Comentando a Palavra de Deus - Décimo Segundo Domingo do Tempo Comum

Jesus é nosso mestre. Nós somos discípulos e discípulas dele. Com ele nos retiramos hoje, como o fazemos todos os domingos, para um momento de descanso, de oração, de escuta da Palavra e, depois, de celebração da Santa Ceia, memorial da vitória da Páscoa.

Isto é obra de Deus, pois ele quer nos firmar seu amor. Por essa razão, nos reúne em comunidade de fé. Que nunca nos falte a graça de amar e temer esse Deus tão bom que, em Jesus e no Espírito Santo, sempre nos mostra o caminho para nossa realização humana.

A Eucaristia de hoje nos desafia a confessar que Jesus é o Cristo de Deus, fonte do amor e da vida. Nossa fé nos impele a derrubar toda barreira discriminatória e reconhecer que em Cristo somos um. Só assim teremos condições de segui-lo na fidelidade dia a dia. Celebremos em comunhão com todos os migrantes que anseiam por melhores condições de vida.

Por sua palavra, Deus derrama um espírito de graça e piedade sobre cada um de nós, convidando-nos a nos revestir de Cristo e reconhecer nele o ungido a quem nos cabe seguir.

Somos chamados a nos compadecer das muitas vítimas da violência. Somos desafiados a professar nossa fé em Jesus e segui-lo com desprendimento. Somos convidados a superar, em Cristo, todas as discriminações.

É sabido que existem distinções e até discriminações no tratamento social. Como trabalhamos esta questão na Igreja, na comunidade de Cristo? A Palavra hoje nos anuncia a igualdade de todos no sistema do Senhor Jesus. Acabou o regime da lei mosaica que considerava ser judeu um privilégio, por causa da Aliança com Abraão e Moisés. A crucificação de Jesus, em nome desse regime antigo, marcou a chegada de um regime novo. Simplesmente observar a lei de Moisés já não é salvação para quem conhece Jesus, para quem sabe o que ele pregou e como ele deu sua vida por sua nova mensagem e por aqueles que nela acreditassem. Estes constituem o povo da Nova Aliança. São todos iguais perante Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus – filhos como o Filho e coerdeiros de seu Reino, continuadores do projeto que ele iniciou.

Neste novo sistema, não importa mais ser judeu ou não, escravo ou livre, homem ou mulher, branco ou negro, patrão ou operário, rico ou pobre... Mesmo não tendo chances iguais em termos de competição econômica e ascensão social, todos têm chances iguais no amor de Deus. Ora, este amor deve encarnar-se na comunidade inspirada pelo Evangelho de Jesus, eliminando desigualdade e discriminação. Provocada pelas diferenças econômicas, sociais, culturais etc., a comunidade que está em Cristo testemunhará igual e indiscriminado carinho e fraternidade a todos, antecipando a plenitude à paz celeste para todos os destinatários do amor do Pai. Programa impossível, utopia? Talvez seja. Mas nem por isso podemos desistir dele, pois é a certeza que nos conduz! Na caridade em Cristo, o capital já não servirá para uma classe dominar a outra, mas para estar à disposição de todos que trabalham e produzem. A influência e o saber estarão a serviço do povo. O marido não terá mais liberdades que a mulher, mas competirá com ela no carinho e dedicação.

Somos todos convidados, neste mês de Junho a participar, na medida do possível, das festas juninas. É também um mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, celebrado na segunda sexta-feira depois da Festa de Corpus Christi, neste ano a 28 de junho, quando vivemos a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes! Já celebramos nosso Padroeiro, Santo Antoninho, Pão dos Pobres, dia 13 passado. De modo especial, agradecemos a história dos 163 anos de Fundação e dos 148 anos da Emancipação Político-Administrativa de nossa Cidade de Ribeirão Preto.  Vivamos a esperança de tempos melhores, tempos em que todos tenham oportunidades e acesso digno ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança e à infraestrutura que uma cidade do porte de Ribeirão Preto merece.

Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,


Pe. Gilberto Kasper

(Ler Zc 12,10-11; 13,1; Sl 62(63); Gl 3,26-29 e Lc 9,18-24).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Junho de 2019, pp. 91-94 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Junho de 2019), pp. 18-20.