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13/07
2017

Liturgia

Comentando a Palavra de Deus - Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum

Neste Décimo-Quinto Domingo do Tempo Comum, celebramos mais uma vez a páscoa de Cristo, a qual se manifesta nas comunidades que vivem a Palavra de Deus


Comentando a Palavra de Deus - Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum


Contemplarei, justificado, a vossa face;
e serei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).

 
Neste Décimo-Quinto Domingo do Tempo Comum, celebramos mais uma vez a páscoa de Cristo, a qual se manifesta nas comunidades que vivem a Palavra de Deus e nos corações que se deixam transformar por ela. Nosso coração quer ser terreno fértil para acolher a mensagem de vida e liberdade semeada por Jesus.

Assim como a terra fértil recebe a semente e a faz germinar e crescer, vamos acolher a Palavra de Deus, que Jesus deseja semear em nosso coração.

A Palavra de Deus tem muita força. A semente da palavra tem tudo para crescer e frutificar, mas precisa ser acolhida num coração aberto e generoso. Nós e a criação inteira ansiamos pela libertação de toda escravidão. 

Jesus, como semente lançada terra, frutificou e faz-se pão para nosso alimento. Participar da Eucaristia significa acolher a semente da palavra viva.
Jesus saiu de casa e foi sentar-se s margens do mar da Galileia. Uma multidão se reuniu em torno dele. Como estavam beira do mar, Jesus entra numa barca para, de lá, falar quele povo todo. Fala em parábolas. Entre elas, conta a parábola do agricultor fazendo a semeadura. Gosto de pensar que a madeira está sempre presente na vida de Jesus: nasceu numa manjedoura de madeira entre animais e foi adorado primeiro pelos pastores, depois pelos magos; trabalhou com seu pai adotivo, marceneiro e, que lidava com madeira na infância; tomou um barco de madeira do qual fez sua Mesa da Palavra, proclamando, anunciando, explicando a Palavra de Deus, comparando-a a semente semeada na terra boa dos corações dóceis ao Seu convite de produzir frutos saborosos de amor, verdade, justiça, liberdade e de paz. Finalmente, Deus reservou um Madeiro a Cruz, como trono que O glorificou. 

O que será que Deus está a nos dizer, ao insistir sobre a importância de sua Palavra?

Em primeiro lugar, é bom lembrar que, para a linguagem bíblica, essa Palavra é muito mais que um som vocálico, pois manifesta a própria essência de Deus: ele fala libertando. De fato, a Palavra (em hebraico: dabbar)... é bem mais que a pronúncia de sons; esse termo significa o que está por trás, ou seja, o coração, a força, a essência de quem fala. A Palavra de Deus, portanto, é a própria essência de Deus que age nos acontecimentos, transformando tudo em libertação e vida. Ele é capaz de, mediante sua Palavra, criar o mundo, pondo ordem no caos (cf. Gn 1). Muito mais quando o povo vive numa situação de morte, bem pior que a terra árida, sua Palavra fecundará novamente a vida desse povo, resgatando-o da situação de não-vida em que se encontra.

Quando Jesus conta a parábola do semeador, ele está falando de si mesmo. Ele é a própria Palavra vida do Pai, agora encarnada (cf. Jo 1,14), ou seja, ele é o verdadeiro acontecimento divino de salvação no meio de nós, a presença viva do mistério salvador do Pai. Por isso, Jesus diz a seus discípulos: Felizes vós, porque vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem. Muitos profetas e justos desejaram ver e ouvir o que vedes e ouvis, e não viram nem ouviram (Mt 13,16-17).

Acontece que a própria Palavra, que é Jesus, nos leva pela parábola a constatar uma triste situação: diante deste acontecimento de salvação que ele é, existem pessoas que ouvem e veem exteriormente, mas não percebem interiormente o que este acontecimento significa. São os de coração insensível, gente tão fechada, travada, cheia de máscaras e couraças criadas pelos apegos e pelas preocupações deste mundo, que ouve de má vontade e fecha seus olhos, para não ver nem ouvir, nem compreender com o coração, perdendo a chance de se converter e ser curada pela Palavra (cf. v. 15). A Palavra não cria raízes em tais pessoas. E as causas de tudo isso, onde estão? Jesus mesmo as expõe no evangelho deste domingo: é o maligno (isto é, as forças contrárias a Jesus e ao Reino de Deus), a superficialidade, a desistência na hora da dificuldade, as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza. Tais causas, ainda hoje são as mesmas: a estratégia das forças antievangélicas, consumismo, idolatria da riqueza.

Graças a Deus, há, entretanto, gente que ouve a Palavra e a compreende. São pessoas, cujo corpo é um chão aberto, generoso, preparado... num coração acessível e profundo ao mesmo tempo.

Pessoas simples que, por serem assim, acolhem e assimilam facilmente e em profundidade a Palavra (isto é, o acontecimento salvador chamado Jesus) e produzem abundantes frutos de solidariedade, justiça e paz. Até que ponto somos tais pessoas?

Importa, pois, prepararmos o chão dos corações para que possam receber a Palavra: combater os fatores de endurecimento (dominação ideológica, alienação, consumismo, culto da riqueza e do prazer etc.). Em vez do fascínio dos sempre novos (e tão rapidamente envelhecidos) objetos do desejo, a formação para a autenticidade e simplicidade, a educação libertadora com vistas ao evangelho. Então a Palavra, que desce como a chuva do céu, poderá penetrar no chão e fazer a semente frutificar.

Vale a pena todo esse trabalho de conversão e assimilação da Palavra que é Jesus, o Cristo, ressuscitado, em nossos corpos. Vale a pena sermos assíduos nesse trabalho, pois, como ouvimos na segunda leitura, os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. De fato, junto conosco toda a criação espera ser libertada da escravidão e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Com a graça de Deus, um dia vamos chegar lá.

Lançamos a semente da Palavra de Amor de Deus! Somos convidados a examinar que tipo de terreno é o nosso coração para acolher e deixar frutificar nas entranhas de nossa intimidade tamanho AMOR!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Is 55,10-11; Sl 64; Rm 8,18-23 e Mt 13,1-23).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Julho de 2017, pp. 61-65 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Julho de 2017), 37-40.


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