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10/11
2017

Liturgia

Comentando a Palavra de Deus - Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

O tempo nos remete ao entardecer do ano litúrgico de 2017. Isso tudo vai favorecendo a reflexão sobre a expectativa do final dos tempos. Como será e o que vai acontecer?


Comentando a Palavra de Deus - Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

O tempo nos remete ao entardecer do ano litúrgico de 2017. Isso tudo vai favorecendo a reflexão sobre a expectativa do final dos tempos. Como será e o que vai acontecer? Assim como quando se é convidado para a festa de um casamento, logo se pensa nos detalhes, os presentes, as vestes, os convivas, o cardápio do banquete etc. Mas o Evangelista não está preocupado em satisfazer a curiosidade do protocolo do final dos tempos, mas em como, hoje, viver em atitude de vigilância ativa para não ser surpreendido e ver as portas do banquete se fecharem. A parábola se constitui numa exortação à vigilância face à Segunda vinda do Senhor – o noivo.

A sabedoria não é algo reservado a alguns iluminados, mas pode ser obtida por quem a ama e a busca com ardor e empenho. Ela não está apenas na escola, na Igreja ou nos livros, mas se deixa encontrar por aqueles que saem à sua procura. Nas ruas e avenidas, pessoas cultas e sem instrução se encontram, e é justamente nesses momentos que ela se revela. Na convivência aprendemos a ser sábios. Qualquer encontro pode tornar-se uma escola de sabedoria.

O evangelho de São Mateus compara o reino de Deus à parábola das dez jovens – cinco prudentes e cinco insensatas – que aguardam o noivo. Como este acaba atrasando, todas caíram no sono e dormiram. Quando anunciam que o noivo está chegando, nem todas estão com as lamparinas abastecidas para ir-lhe ao encontro. A parábola alerta sobre a necessidade da vigilância. A vinda do noivo (Jesus) no fim dos tempos é imprevista. É preciso que todos os que querem entrar no seu reino e dele participar estejam preparados mediante a prática do amor e da justiça.

São Paulo à Comunidade de Tessalônica, em sua primeira carta trata da vinda do Senhor, esclarecendo uma dúvida quando vier o Senhor, o que acontecerá com os que já morreram? Paulo tranquiliza a comunidade com os seguintes argumentos: o cristão é pessoa que carrega dentro de si a esperança; se cremos que Cristo ressuscitou, devemos crer que os mortos ressuscitarão e estarão com o Senhor; na vinda do Senhor, vamos nos encontrar todos juntos (tanto os que já morreram como os que ainda vivem).

A imagem das bodas é muito feliz, à espera do noivo que chega noite adentro, as virgens previdentes (munidas de óleo para suas lamparinas) vigiam e na chegada, lhe fazem cortejo e ingressam na sala preparada para a festa. Enquanto isso, outras cinco se veem impedidas de participar da festa por suas lamparinas estarem desabastecidas de óleo. A questão aqui é a falta do óleo. Mas de que óleo o autor se refere?

Na Sagrada Escritura, o óleo (azeite) sempre está associado à presença do Espírito Santo, unção, santificação, purificação e outros termos afins. Na falta, não se empresta experiência com o Espírito Santo de Deus (Zc 4; Is 61,1); ou a pessoa tem ou não tem. Para os Padres da Igreja, como Santo Agostinho, “o azeite é símbolo do amor”, que não se pode comprar, mas que se recebe como dom, se conserva no íntimo e se manifesta nas obras. Na vida presente, viver com sabedoria, consiste na prática das obras da justiça e da misericórdia do Reino.

Como viveremos o alimento da Palavra de Deus proclamada neste Trigésimo-Segundo Domingo do Tempo Comum ao longo da semana?  Como praticamos a justiça e a misericórdia em nossas relações familiares, sociais, políticas e nem por último, eclesiais? Temos nossas lamparinas abastecidas ou vivemos na escuridão da mentira, da hipocrisia, da falsa fraternidade? Quantas vezes, nós nos sentimos juízes (pequenos deuses) sobre os outros? Julgamos, condenamos, excluímos tantas vezes aqueles que não pensam como nós; aqueles que nos parecem inconvenientes; aqueles que não nos elogiam ou bajulam? Penso que a Palavra de Deus nos convida a reabastecermos nossas lamparinas de amor, perdão, misericórdia e acolhida aos que tantas vezes deixamos de lado. Como é perigoso sermos contratestemunhas do verdadeiro amor de Deus entre nós, machucando com cicatrizes muitas vezes doloridas e incorrigíveis o rosto da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, adonando-nos dela, ao invés de sermos simplesmente seus servos, mais inúteis do que nossos cargos, funções e prestígios que nos revestem não poucas vezes de soberba, mania de grandeza, carreirismo, luxo com apelido de bom gosto, sem falar na estupidez da inveja!

Se nossas lamparinas não servirem para iluminar o caminho de nossos irmãos, o azeite que as acendem não é bom. O verdadeiro azeite ou óleo que acende nossas lamparinas nos é concedido desde o nosso Batismo, dia em que nos tornamos responsáveis uns pelos outros, numa Igreja verdadeiramente missionária, ministerial, misericordiosa e amorosa. Isso nos convida mais uma vez a uma profunda e verdadeira conversão pessoal, eclesial, pastoral e social.

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler: Sb 6,12-16; Sl 62(63); 1Ts 4,13-18 e Mt 25,1-13) 

Fontes: Liturgia Dária da Paulus de Novembro de 2017, pp. 48-51 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum II (Novembro de 2017), pp. 73-77.





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