Quando o judiciário é justo?!

Embora não seja jurista, advogado e muito menos digno de emitir juízo sobre decisões judiciais, faço a pergunta que a maioria dos brasileiros, mesmo em clima de Copa do Mundo se fazem: Quando o Judiciário é Justo?

Na terça-feira, dia 26 de junho, véspera da vitória do Brasil sobre a Sérvia, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal concedeu liberdade a José Dirceu, condenado em duas instâncias a 30 anos de reclusão. Continuo pensando que nem deveriam ser presos os ladrões de colarinho branco, desde que devolvessem as volumosas quantias de milhões desviados da Educação, Saúde, Infraestrutura e tantas outras necessidades básicas, lesando tão covardemente o povo trabalhador, ou desempregado, simples, honesto e que é obrigado a pagar os impostos mais absurdos do mundo, sem que tenha retorno em serviços de seus governantes, legisladores e nem por último do Poder Judiciário.

O que está desencantando o povo brasileiro é a falta de bom senso, o desrespeito dos que se dizem “Supremos” em relação aos Juízes de Instâncias Inferiores. Com o Habeas Corpus concedido a José Dirceu ficou nítida a intenção já conhecida por todas as pessoas honestas e de boa vontade, de “exterminarem com a Operação Lava Jato”. Talvez a grande maioria do Povo Brasileiro esteja juridicamente equivocada por apoiar o “descortinar” da corrupção sistêmica de nosso País, velado há décadas. Mas ninguém me convence de que três dos Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal não medem esforços para “minarem” a Operação Lava Jato, independentemente do que se diga a respeito do corajoso e ousado Juiz Sérgio Moro. Ricardo Lewandowski não tem como afirmar que defende a Constituição porque a rasgou ao meio naquele Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Pior do que isso: em combinação com um dos maiores devedores à justiça, o então presidente do Senado Renan Calheiros, que sem nenhum escrúpulo utilizava aeronaves do Governo para pintar seu cabelo em seu estado, Alagoas. É declaradamente partidário e colega de “pinga” de muitos dos investigados pelo Ministério Público. Gilmar Mendes se acha o “suprassumo” do Juridiquês só porque fala mais ou menos o alemão e arranha outros dois idiomas, péssimo no Latim. Este estila ódio aos Juízes de Instâncias Inferiores e é, como já identificado por colegas, um peso insuportável à Suprema Corte. Ao referir-se ao Judiciário e Ministério Público faz uma cara de tanto nojo que enoja a quem o assiste e consegue ouvir. Finalmente Dias Toffoli parece mais um “moleque intriguento”. Nunca passou num concurso para ser juiz, mas teve o apadrinhamento do ex-presidente Lula para “envergonhar” ainda mais a Suprema Corte com suas falcatruas. Ele, quando pediu “vistas” segurou processos que lhe interessavam, bem como ao seu partido político por quase um ano. Como desrespeitar um homem justo e que tenta erradicar a corrupção do Brasil, Ministro Edson Fachin?

Concluo minha modesta reflexão, lembrando a entrevista que a pré-candidata gaúcha Manuela D’Ávila cedeu ao Programa Roda Vida da TV Cultura na noite do dia 25 de junho. Unânimes os que a entrevistaram chegaram à conclusão de que para esta intolerante deputada a Justiça só é justa enquanto absolver correligionários e amigos, de iguais convicções.

Conclamo com a grande maioria dos brasileiros, que não nos seja roubada a esperança, como roubados somos, todos os dias, por aqueles que se escondem atrás de seus cargos públicos. Nem todos, mas a maioria não deverá merecer nossa confiança nas urnas em outubro próximo. E fica a pergunta proveniente do desencanto pela política e pelas Instituições que se mostram nitidamente divididas: Quando o Judiciário é Justo?

 

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.