Curso de Filosofia completou 50 anos

No dia 19 de março, Festa de São José, aniversário de 73 anos de nosso Seminário Maria Imaculada, comemoramos os 50 anos do Curso de Filosofia.

Foi em 19 de março de 1968 que Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, OFM, criou o curso de Filosofia da Arquidiocese com o nome de “Curso de Preparação ao Presbiterato”. Este registro se encontra no Diário de Notícias do dia 23 de março daquele ano, assinado pelo cônego Arnaldo Álvaro Padovani, então Chanceler do Arcebispado.

Dom Felício nomeou como Diretor Geral o cônego Horário Longo, então Reitor do Seminário Maria Imaculada, padre João Rípoli, Diretor da Comunidade no 1º ano; monsenhor Enzo Campos Gusso, Diretor de Estudos e os seguintes Diretores Auxiliares:  padre Xavier Mácua Charlan, padre João Bergese, padre Nasser Kehdy Netto, padre Leocádio Monteiro Pontes e frei Francisco Fontanella, OAR.

Quando conseguimos confirmar esta data, já estávamos no final de fevereiro deste ano. Pensávamos que o início teria sido em 1969. Por isso, tivemos pouco tempo para preparar a comemoração na qual fizemos um pequeno colóquio, partilhando experiências de alguns formadores e formandos daquela época. Contamos com a presença de dois formadores: padre João Rípoli e padre Nasser e três formandos: padre Antônio de Jesus Sardinha (Diocese de Jales), padre José Domingos Bragheto (Arquidiocese de São Paulo) e padre Sebastião Fábio Girolamo (Diocese de Franca). Tivemos ainda a presença de alguns leigos que também fizeram parte do “Curso de Preparação ao Presbiterato”. Dom Moacir Silva esteve conosco todo o tempo, o que é sempre motivo de incentivo para os professores e alunos.

Quando convidei o padre João e o padre Nasser, eles com sincera humildade disseram não ter quase nada a acrescentar. Depois de alguma resistência, aceitaram o convite e nos trouxeram grande contribuição ao debate. Padre João contou-nos da convivência com os Seminaristas na Casa de Formação, que ficava na Vila Seixas, e nas Pastorais da Comunidade Paroquial. Em seus relatos, foi bastante incisivo ao afirmar: “Mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, o trabalho vocacional nunca foi interrompido...”

Padre Nasser foi muito competente na explicitação do contexto histórico e do cotidiano do seminário e também destacou o trabalho da Pastoral Vocacional em toda a Arquidiocese e em Brodowski, com o grupo de vocacionados “Vamos Ser Cristãos” (VSC). Relatou até mesmo o capotamento da rural do Seminário (veículo muito antigo), na busca por seminaristas e pela manutenção deles.

Os formandos, tanto da primeira turma (1968), padre Sardinha e padre Bragheto, quanto da terceira turma (1970), padre Fábio, foram muito solícitos em atender nosso convite e trouxeram excelente contribuição. Seus relatos foram muito positivos para entendermos o significado dessa desafiante experiência e fazer  Filosofia em plena Ditadura Militar, com todos os desafios do Pós-Vaticano II e de toda Revolução Cultural já em curso.

Como  em  todas  as  pesquisas históricas,  nem sempre é possível chegar a conclusões  definitivas.  Nosso pequeno colóquio também não respondeu todas as perguntas, principalmente devido às restrições  do  tempo  de preparação e de realização. Mas temos certeza de que ele foi suficiente para despertar o nosso interesse acadêmico  em  continuar nossos estudos para compreender melhor este momento histórico.

Queremos aqui registrar nossa alegria e gratidão à Trindade Santa, por nos ter permitido vivenciar essa gostosa experiência. Agradecer também, com muito carinho, o testemunho desses formadores e formandos.  Graças  à   disponibilidade   deles,  nosso “pequeno colóquio”,   se  tornou uma grande experiência de partilha de memórias da história da nossa Igreja e da nossa própria história.


Padre Nilton Peres de Sousa
Diretor Geral do CEARP