Coincidências estranhas

Longe de emitir juízo, quero apenas compreender as coincidências estranhas divulgadas nas últimas semanas. Antes mesmo de tomar posse o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), dizendo-se ameaçado deixou o Brasil e parece estar vivendo em Berlin na Alemanha. Numa entrevista ao Pedro Bial afirmou que antes andou por Londres e salvo me engane, também fez algumas passagens pelos Estados Unidos. Quem assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados, como suplente é o ex-vereador pelo Rio de Janeiro, David Miranda (PSol-RJ), coincidentemente casado com o jornalista, co-fundador e editor do Site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, o mesmo que vem fazendo as divulgações dos supostos “vazamentos de mensagens” atribuídas ao Ministro Sérgio Moro e o Procurador da Operação Lava-Jato Deltan Dallagnol. Outra coincidência é de que os vazamentos se debruçam sobre o julgamento e a condenação confirmada em Segunda e Terceira Instâncias do ex-presidente Lula.

Não bastassem as coincidências, os “Lulistas” gritam aos quatro ventos, de que se faz necessário suspender o ex-juiz Sérgio Moro e, por conseguinte anular os processos que teria julgado “parcialmente”, especialmente ou pelo menos a condenação de Lula, a primeira de outras que certamente estão por vir.
Estas coincidências estranhas me intrigam pelo sensacionalismo que grande parte da mídia lhes conferiu. A liberdade de imprensa e de expressão são indiscutíveis. O que precisa de maior atenção são os crimes de invasão da privacidade de autoridades constituídas. Não me sinto habilitado a emitir opiniões jurídicas, mas a grande maioria dos Brasileiros é desrespeitada e subestimada quando certos jornalistas tentam subverter a verdade. A verdade é que o Ministro Sérgio Moro protagonizou a maior Operação que desvendou o verdadeiro cenário corrupto entre políticos e empresários poderosos, que há décadas lesaram a Nação, furtando a dignidade, principalmente dos mais pobres de um País que sangra seu Povo com impostos, os mais elevados do mundo, sem retorno em prestação de serviços, os mais básicos.

O que dizer então dos encontros do Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, com advogados de 17 réus pela mesma Operação  Lava-Jato, entre eles, o próprio ex-presidente Lula, em happy hour regado a Uísque? Qual a diferença? Mera coincidência? Venhamos e convenhamos: armação para invalidar a Operação que descortinou a corrupção sistêmica de uma Nação tão rica quanto desfalcada por um numeroso grupo de homens e mulheres inescrupulosos, precisa ser barrada. É preciso ouvir a voz dos Brasileiros, desde os mais simples, que com os absurdos impostos, “bancam” o enriquecimento ilícito e sujo de alguns grupos de políticos e empreiteiros até então intocáveis pela justiça. Se o Presidente do STF mantém seus encontros constantes com advogados de réus corruptos, não deveria declarar-se “impedido” de julgar as dezenas de Habeas Corpus que lhe chegam? Não seria igual “crime”, como o que tentam atribuir ao ex-juiz Sérgio Moro? Não estou emitindo juízo de valores, apenas fico intrigado com tantas Coincidências Estranhas!


Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.