Celebrando o aniversário da cidade

É difícil escrever um artigo sobre como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. Com razão, afirma-se de que somos reféns de uma crise econômica, política e moral, que foge ao controle dos Municípios. Ela, a crise, se nos é imposta desde a esfera Federal e também Estadual. O que não se pode negar, é que a crise é geral e angustia todos os cidadãos. Desde a última Campanha Eleitoral, já se sabia da crise. Sabiam-no os cientistas políticos e os candidatos eleitos ou reeleitos. A maioria dos eleitores, no entanto, digitou sua confiança nas urnas. Pessoas mais ponderadas e com senso crítico tentaram uma renovação na escolha de seus candidatos. Mas agora todos pagam o preço e como já era esperado, remete-se a culpa da crise à esfera mundial. O cenário político continua preocupante e os cidadãos inseguros com relação ao futuro.

A magnífica Professora e Escritora Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, enviou-me uma mensagem de George Carlin, que me ajuda a escrever este artigo, porque provoca uma reflexão e nos convida a encontrar um jeito de Como celebrar o aniversário da Cidade de Ribeirão Preto. O aniversário é de todos, é nosso, é de cada cidadão ribeirãopretano.

O paradoxo de nosso tempo na história é que nós temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais curtos, estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos. Nós gastamos mais, mas temos menos; compramos mais, mas aproveitamos menos. Temos casas maiores e famílias menores, mais conveniências, mas menos tempo. Temos mais diplomas, mas menos sabedoria, mais conhecimento, mas menos espírito crítico, mais especialistas e mais problemas, mais remédios e menos bem estar.

Nós bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem cuidado, rimos muito pouco, guiamos muito depressa, ficamos muito bravos, dormimos muito tarde, levantamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos muita televisão, rezamos muito raramente. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos muito, amamos muito raramente, e temos raiva frequentemente.

Aprendemos como ganhar a vida, mas não uma vida.  Acrescentamos anos à nossa vida, mas não vida aos nossos anos. Fomos até a lua e voltamos, mas temos problemas para atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso espaço interior.

Nossa cidade aniversariante antes feia e descuidada, agora já demonstra novamente zelo e beleza, porque seu povo continua lindo e cheio de novas esperanças. Já é novamente possível “cortar o bolo de aniversário”, porque “não levamos o bolo de novo” e a cada dia que amanhece não esqueçamos, de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade: Exercendo a cidadania, cumprindo com nossa parte, e pedindo a quem foi eleito, seja servidor do povo, devolvendo-lhe sua dignidade!

 

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.