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Projeto SIM

18/09
2013

Diversos

As razões de fundo e a espiritualidade que motivaram o SIM - Dom Joviano

O SIM (Ser Igreja em Missão) nasce de uma constatação: estamos em estado de missão, a missão é permanente. A missão não se reduz a uma semana, a um dia, a um mês... Faz parte da nossa opção fundamental.


As razões de fundo e a espiritualidade que motivaram o SIM
Reunião Geral do Clero - 06.12.2011
I N T R O D U Ç Ã O

Queridos irmãos presbíteros e diáconos.

Aproveito a ocasião para renovar os meus agradecimentos pela preciosa colaboração de cada um de vocês na ação pastoral e evangelizadora.
O encontro de hoje nos permite entrar em sintonia com as palavras de Jesus: “Eu não vos chamo servos, mas amigos...” (cf. Jo 15, 12-17) Os sentimentos contam muito. Recentemente, um padre me confidenciava: “Como foi bom falar com o senhor, eu me sinto melhor...”

A AMIZADE É UM DOM PRECIOSO. É como o sorriso que ilumina a vida. Ela garante o nosso crescimento psicológico e espiritual. Nós precisamos de amigos. Por isso, estamos aqui. Eu conto com vocês. Vocês contam comigo. Mas continua verdadeira a afirmação: “Um padre é o melhor amigo de outro padre”. Sempre!

O nosso encontro anual terá atingido o seu objetivo se cada um de nós disser, ao deixar esta casa: “Estou feliz!” E que ao voltar para casa cada um possa levar consigo a esperança que não decepciona.
É a amizade que constrói o presbitério, a Igreja e faz acontecer o Reino de Deus entre nós. O Senhor nos diz: “Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”
O amor fraterno nos leva a aceitar a existência como dom e meta. É nesta perspectiva de gratuidade e vivência do amor fraterno é que cresce a fraternidade sacramental entre nós: bispo, presbíteros e diáconos.
Não podemos olhar com indiferença aquele que é nosso irmão. Pois é da indiferença que nasce o conflito, a desconfiança, as separações... A indiferença nos conduz à inimizade.

Mas a amizade possibilita o crescimento da nossa consciência humana. A amizade se dá de coração para coração.
O povo de Deus, toda a Arquidiocese espera o exemplo da nossa fraternidade. “Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens” (Fl 4,5), nos diz o Apóstolo.

Num mundo que dá extremo valor ao individualismo, nossa vocação e serviço não se limitam à caridade pastoral. Somos chamados à fraternidade e à solidariedade. Antes de iniciar qualquer atividade pastoral precisamos granjear amigos e ser amigo daquelas pessoas que foram confiadas ao nosso pastoreio. Nisto consiste nossa esperança para o futuro. O que significa buscar, constantemente, ver o lado positivo das pessoas e dos acontecimentos, sempre “com grande liberdade interior e profunda alegria do coração” (Bento XVI). Ou seja, com caridade fraterna e gratuidade cordial.

NOSSA CAMINHADA PASTORAL: nossa responsabilidade diante da Igreja e perante o Evangelho que liberta e salva.
O SIM (Ser Igreja em Missão) nasce de uma constatação: estamos em estado de missão, a missão é permanente. A missão não se reduz a uma semana, a um dia, a um mês... Faz parte da nossa opção fundamental.
A missão é um início que não tem fim... Ela faz brotar uma profunda alegria em nossos corações. É sinal e expressão de nosso amor pela beleza e do nosso desejo de servir à causa do Reino.

A missão, ser missionário, é uma opção que nasce da fé que se alarga na medida da nossa generosidade. Resulta da adesão a Jesus e ao seu Evangelho. Brota de uma convicção que leva ao entusiasmo: ser discípulo missionário, hoje.

O ponto de partida e a grande motivação missionária consistem na nossa pronta adesão ao Plano de amor de Deus pela humanidade. “De fato, Deus tanto amou o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna...” (Jo 3,16). À pergunta: “O que devemos fazer para trabalhar na obra de Deus?” Jesus responde: “A obra de Deus consiste em que creiais naquele que ele enviou.” (cf Jo 6,28-29)
Nosso ponto de referência. Todo o processo missionário consiste em acolher a pessoa de Jesus e comprometer-se com o Reino. “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus.” (At 14,22)
O sopro do Espírito de Pentecostes renova a Igreja. A missão se dá no tempo da Igreja que é o tempo do Espírito Santo. Ele renova a face da terra, inflama os corações dos discípulos. Essa renovação, na medida da nossa generosidade, acontece hoje em nossa vida pessoal e eclesial quando estamos atentos aos sinais dos tempos... que para quem tem fé se transformam em sinais de Deus. Portanto algo que nos interpela constantemente. É o que levou o Apóstolo a afirmar:
“Nós somos cooperadores de Deus, vós sois o campo de Deus e construção de Deus” (1Cor 3,9).

ALGUNS DESAFIOS que encontramos na ação missionária:

• O primeiro desafio: compreender o que é missão. Para bem compreender a missão hoje é preciso ter a coragem de perguntar diante da multiplicidade de solicitações e possibilidades: Como realizar a missão em nossos dias? A missão comum confiada a nós consiste em deixarmo-nos conduzir pelo Espírito de Pentecostes e vivermos e transmitirmos a fé no Ressuscitado, especialmente aos que foram confiados à nossa responsabilidade, proclamando a graça e o senhorio de Jesus Cristo. Porque acreditamos na força do Evangelho, anunciamos e celebramos. “A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito.” (1Cor 2,10a) Há uma dinâmica interna da missão que começa no recôndito da nossa interioridade: o estar inquieto pela causa do Reino, sabendo, diante das urgências e inúmeras interpelações, o que é essencial. E o essencial é o Amor!
• O segundo desafio: a formação como um caminho saudável e seguro. A receptividade das capacitações missionárias na paróquia. Durante a elaboração do SIM, vimos que não bastaria ir ao encontro das pessoas afastadas, mas se tornava urgente fazer com que as comunidades fossem acolhedoras e fraternas, abertas aos que chegam.

O mesmo desafio, ou seja, a busca de um caminho saudável e seguro, atinge os leigos que passam pelas capacitações. Eles despertam para a missão, percebem a necessidade da renovação das estruturas e a importância da formação de líderes. Mas ao chegarem em suas comunidades não encontram receptividade. Este é o nosso drama: nem todas as paróquias apostam num projeto arquidiocesano. Não estão motivadas para uma pastoral orgânica e missionária. É possível que em alguma paróquia nunca se tenha pronunciado a palavra SIM...
Nós pastores somos como a tampa de um frasco que contem um perfume precioso – o mistério de Cristo. Se esta tampa não é retirada o bom odor de Cristo não impregna a comunidade... Impressiona saber que uma pessoa pode bloquear todo um processo de renovação e evangelização... Como afirma Jesus “não entram e impedem outros de entrarem” na dinâmica do Reino.

Ou, então, contando com a graça de Deus, podemos desencadear todo um movimento de abertura pastoral, inclusão, participação e missão... sendo Igreja em missão.

• O terceiro desafio: não há uma única maneira de fazer missão. Porém, o ir ao encontro e o contato pessoal são imprescindíveis. Por exemplo, a visitação é um aspecto ou maneira de realizar a missão. Não devemos ter pressa. Porém não podemos ser demasiadamente lentos.

• O quarto desafio: a lentidão que provoca o engessamento ou imobilismo. Isto se dá pela resistência à mudança, por causa do comodismo ou medo do novo. É necessário cultivar a sabedoria do coração, nascida da espiritualidade de comunhão, da contemplação da Palavra, da escuta dos irmãos... “Eis que faço novas todas as coisas...” diz o Ressuscitado no Apocalípse (Apc 21,5).

• O quinto desafio: o gosto por um passado que não existe mais. A onda do conservadorismo está subindo dia a dia, parece que vai engolir o Vaticano II. Adeus diálogo com o mundo, sacerdócio comum dos fiéis, Igreja povo de Deus... e promotora da participação e da comunhão.

• O sexto desafio: a homilia. Lembremos que a homilia é pronunciada num contexto litúrgico. Já o sermão se faz em outros momentos. A homilia deve estar centrada no mistério de Cristo. Precisa fazer ressoar a Palavra de Deus. Não deve se iniciar com nenhuma saudação ou sinal da cruz, o que acontece, normalmente, no sermão: “Louvado seja N. Sr. Jesus Cristo...” Porque o sermão não se faz num contexto litúrgico... A homilia é parte integrante da ação litúrgica.

• O sétimo desafio: ver com otimismo o presente e o futuro. Ir à fonte da nossa, o Cristo e promover a dignidade e responsabilidade dos batizados e batizadas, em nossas comunidades.
Duas preocupações: 1ª) Escutar os sinais dos tempos. 2ª) Escutar as aspirações e sofrimentos do nosso povo. O nosso tempo é marcado por mudanças inevitáveis na cultura, nos processos, nas gerações. Queremos ser uma Igreja samaritana, misericordiosa.

Caminhos

1. Acolher bem os leigos enviados à capacitação. Não decepcioná-los. Trata-se de pessoas de sabedoria e experiência espiritual e pastoral. A capacitação missionária visa tocar os corações e as mentes dos nossos agentes de pastoral para que eles sejam adultos na fé, perseverantes na caridade, alegres na esperança. Com uma constante abertura, evitamos ressentimentos e frustrações. Pois se trata de pessoas que atuam na pastoral com atenção e dedicação.

2. Ler o projeto SIM com o Conselho Pastoral, dando espaço ao Espírito Santo, aquele que renova a Igreja. É ele quem forma as mentes e os corações. A missão requer fidelidade criativa: a vida e atuação do Espírito na Igreja, ajudando-nos a enfrentar os desafios e a desenvolver as possibilidades.

3. Reunir as lideranças: escutar e planejar. É uma questão de vida ou morte para as nossas paróquias.

4. Juntamente com a missão deve haver ensino e testemunho. Estes três elementos são como que o tripé da evangelização. Numa perspectiva de gratuidade; “Recebestes de graça, daí também de graça! (Mt 10,8) Diz-nos São Pedro: “Sede modelo do vosso rebanho” (1Pd 5,3)

5. A missão é fruto da transformação do coração humano. De alguém que se empolgou com a causa do Reino e se considera servo humilde para o bem do povo de Deus.

6. Estabelecer uma cultura de diálogo e solidariedade, tendo como referência as três prioridades: Formação de Líderes, Família e Juventude.

Sejam as palavras do Apóstolo o programa de nossas vidas e a meta de nossa Igreja Particular: “Vivendo segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça. É dele que o corpo recebe coesão e harmonia, mediante toda sorte de articulações e, assim, realiza o seu crescimento, construindo-se no amor, graças à atuação de cada membro.” (Ef 4,15-16)

Brodowski, 6 de dezembro de 2011.
Dom Joviano de Lima Júnior, SSS
Arcebispo de Ribeirão Preto

12.12.2011


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