Roda de Conversa da Pastoral Afro-Brasileira

Uma roda de conversa marcou as reflexões referentes aos 131 anos da Abolição da escravização no Brasil, suas consequências e a situação da população negra na sociedade atual. O evento foi promovido pela Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese de Ribeirão Preto, no dia 14 de maio, no Salão Dom Alberto, em Ribeirão Preto, e reuniu ao menos 30 participantes.

A roda de conversa teve a coordenação do Diácono Flávio Aparecido Livotto, da doutora Ana Almeida, do professor Tarley Lima e do Diácono Irmão Francisco Ferreira Alves Neto, e descreveram teses e reflexões que ficaram gravadas na sensibilidade de cada uma e cada um dos presentes, com destaque para o que segue:

No entender dos palestrantes, a Lei Áurea, é um incongruísimo em si, pois seu significado (áurea) como dourado – brilhante, não condiz com o que de fato se viu e se vê, pois a tal liberdade, não significou ou veio acompanhada de políticas públicas que inserissem negras e negros na sociedade brasileira, livrando este contingente racial das agruras que sobreviveram aos açoites nas senzalas, sendo jogados nos braços da Lei da vadiagem, os sujeitando as misérias da favela. Está Lei Áurea tão sonhada, a 131 anos assinada, não significou o fim da escravização.

Hoje, dentro da realidade, se pergunta, onde está a liberdade. Hoje como ontem, o negro e a negra brasileiros, são sujeitos ao preconceito, racismo, intolerância e toda forma de injustiça, que culmina no genocídio da população negra adolescente. Certamente, se a abolição da escravização fosse pregada nos púlpitos, esta realidade que agora vivenciamos seria completamente diferente.

Cabe diante deste quadro a cada uma e cada um de nós, cumprir a rotina de sobrevivência que é resistir e perseverar.


Pastoral Afro-Brasileira
Arquidiocese de Ribeirão Preto