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Palavra do Arcebispo

23/02
2017

Homilia

Homilia de dom Moacir Silva na festa de São Sebastião 2017


Homilia de dom Moacir Silva na festa de São Sebastião 2017
Catedral Metropolitana de São Sebastião - 20 de janeiro de 2017

Queridos irmãos e queridas irmãs, devotos e devotas do glorioso mártir São Sebastião. Neste ano, a celebração de nosso padroeiro reveste-se de um sentido muito especial: estamos dentro da celebração do centenário de nossa Catedral Metropolitana. 

Nossa Catedral é a igreja-sede da Arquidiocese e do arcebispo, a igreja-mãe de todas as igrejas de nossa arquidiocese de Ribeirão Preto.

A igreja Catedral diz muito daquilo que é a própria Igreja, reunida e pastoreada pelos seus legítimos bispos, com a colaboração dos padres. As muitas paróquias e comunidades de fé, que se reúnem em cada lugar de nossa Arquidiocese, estão unidas entre si pelos laços profundos da mesma fé, esperança e caridade e pela relação comum com seu bispo, sucessor dos Apóstolos, que as mantém unidas e as confirma no caminho de Jesus Cristo.

A Catedral é a igreja-símbolo dessa comunhão e unidade dos fiéis em torno de Cristo, congregada visivelmente em torno do altar da Eucaristia, da Palavra de Deus, do bispo e dos padres. Por isso, na Catedral também são realizadas as grandes solenidades da Liturgia e da vida da Igreja local; nela, especialmente, o bispo ensina a toda a comunidade arquidiocesana, como guia e pastor; com ela e por ela, ele celebra nela os Sacramentos e o culto divino; na Catedral não se reúne apenas uma comunidade entre as tantas, mas é significada, de alguma maneira, toda a grande comunidade arquidiocesana de Ribeirão Preto (cf. Dom Odilo – Artigo de 05/09/15). Louvamos a Deus, nosso Senhor, pelo centenário de nossa Catedral, que tem como padroeiro o glorioso mártir São Sebastião.

A celebração de nosso padroeiro é um convite para olharmos nossa opção por Jesus Cristo e o como vivemos o seguimento dele, o como O testemunhamos no nosso dia a dia.

Olhando a Palavra de Deus proclamada nesta celebração, compreendemos um pouco melhor a opção de São Sebastião por Jesus Cristo, opção levada a sério até as últimas consequências, o derramamento do próprio sangue.

Na primeira leitura colhemos algumas ideias que fundamentam isso. O texto sagrado afirma: “Deus criou o homem para a imortalidade...”. Deus criou o homem para a vida, para a vida plena, para a vida feliz com Ele na eternidade. Esta certeza dá um norte para a vida humana, orienta as opções do homem neste mundo, orienta o comportamento da pessoa. Nosso destino é a eternidade feliz, na plenitude da comunhão com Deus.

Neste mundo, nossa vida enfrenta desafios, riscos, perigos dos mais variados tipos. Se paramos nisso, podemos ser tentados a achar que esta vida não vale a pena. Em nosso socorro vem mais uma afirmação do texto sagrado: “A vida dos justos está nas mãos de Deus”. Nós somos pessoas de fé e por isso vivemos nossa vida abandonados nas mãos de Deus, nosso Pai misericordioso, que cuida de nós, que quer o nosso bem, a nossa verdadeira felicidade. O Soldado Sebastião viveu sua vida desta forma; sua “esperança era cheia de imortalidade”, como disse a primeira leitura.

São Sebastião foi provado com o martírio; nele se concretizou o que diz o texto sagrado: “Provou-o como se prova o ouro no fogo e aceitou-o como oferta de holocausto”. 

Em nossa vida cristã, muitas vezes, nos defrontamos com situações de provação: provação da fé, provação da esperança, provação da paciência, e por aí vai. Como acolhemos as provações em nossa vida? Como vivemos essas situações? São Sebastião tem muito a nos ensinar nisso.

Diante das provações na nossa vida, vem em nosso socorro, para nos iluminar, os ensinamentos de São Paulo que ouvimos na segunda leitura: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” “Quem nos separará do amor de Cristo?” São Sebastião alimentava em si esta certeza: nada poderá me separar do amor de Cristo. Nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem o perigo, nem a espada, nem a morte poderá me separar do amor de Cristo. Esta certeza levou São Sebastião a enfrentar corajosamente o martírio.  

No Evangelho escutamos: Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! São Sebastião testemunha esta coragem, não teve medo. Recuperado dos ferimentos causados pelas flechas, se apresenta diante do imperador para deixar claro para todos nós que é preciso obedecer mais a Deus do que aos homens. “Não tenhais medo”.

São Sebastião viveu heroicamente este “não tenhais medo”. Aqui é bom nos perguntarmos: quais medos me atrapalham na vivência plena da fé, da esperança e da caridade? Quais medos me atrapalham no testemunho diário de Jesus Cristo? Quais medos que me impedem de ser verdadeiro discípulo missionário de Jesus Cristo? Diante deste questionamento, somos convidados a contemplar em São Sebastião sua coragem e fortaleza. Esta coragem e fortaleza de nosso padroeiro nos impulsiona a irmos em frente no nosso testemunho diário de Jesus Cristo, em casa, na rua, no trabalho, no lazer, na comunidade. Talvez não seja necessário derramar o nosso sangue como São Sebastião, mas nenhum de nós está dispensado de testemunhar Jesus Cristo concretamente no dia a dia. 

Por fim, peçamos ao nosso padroeiro São Sebastião que com sua coragem e fortaleza, e com sua intercessão em nosso favor nos impulsione na vivência da fé, testemunhando Jesus Cristo, hoje e sempre. Amém.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto


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