Vigília Pascal reúne centenas de fiéis na Catedral de Ribeirão Preto

A celebração da Vigília Pascal na Catedral Metropolitana de São Sebastião, na noite de sábado, 20 de abril, presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva e concelebrada pelos padres Francisco Jaber Zanardo Moussa, Igor Fernando Aparecido Madalosso de Lima, Antônio Garcia Felix e Antônio Élcio de Souza (Pitico), e serviço litúrgico do diácono João Paulo Tarlá Júnior, reuniu centenas de fiéis, na celebração que constitui o ponto alto do Ciclo Pascal e do Ano Litúrgico.

A Vigília Pascal é plenitude: Celebração da Páscoa de Cristo e dos cristãos; morte e ressurreição de Cristo e dos cristãos. Por isso, a celebração dos três sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. A celebração da Vigília Pascal é o maior tesouro da Liturgia Cristã. É festa pascal, é festa pentecostal, é festa eucarística, expressa pelos símbolos da luz, dos elementos da natureza como a água, o óleo, o pão e o vinho.

Na porta central da Catedral de São Sebastião, o arcebispo dom Moacir Silva abençoou o fogo e desenhou no Círio a cruz e fixou os cravos. Com o “fogo novo” acendeu o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado. Com as luzes da Catedral apagadas, os fiéis acenderam as velas, e a procissão de entrada adentrou o corredor central da Catedral com o Círio sendo conduzido solenemente para a proclamação da Páscoa de Jesus Cristo, e seguiu-se o rito próprio da missa.

Cristo Ressuscitou. Aleluia! Antes da bênção, o arcebispo dom Moacir Silva desejou uma Feliz e Santa Páscoa aos fiéis presentes na Catedral e a todos os arquidiocesanos: “E com esta bênção solene vai também os meus votos de uma Feliz e Santa Páscoa na pessoa de vocês e a todos os fiéis da nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto”.


Homilia de Dom Moacir Silva na Missa Crismal
Catedral Metropolitana de São Sebastião
Ribeirão Preto - 20 de abril de 2019


Queridos irmãos e queridas irmã! Estamos celebrando solenemente a Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias. Por isso esta é a noite principal da comunidade cristã.

Iniciamos esta Vigília com a bênção do fogo. Com esse fogo acendemos o Círio Pascal, no qual vemos o Cristo ressuscitado. Com este fogo novo, luz que ilumina todo o ser humano, cantamos a proclamação da Páscoa dando firmeza à nossa esperança. Nesta Vigília Pascal, celebramos a totalidade do mistério de Cristo. Celebramos a morte e a vida.

Iluminados pela luz do Ressuscitado, ouvimos o próprio Deus nos falando, quando foram feitas as leituras, proclamando suas obras em vista da salvação da humanidade.

Vamos relembrar o que ele nos disse e, em seguida, assumirmos e reassumirmos nossos compromissos para com Deus, que nos faz participar desta festa tão importante e tão linda.

Escutamos no Evangelho a grande notícia: “Ele não está aqui. Ressuscitou!” Das mulheres que foram ao sepulcro na manhã de Páscoa levando perfumes podemos aprender sua capacidade de enfrentar os acontecimentos com sabedoria e audácia. Elas são as mulheres portadoras de perfumes, que madrugam para ir ungir o corpo de Jesus. São conscientes do tamanho da pedra e de sua impossibilidade de removê-la, mas isso não é um obstáculo em sua determinação de ir ao túmulo para fazer memória d’Aquele que abriu para elas um horizonte de sentido. A alusão ao “primeiro dia da semana” acompanha a entrada delas em cena, na madrugada da Páscoa: estamos no começo da Nova Criação e a luz da Ressurreição as envolve em seu resplendor.

Quem busca, encontra; as mulheres foram as primeiras que viram este instigante sinal: a grande pedra tinha sido removida e o túmulo estava vazio. E foram as primeiras a “entrar”. Entraram no túmulo: esta foi a experiência das discípulas de Jesus, ou seja, entraram no mistério que Deus realizou com sua vigília de amor. Não se pode fazer a experiência da Páscoa sem “entrar” no mistério.

“Entrar no mistério’ significa capacidade de assombro, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir o sussurro de fio de silêncio sonoro no qual Deus nos fala. ‘Entrar no mistério’ requer de nós que não tenhamos medo da realidade: não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas, não os neguemos, não eliminemos as questões...

‘Entrar no mistério’ significa ir mais além das cômodas certezas, mais além da preguiça e da indiferença que nos freiam, e pôr-se em busca da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma resposta não banal às questões que põem em crise nossa fé, nossa fidelidade e nossa razão.

Para ‘entrar no mistério’ é preciso humildade, a humildade de abaixar-se, de descer do pedestal de nosso eu tão orgulhoso, de nossa presunção. A humildade para redimensionar a própria estima, reconhecendo o que realmente somos: criaturas com virtudes e defeitos, pecadores necessitados de perdão. Para entrar no mistério é preciso este abaixamento que é impotência, esvaziando-nos das próprias idolatrias, adoração. Sem adorar, não se pode entrar no mistério” (Papa Francisco – Missa da Vigília Pascal – 2015).

As mulheres buscaram Jesus no lugar equivocado, embora ali aprenderam uma lição inesquecível: é inútil buscá-lo no lugar da morte. Esse espaço está desabitado. Os dois homens com roupas brilhantes associam a ressurreição ao túmulo vazio: “Ele não está aqui. Ressuscitou!”

O Apóstolo São Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, nos apresenta uma profunda reflexão sobre a ressurreição de Jesus, fazendo uma ligação com o Batismo.

Mergulhar na água (= batizar-se) era - e é – um jeito ritual da pessoa mergulhar em Jesus Cristo com tudo o que ele significa de total doação, solidariedade, entrega da própria vida, e vitória sobre a morte. É também, ao mesmo tempo, um deixar que este Cristo mergulhe e tome conta da pessoa que nele acreditou.

Batizados (mergulhados) que fomos em Cristo, é na sua morte que fomos batizados, nos diz Paulo. Não dá para esquecer isso. Assim sendo, fomos então sepultados (enterrados) com Cristo, para que, como ele ressuscitou dos mortos, “também nós levemos uma vida nova”.

Cristo ressuscitou! É o grande anúncio que ouvimos nesta noite. Com o passar dos tempos, movidos pelo Espírito Santo, os discípulos de Jesus entenderam e se aprofundaram no sentido deste revolucionário acontecimento na história da humanidade.

Na ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens. Abre, portanto, a vida eterna para o ser humano, pois com a ressurreição de Jesus a morte não tem mais a última palavra. Por isso, rezamos no inicio desta Vigília para que a festa Páscoa acenda em nós o desejo do céu (Bênção do fogo novo).

A celebração da Páscoa do Senhor é uma renovação profunda do nosso ser e crescimento na santidade e na justiça.

Que esta celebração pascal nos fortaleça em nossa caminhada e nos conserve sempre unidos no amor com que Cristo nos amou para anunciarmos o seu evangelho, a sua pessoa, vida, morte e ressurreição. Queremos realizar e celebrar o encontro pessoal com ele, nesta celebração comunitária. Queremos segui-lo e ajudar as pessoas a se encontrarem com Ele. Que o Senhor nos ajude neste nosso propósito, hoje e sempre. Amém!


Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano