Arcebispo preside a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, na Catedral

Na solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, 31 de dezembro de 2018, às 19h30, o arcebispo dom Moacir Silva presidiu a Eucaristia na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto (SP). Concelebraram o pároco padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, e o padre Jair Donizet de Oliveira, CMF, e serviu nas funções litúrgicas o diácono João Paulo Tarlá Júnior. Um grande número de fiéis participou da concelebração eucarística.

Ceia com moradores de rua – No dia 31 de dezembro, às 17h30, no Centro Social Dom Arnaldo Ribeiro, o padre Francisco e paroquianos da Catedral serviram uma ceia de réveillon para as pessoas em situação de rua. Foram servidas aproximadamente 300 refeições, que são resultado das doações de alimentos, do trabalho dos agentes de pastoral e de voluntários, apoiados e incentivados pelo pároco padre Francisco. A Catedral agradece todos os que colaboraram com a Ceia de Natal e a Ceia de Réveillon das pessoas em situação de rua.


Leia a homilia de Dom Moacir na íntegra:


Queridos irmãos e queridas irmãs! Estamos chegando ao final de mais um ano. Então, é momento para redermos graças a Deus, nosso Senhor, por todos os dons e graças que Ele nos concedeu ao longo deste ano. O Senhor nos acompanhou em tudo, nos momentos alegres e felizes, como também nos momentos de decisões importantes, de dificuldades, de desafios, de sofrimentos e dores. Em tudo o Senhor nos acompanhou com sua graça e sua infinita misericórdia. Por isso, “a vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos. A vós, eterno Pai, adora toda a terra”.

Na oitava do Natal celebramos a Solenidade da Mãe de Deus, Maria. É a festa da maternidade divina e veneração àquela que é Mãe de Cristo e Mãe da Igreja.

“A Solenidade da Maternidade de Maria – dizia São Paulo VI – é ocasião própria para renovar a adoração ao recém-nascido Príncipe da Paz, para escutar de novo o jubiloso anúncio evangélico, e para pedir a Deus por mediação da Rainha da Paz o dom supremo da Paz. Por isso na feliz coincidência da oitava do Natal com o princípio do ano novo” (MC, 5,2) celebramos também o Dia Mundial da Paz.

Nesta Solenidade, queremos, com Maria, meditar a Palavra de Deus. A primeira leitura, do livro dos Números, é uma bênção sacerdotal do Antigo Testamento, usada para encerrar as grandes celebrações litúrgicas do templo de Jerusalém.

A bênção é destinada a todo o povo de Deus. As palavras são carregadas de significados. Abençoar significa dar a vida que se manifesta como crescimento, aumento, sucesso, fertilidade e prosperidade e como consequência o povo tem a proteção de Deus.

A bênção, além de ser sinal do carinho e proteção de Deus, é educativa. Termina pedindo que Deus dê ao povo a paz. Em Jesus, o Príncipe da paz, o Pai nos deu a bênção em plenitude.

A carta de São Paulo aos Gálatas acentua que o Filho de Deus entrou de verdade na família humana: ele é “nascido de mulher”. Maria é a porta de entrada que torna Jesus um de nós. São Paulo acrescenta que ele veio para fazer de nós filhos, com Ele. O Filho de Deus se faz humano, nascido de uma mulher, para que o homem se converta em filho de Deus por adoção.

Desde agora, impulsionados pelo Espírito, podemos chamar a Deus de “Pai” e ao semelhante a nós de “irmão”. A Encarnação de Deus em nossa raça humana é a grande esperança para a paz e para a reconciliação dos homens entre si e com Deus. O dom do Pai é Cristo Jesus; Ele é nossa paz.

O Evangelho de hoje é a continuação do trecho lido na noite de Natal. Os pastores foram às pressas a Belém. Uma curiosidade santa os impelia, desejosos de verem numa manjedoura este menino, de quem o anjo tinha dito que era o Salvador, o Messias, o Senhor. A grande alegria, de que o anjo falara, apoderara-se dos seus corações e dava-lhes asas. Eles encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.

Os pastores de Belém mostram-nos como ir ao encontro do Senhor. Velam durante a noite: não dormem, mas fazem aquilo que Jesus nos pedirá várias vezes: vigiar (cf. Mt 25, 13; Mc 13, 35; Lc 21, 36). Permanecem vigilantes; aguardam, acordados, na escuridão; e a glória do Senhor os envolveu com sua luz (Lc 2, 9). O mesmo vale para nós. A nossa vida pode ser uma expectação, em que a pessoa, mesmo nas noites dos problemas, se confia ao Senhor e O deseja; então receberá a sua luz. Ou então uma pretensão, na qual contam apenas as próprias forças e meios; mas, neste caso, o coração permanece fechado à luz de Deus. O Senhor gosta de ser aguardado e não é possível aguardá-Lo no sofá, dormindo. De fato, os pastores movem-se: “foram apressadamente” – diz o texto (2, 16). Não ficam parados como quem sente ter chegado a casa e não precisa de nada; mas partem, deixam o rebanho indefeso, arriscam por Deus. E depois de terem visto Jesus, embora sem grande habilidade para falar, vão anunciá-Lo, de modo que “todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores"(2, 18).

Eles não encontram nada de extraordinário. Encontram somente um menino, com seu pai e sua mãe. Mas naquele ser fraco, necessitado de ajuda e proteção, eles reconhecem o Salvador. Eles percorreram o caminho da obediência da fé, pois obedeceram a palavra do Anjo: encontrareis um recém-nascido...

Discípulo é aquele que, diante da mensagem de Deus que ressoa no Evangelho, sente-se provocado, responde com um “sim” e não procura outras provas além da Palavra, porque nela reconhece a voz do Pai que o chama para a salvação.

Aprendamos com os pastores de Belém. Tendo chegado diante do Menino, o que eles fazem? Eles continuam observando, pasmados, extasiados, a obra estupenda que Deus operou para os homens; a seguir, correm para anunciar aos outros a própria alegria; e todos os que escutam ficam também admirados.

A reação de Maria diante da narração dos pastores deve ser destacada. O Evangelho diz que ela “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. O que quer dizer isso? Significa que ela “mantinha unidos”, “reunia” no seu coração todos os eventos que lhe estavam para acontecer; colocava cada um dos elementos, cada palavra, cada acontecimento no interior do tudo confrontando-o, conservando-o e reconhecendo que tudo deriva da vontade de Deus. Maria não se limita a uma primeira compreensão superficial daquilo que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se interpelar pelos eventos, elabora-os, discerne-os e alcança aquele entendimento que só a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si mesma também aquilo que não compreende no agir de Deus, deixando que seja Deus quem abre a sua mente e o seu coração.

O Evangelho quer ensinar que Maria sabe ver em tudo o que acontece o projeto de Deus. Ela não se porta como nós que, muitas vezes, nos deixamos perturbar por qualquer contrariedade insignificante ou por qualquer novidade da qual tomamos conhecimento. Ela sabe meditar no seu coração tudo, e desta forma sempre consegue descobrir o projeto do amor de Deus.

Nesta Solenidade da Santa Mãe de Deus, a Rainha da Paz, celebramos o Dia Mundial da Paz. Para este dia, o Papa Francisco, apresenta sua mensagem com o tema: “A boa política está a serviço da paz”.

Diz o Santo Padre: “a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade”.

“Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras”.

Por fim, que Maria, Rainha da Paz, ajude a cada um de nós a sermos melhores construtores da paz, da harmonia e da fraternidade, ao longo do novo ano e sempre. Amém.
 

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria
31 de dezembro de 2018