Equipe de Campanhas ministra formação sobre a CF-2019 em Dumont

Em 29 de março, os fiéis lotaram a paróquia Imaculada Conceição, em Dumont, para participarem de reflexão sobre a Campanha da Fraternidade de 2019, cujo tema é: “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (cf. Is 1,27). Na abertura os presentes entoaram o hino oficial e rezaram a oração da CF. A reflexão foi conduzida pelo diácono Irmão Francisco Ferreira Alves  Neto, membro da Equipe Arquidiocesana de Campanhas. Com o uso de vídeos e slides produzidos a partir do texto-base que tem o consagrado método Ver /Julgar/Agir, por mais de uma hora todos permaneceram atentos as colocações feitas.

Ao percorrer a história da Doutrina Social da Igreja (DSI), iniciando por Leão XII na Encíclica “Rerum Novarum”, o assessor buscou alargar o horizonte do olhar para enxergar Deus para além dos espaços religiosos e para encontrá-lo nas coisas novas que acontecem na sociedade contemporânea.

Um destaque especial para a participação da Igreja ao redor do mundo não somente no discurso de políticas públicas, mas em especial na prática demonstrada através de números irrefutáveis: 5.167 Hospitais católicos, 15.699 Casas geriátricas, 11.596 Enfermarias, 14.744 Consultórios de orientação familiar 10.124, Abrigos para crianças e adolescentes 115.352 e Institutos beneficentes e assistenciais onde se incluem as comunidades terapêuticas.

Outro aspecto importante incide nas diferentes dimensões das Políticas Públicas que afetam o dia a dia: Políticas Públicas Sociais como Transporte, Saúde; Educação; Habitação. As Políticas Públicas Macroeconômica, especificamente: Fiscal, Monetária, Cambial, Industrial e comercial e as Políticas Públicas especificas ou setoriais como o Meio Ambiente, Cultura, Agrária, Direitos Humanos, Homossexuais, Mulheres, Negros, Jovens, Crianças e Adolescentes, etc.
De forma especial os leigos e leigas são chamados a se fazer presentes:

- Nas Audiências Públicas que são espaços de diálogos para busca de soluções específicas para determinados problemas.

- Nos Conselhos Gestores ou de Direitos que são órgãos de controle e participação social, podem ser deliberativos (poder de decisão), consultivos e/ ou fiscalizadores, tem estrutura municipal, estadual e federal.

- Nas conferências que são espaços de debate e construção de pautas políticas, onde diferentes atores sociais se encontram para contribuir com a proposição de políticas públicas;

- Nos fóruns e reuniões que são espaços de encontro que podem ser realizados por iniciativa do poder público ou da sociedade com variados temas e propostas.

- Nas Organizações da Sociedade Civil e Movimentos Sociais (Terceiro Setor): Se formam em torno de determinado tema e se especializam no atendimento e necessidades do mesmo.

O grande desafio é encantar a população frente a um tema tão importante. “Há necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja, e conscientizar os leigos e leigas de que ela é essencial para a transformação da sociedade” (CNBB).

Que tipo de cidadão você é? Meio cidadão que sabe que tem direitos e espera que alguém o defenda. Cidadão ativo que também sabe de seus direitos e luta por eles ou o ideal que é o cidadão ativo e solidário, isto é, luta não só pelos seus direitos, mas pelo de todos, sobretudo dos excluídos da sociedade.

Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento estão recheados de colocações sobre políticas públicas senão vejamos:

- Empréstimos sem cobrança de juros ao irmão empobrecido (Ex 22,24-26; Dt 23,20-21; Lv 25,35-38).

- Limitação do tempo de servidão, que muitas vezes nasce da impossibilidade da pessoa honrar suas dívidas (Ex 21,1-11; Dt 15,12-18; Lv 25,39-43).

- Pagamento pontual do salário ao assalariado (Dt 24,14-15; Lv 19,13).

- Estabelecimento de um dia semanal de descanso (Ex 20,8-11; 23,12; 31,12-17; 34,21; Dt 5,12-15).

- Dízimo trienal para favorecer a sobrevivência material dos mais necessitados (Dt 14,28-29; 26,12).

- Amor ao imigrante (Dt 10,18-19; Lv 19,33-34).

-  Os doentes sempre tiveram atenção especial de Jesus, só em Marcos, dos 17 milagres narrados, 14 são curas e Jesus insistiu no cuidado e na visita (Lc 10, 30-37; Mt 25,36).

- Quanto as crianças, Jesus insistiu no cuidado: “Quem acaso acolher uma destas crianças em meu nome, a mim acolhe” (Mc 9,37; Mt 18,5; Lc 9,48). 

- Quanto as mulheres Jesus conversa com elas (Jo 4, 27); aceita ser tocado por elas (Lc 7, 36-50); elas o seguem (Lc 8, 1-3; Mt 27, 55-56); Ele as cura (Lc 8, 43-48); perdoa (Jo 8, 1-11). Segundo todos os Evangelhos, as mulheres foram as primeiras testemunhas da ressurreição (Mt 28,1-10; Mc 16,1-10; Lc 24,1-11; Jo 20,11-18).

- Quanto aos trabalhadores, de forma surpreendente, pensou em salários igualitários tomando o exemplo deles, exatamente como expressão da justiça diferenciada pertencente ao Reino dos Céus (Mt 20,1-16).

Dos padres da Igreja vamos citar apenas três embora quase todos eles falassem a respeito:

São João Crisóstomo: denunciou repetidas vezes aos cristãos das suas Igrejas o escândalo do Corpo de Cristo na Mesa Eucarística e o deixar morrer de fome os pobres na porta das Igrejas.

Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica II-II, q. 32, art. 5 afirma que a esmola preceito é dar do supérfluo que é um dever de justiça; porém a esmola por conselho é dar do necessário, ou seja, isto é a verdadeira caridade cristã.

Santo Agostinho nas cartas a macedônio, Ml 155,7-10, afirma: “Com toda tua prudência se esforce para proporcionar o bem comum no desempenho dos assuntos humanos, dá a cada um conforme lhe pertence”.

Do Magistério da Igreja citamos os dois últimos papas:

Papa Emérito Bento XVI: “Na sua dimensão social e política, esta diaconia da caridade é própria dos leigos, chamados a promover organicamente o bem comum, a justiça e a configurar retamente a vida social. O amor de Deus revela-se na responsabilidade pelo outro”.

Papa Francisco: Não haverá paz social enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade, sendo que o bem comum vem concretizado em uma lista de reivindicações sociais (EG 218): Distribuição das riquezas. Inclusão social dos pobres e respeito aos direitos humanos.

O convite final é para que todos se interessem e busquem participar dos Conselhos paritários. Esta interpelação foi feita a partir da afirmação: “A Palavra de Deus pede uma resposta!

Diác. Ir. Francisco Ferreira Alves Neto
Equipe Arquidiocesana de Campanhas