Comunidade Missionária Divina Misericórdia celebra o jubileu de cristal

No dia 1º de outubro, a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Batatais, ficou pequena para acolher as centenas de pessoas que compareceram a concelebração Eucarística em louvor aos 15 anos de fundação da Comunidade Missionária Divina Misericórdia (CMDM). Olhando para a história testemunhamos que em 1º de outubro de 2013 pelas mãos de Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto, os primeiros sete irmãos prestaram seus compromissos provisórios, e neste ano de 2018, cinco anos depois, cinco deles também em concelebração Eucarística presidida pelo arcebispo prestaram seus compromissos perpétuos. Atualmente a comunidade conta com cinco irmãos com compromisso perpétuo, quatorze com compromissos provisório, vinte e dois em processo formativo, e dezoito vocacionados no primeiro ano de acompanhamento.

Na concelebração Eucarística a comunidade prestou homenagem ao seu primeiro filho que se tornou padre, isto é, o padre Thiago José Barbosa dos Santos, presbítero da Arquidiocese de Ribeirão Preto, que atualmente está em missão em Manaus (AM) e veio especialmente para o jubileu. Estiveram presentes na concelebração presidida por Dom Moacir os padres: Ivonei Adriani Burtia, Severino Germano da Silva, Thiago José, Nelci Amandio de Souza, Angelino Venute e Mateus Martins, além de vários diáconos e alunos da Escola Diaconal São Lourenço.

História

Por obra e graça de Deus, no dia 25 de março de 2015, pelas mãos do arcebispo Dom Moacir Silva recebemos o Decreto de reconhecimento canônico e assim sendo podemos alegremente dizer: Somos Igreja!

A comunidade surgiu do coração de Deus, a partir do momento em que Ele nos mostrou que não existia nenhum tipo de apoio às pessoas que se encontravam, em situação de rua, trecheiros, andarilhos, doentes abandonados e em especial os sequelados pelo uso de entorpecentes. O fundador Diácono Irmão Francisco Ferreira Alves Neto é casado com a pedagoga e teóloga Teresa Alifonsina com quem tem doze filhos. É Capitão da Polícia Militar, teólogo, advogado e mestrando em direito canônico pela Universidade Gregoriana. Foi presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, secretário municipal de assistência social e vice-prefeito no município de Batatais. Há 22 anos fundou a Comunidade Terapêutica para Tratamento de Usuários de Entorpecentes - Comunidade Maria Auxiliadora Recuperando Vidas (COMAREV).

Uma inquietação ficava cada vez mais forte em seu coração e em suas orações sempre pedia a Deus que lhe mostrasse o significado. Em 26 de julho de 2003 se dirigiu a casa paroquial e lá chegando, o pároco padre Nelci de Souza, estava com grande dificuldade de falar, pois fora acometido por uma alergia, e assim o pároco lhe deu a missão de substituí-lo numa palestra no retiro da Legião de Maria, cujo tema era: “A misericórdia no perdão”. Durante a palestra, em 27 de julho de 2003, pelo Espírito Santo lhe fora revelado a necessidade de ter em Batatais uma casa onde se pudessem praticar as obras de Misericórdia; tanto as corporais quanto as espirituais. Ao pedir a Deus a confirmação, ainda no local da palestra num domingo à tarde, um integrante do Grupo de Jovens da Igreja Auxiliadora lhe trouxe um peregrino que não tinha onde dormir e comer; o jovem de nada sabia. Como a fé às vezes é pouca continuou pedindo sinais e na segunda-feira seguinte estando em oração, junto a uma amiga de nome Sueli e sua filha Pâmela, o Senhor profetizou: “Não a tua vontade, mas a minha”; o que foi confirmado na palavra em II Samuel 7,10,11, sendo que do final do versículo 11 formou-se o símbolo da Comunidade.

Apesar de todas as evidências outros sinais eram pedidos entre jejuns, orações e abstinência e o último sinal que Deus lhe deu antes que tornasse público se manifestou numa atividade de seu filho Maurílio, então com nove anos, com quem nada havia comentado. A professora de Maurílio lhe havia dado como tarefa elaborar uma redação e fazer um desenho, as crianças desenhavam sobre passeios na praia, parques, sorvetes, chocolates; porém Maurílio desenhou uma igreja, a imagem de Nossa Senhora Aparecida e ele e seu pai rezando o terço; até ai tudo normal; pois sempre fizeram isto na caminhada para Igreja; porém quando leu a redação o fundador não conseguiu conter as lágrimas; pois ele falava: rezamos o rosário e Nossa Senhora pediu para que meu pai desse comida a quem tivesse fome (obra corporal de misericórdia).

A partir de então, não duvidou mais, e na missa seguinte após a comunhão pediu ao padre Nelci para dar um testemunho e contou a todos a história. Disse que Jesus estava pedindo uma casa onde se praticasse as obras de misericórdia e daí surgiu em 1º de outubro de 2003, a Comunidade Missionária Divina Misericórdia, onde acolhemos a todos sem exceção e depois se não for caso para nós, encaminhamos para quem de direito; mas, jamais deixamos um filho de Deus nas ruas e com fome. Trabalhamos muito com o evento morte, uma vez que a pessoa em situação de rua na maioria das vezes só aceita ajuda quando percebe que a saúde se foi e assim é que recebemos muitos em estado terminal de AIDS, tuberculose e câncer. Deparamos muitas vezes com doenças em situações que julgávamos não mais existir como escabiose (sarna), miíase (bicheira humana), piolhos etc. Para nós nada é mais gratificante do que ver uma pessoa chegar na cadeira de rodas e pouco tempo depois estar andando ou aquela que estava imunda tomar um banho e receber roupas limpas, ter o cabelo cortado e as feridas curadas e o que dizer daquelas que não possuíam documentos e de repente tem certidão de nascimento e a partir daí a carteira de trabalho, o CPF, o RG etc.

Conforme disposição estatutária e registro em cartório, somos uma entidade religiosa regida pelas normas de direito vigente em nosso país e pelas normas do Código de Direito Canônico, em especial as que disciplinam as associações privadas de fiéis que buscam viver os conselhos evangélicos professando os votos de obediência, pobreza e castidade. O nosso carisma é: “Ser sinal da misericórdia do Pai no mundo de hoje!”

A missão é praticar as obras de misericórdia espirituais (dar conselhos, ter paciência com os outros, perdoar sempre, orar pelos vivos e pelos mortos, ensinar os néscios, corrigir os errantes e consolar os aflitos) e corporais (dar comida a quem tem fome, dar água a quem tem sede, vestir os nus, visitar os doentes, visitar os presos, enterrar os mortos e acolher os peregrinos). 

Comunidade - A comunidade conta hoje com onze casas distribuídas na Arquidiocese de Ribeirão Preto e na diocese de São Carlos onde atende cerca de trezentas pessoas por dia oferecendo lhes abrigo, alimentação, vestuário e acima de tudo a dignidade de filhos e filhas de Deus.
Aos interessados a comunidade conta com uma casa para retiros em Batatais com capacidade de até 100 pessoas e auditório para 120.


Contatos: (16) 3761-0231 (Irmão Matheus, Luan ou Marco)
Site: www.cmisericordia.com.br 
E-mail: cmisericordia@netsite.com.br