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11/08
2017

Liturgia

Comentando a Palavra de Deus - Nono Domingo do Tempo Comum

O Décimo-Nono Domingo do Tempo Comum é também o segundo domingo do Mês Vocacional, em que saudamos os vocacionados à vida em família, com atenção especial aos pais


Comentando a Palavra de Deus - Nono Domingo do Tempo Comum

“A verdade e o amor se encontrarão,
A justiça e a paz se abraçarão;
Da terra brotará a fidelidade,
E a justiça olhará dos altos céus” (Cf. Sl 84).

 
O Décimo-Nono Domingo do Tempo Comum é também o segundo domingo do Mês Vocacional, em que saudamos os vocacionados à vida em família, com atenção especial aos pais, neste dia dedicado a eles.

Jesus espera de Pedro e de nós uma resposta corajosa a seu convite: Venham e alimentem-se da palavra e do pão eucarístico. O Senhor é nossa segurança nas tempestades da vida. 

Deus se revela na brisa mansa, mas não deixa de se manifestar também quando os ventos são contrários e as águas agitadas. A Igreja é convidada a acreditar na presença confortadora de Jesus mesmo em meio às maiores dificuldades.

Deus nos fala de muitas maneiras, também no silêncio do coração. É preciso atravessar as ondas da resistência para construir o reino de Deus. Não podemos medir esforços na defesa do projeto de Deus.

Na eucaristia, não basta que nos seja dado o sinal da presença de Cristo, o pão e o vinho; é necessária a fé, para reconhecer o Senhor que vem.

Gosto sempre de insistir no silêncio para poder ouvir o que Deus tem a nos dizer. É bem verdade que devemos estar sempre atentos para podermos ler a presença do louco amor de Deus para com a humanidade nas diversas situações de nossa vida. É preciso colocar Deus no meio, aliás, acima de tudo que vai acontecendo em nosso hodierno. Como os apóstolos em meio ao vento forte em alto mar, vendo Jesus caminhando sobre as águas, somos tentados a gritar: “É um fantasma”. O mundo parece-me tão doentio, que parece ver “fantasmas” a toda hora. Vemos com mais facilidade um Cristo espetaculoso, o que dá manchete, do que um Cristo espetacular, que implica em compromisso de fé. O maior de todos os espetáculos já aconteceu: estamos vivos! Porém, andar também sobre as águas, desconfiados da presença amorosa de Deus em nossa vida, revelado por Jesus andando sobre as águas, reforça nossa autossuficiência, arrogância e prepotência. Achamos que conseguiremos resolver nossas dificuldades do nosso jeito e, frequentemente dispensamos a mão salvadora do Senhor. Assim nos afogamos em nossa própria fragilidade, deixando-nos levar pelos ventos fortes, que costumam derrubar-nos facilmente. Tais tempestades podem ser a inveja, a ganância, a busca de poder e prestígio a qualquer custo, mesmo que isso machuque outros. O egoísmo e a insensibilidade com os mais fracos. O afogamento mais frequente em nosso tempo é a depressão, a perda do sentido da vida, a sensação de fracasso, a baixa autoestima e a decepção com as pessoas nas quais confiamos mais do que no próprio Senhor da Vida! Só Deus não decepciona. Então não nos resta, senão a humildade de Pedro: sem nenhum constrangimento e nenhuma vergonha, gritemos: “Senhor, salva-me!”

Deus vem ao encontro do homem especialmente nos momentos de necessidade... O Deus dos profetas e de Jesus é aquele que toma a defesa dos pobres e dos fracos. Ele não está nos fenômenos naturais grandiosos e violentos, mas no sopro leve da brisa, como que significando a espiritualidade e intimidade das manifestações de Deus ao homem.

A comunidade cristã vive uma existência atormentada pela hostilidade das forças adversas, que se manifestam nas perseguições e dificuldades internas e externas. Unicamente com suas forças, ela não chegaria ao fim do seu caminho. Mas Jesus ressuscitado está presente no meio dos seus; embora invisível, ele os assiste.

Os discípulos fazem uma travessia. Eles a fazem de barco. É noite. Ventos contrários. Mar agitado. Estamos diante de uma imensa simbologia.

O mar era visto na época como o lugar onde habitavam monstros terríveis e ameaçadores. Mar agitado e ventos contrários, à noite, eram sentidos como sinais da fúria dos pavorosos monstros, ávidos por engolir os navegantes.

O barco é símbolo da própria Igreja nascente, as comunidades cristãs se expandindo em missão. Nesta travessia, para o outro lado, isto é, nesta expansão rumo à pátria definitiva, as comunidades sentem-se ameaçadas por ventos contrários e pelo mar agitado, isto é, pelas violentas resistências dos poderosos (=monstros) ao projeto de Deus.

(É bom não esquecer que os poderosos são fortes diante dos fracos, mas se tornam fracos diante dos fortes em Cristo Senhor!).

As dificuldades que a Igreja enfrenta hoje devem nos fazer enxergar melhor a presença de Cristo em novos setores da Igreja, sobretudo na população empobrecida e excluída da sociedade do bem-estar globalizado. De repente, Jesus se manifesta como calmaria no ambiente tempestuoso das “periferias existenciais” do mundo, como costuma afirmar o Papa Francisco. Na simplicidade das comunidades nascidas da fé do povo. Temos coragem para ir até ele ou duvidamos ainda, deixando-nos levar pela onda?

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 1Rs 19,9.11-13; Sl 84(85); Rm 9,1-5 e Mt 14,22-33).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Agosto de 2017, pp. 48-51 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Agosto de 2017), pp. 54-57.



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