latino-americano, em 1965, dizia: Como os problemas de hoje são gerais, requerem soluções de conjunto. Ninguém os pode resolver sozinho. Daqui se segue o caráter unitário que deve resistir a ação pastoral de hoje... A planificação impõe opções e comporta renúncias mesmo do que, s vezes, seria o melhor; e a concentração de esforços intensiva e extensiva nos objetivos essenciais nos obriga a deixar realizações que embora belas, sejam limitadas ou supérfluas.

Das seis LINHAS DE TRABALHO do Plano de Pastoral de Conjunto, tiramos algumas atividade para serem CONCRETIZADAS, em 1967. A escolha de tais atividades foi ditada pelo resultado de levantamento sócio-religioso da Arquidiocese de Ribeirão Preto por Frei A. ROLIN(3); pelos assuntos debatidos nas reuniões das Vigararias e proposições dos sacerdotes apresentadas no último retiro do Clero.

DE nossa parte, procuraremos oferecer aos REALIZADORES os meios e sugestões para que as atividades propostas, realmente, possam ser levadas prática, para a maior glória da Santíssima Trindade. Estas sugestões e meios, dentro em breve, serão apresentados a todos. Hoje, somente, damos conhecimento do plano das atividades para 1967.

Citações

1. o que se lê na apresentação do boletim TRAO DE UNIO n°. 1 (novembro de 1966) p.1, da Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto;
2.A data refere-se a sua nomeação como coordenador de pastoral até sua nomeação como bispo auxiliar de São Paulo;
3.CF FREI ANTNIO ROLIM. Levantamento Sócio-Religioso da Arquidiocese de Ribeirão Preto. 1963 (texto mimeografado).

Leia a Segunda Parte do Artigo


Cônego Francisco de Assis Correia
Padre, 70 anos. Pároco emérito. Foi professor de filosofia e de teologia no CEARP. Encontra-se com deficiência visual completa, desde março de 2013.
Digitou esse texto Vinicius Maniezo Garcia, enfermeiro cuidador do autor. Série 70, 59°.


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