Arcebispo: a pedagogia de Jesus inclui a partilha e a promoção da vida

Missa da Ceia do Senhor e Lava-pés na Catedral

Na noite da Quinta-feira Santa, 18 de abril, o arcebispo dom Moacir Silva presidiu a concelebração Eucarística da Ceia do Senhor e Lava-pés, às 19h30, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto (SP). Concelebraram os padres Francisco Jaber Zanardo Moussa, Igor Fernando Aparecido Madalosso de Lima e Antônio Élcio de Souza (Pitico), e serviu nas funções litúrgicas o diácono João Paulo Tarlá Júnior. Na concelebração, dom Moacir, seguindo o gesto de Jesus Cristo, lavou os pés de 12 agentes de pastoral da Catedral.

Na Quinta-feira Santa, a Ceia do Senhor está centrada na comemoração do Novo Mandamento de Amor, simbolizado pelo lava-pés. A Instituição da Eucaristia, o Sacerdócio ministerial, os Sacramentos da Igreja, recebem sentido e são motivos de ação de graças, a partir do Novo Testamento. Na Última Ceia, Jesus Cristo celebrou profeticamente o que ia realizar em seguida: sua Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição.

Na homilia, o arcebispo Dom Moacir, fez referência a espiritualidade da Eucaristia da Ceia do Senhor. “Queridos irmãos, queridas irmãs! Estamos reunidos em torno do Altar do Senhor, celebrando a Eucaristia, no dia em que ela foi instituída, como tão sublime sacramento. Que privilégio! Que dom para todos e cada um de nós! (...) Nesta noite santa descobrimos que a pedagogia de Jesus incluiu a espiritualidade da mesa. Ele antes de fundar uma igreja, fundou a mesa da vida (mesa da Última Ceia): mesa da refeição como lugar de comunhão, fonte inesgotável de vida. A comunhão que faz sonhar com a mesa eterna no Reino e desafia seus participantes a viver a partilha como hábito e dinâmica que preserva e promove a vida”, explicou o arcebispo.

Ao meditar sobre o texto do Evangelho (Jo 13, 1-15) o arcebispo contextualiza o sentido do gesto do lava-pés. “No Evangelho de São João não temos a narrativa da instituição da Eucaristia, mas narrativa da consequência dela na nossa vida: o amor fraterno, traduzido no serviço aos irmãos, o lava-pés. No Evangelho do lava-pés o diálogo de Jesus com Pedro apresenta um aspecto da prática de vida cristã, ao qual queremos dirigir a nossa atenção. Num primeiro momento, Pedro não quisera que o Senhor lhe lavasse os pés: esta inversão da ordem, isto é, que o mestre Jesus lavasse os pés, que o senhor assumisse as funções do servo, contrastava totalmente com o seu temor reverencial para com Jesus, para com o seu conceito de relação entre mestre e discípulo. ‘Nunca me lavarás os pés’, diz a Jesus com a sua habitual veemência (Jo 13, 8). O seu conceito de Messias incluía uma imagem de majestade, de grandeza divina. Tinha que aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza; que ela consiste precisamente em descer, na humildade do serviço, na radicalidade do amor até ao total auto-despojamento. E também nós devemos aprendê-lo sempre de novo, porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão; porque não somos capazes de percebermos que o Pastor vem como Cordeiro que se doa e assim nos conduz ao prado justo”, expressou dom Moacir.

E, Dom Moacir, continuou: “Quando o Senhor diz a Pedro que sem o lava-pés não poderia ter parte alguma com Ele, Pedro imediatamente pede impetuoso que lhe sejam lavadas também as mãos e a cabeça. A isto segue-se a palavra misteriosa de Jesus: ‘Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés’ (Jo 13, 10). Jesus faz alusão a um banho que os discípulos já tinham feito; para participar no banquete agora só era necessário o lava-pés. Mas naturalmente esconde-se nisto um significado mais profundo. A que se faz alusão? Não sabemos com certeza. Contudo tenhamos presente que o lava-pés, segundo o sentido de todo o capítulo, não indica um único Sacramento específico, mas o sacramento de Cristo no seu conjunto o seu serviço de salvação, a sua descida até à cruz, o seu amor até ao extremo, que purifica e nos torna capazes de Deus”, destacou o arcebispo.

E, ao concluir a homilia, disse: “A Quinta-Feira Santa, queridos irmãos e queridas irmãs, é um dia de gratidão e de alegria pelo grande dom do amor até ao extremo, que o Senhor nos fez. Neste momento rezemos ao Senhor para que gratidão e alegria se tornem em nós a força de amar juntos com o seu amor, hoje e sempre. Amém”, concluiu Dom Moacir.

Após a missa, o Santíssimo Sacramento foi trasladado pelo arcebispo dom Moacir até a Capela do Santíssimo Sacramento, seguido do cortejo de fiéis, onde permaneceu exposto para adoração.