Entrevista: Padre Toninho (Comissão Episcopal Pastoral para Juventude - CEPJ)

Os padres e diáconos da Arquidiocese de Ribeirão Preto estiveram reunidos nos dias 28, 29 e 30 de maio, na Casa Dom Luis, em Brodowski, para o Encontro de Atualização Teológico-Pastoral do Clero. O Encontro foi assessorado pelo religioso salesiano padre Antônio Ramos do Prado, SDB (Padre Toninho), Assessor da Comissão de Juventude da CNBB. Na ocasião o padre Antônio tratou sobre o tema: “Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional” tendo como texto-base a Exortação Apostólica Pós-sinodal Christus Vivit, do papa Francisco.

O sínodo da Juventude, realizado em 2018, apresentou para a Igreja um panorama das alegrias e angústias da juventude do mundo todo, que foram igualmente tratados neste encontro em Brodowski. Assim, ao longo dos três dias, os padres e diáconos de nossa arquidiocese que se fizeram presentes, puderam entrar em contato com a realidade da juventude em todas as suas dimensões e identificar a mesma realidade em nossa Igreja Particular para uma melhor evangelização da juventude.

Em outubro de 2018, o arcebispo metropolitano, Dom Moacir Silva, no Dia Nacional da Juventude (DNJ) convocou os jovens reunidos em Santo Antônio da Alegria “para rejuvenescer suas paróquias, seus movimentos, suas pastorais, rejuvenescer a arquidiocese”. Esta é a proposta e desafio do sínodo: Deus é jovem! Somos uma Igreja jovem! Os jovens têm muito a contribuir em nossas comunidades; eles são o rosto jovem de Deus que a todo instante se manifesta a nós.
 

ENTREVISTA

Entrevistamos o assessor, padre Antônio Ramos do Prado, SDB (Padre Toninho), a respeito do trabalho de evangelização com a Juventude.
 


Foto: www.flickr.com/photos/cnbbsul1


Igreja-Hoje - Qual a missão e trabalho (projetos) da Comissão Episcopal Pastoral para Juventude (CEPJ)no âmbito da evangelização da juventude?

Padre Toninho: A Comissão Episcopal Pastoral para Juventude (CEPJ) tem a missão de animar, capacitar, articular todos que trabalham (Bispos, Padres, assessores, acompanhantes, coordenadores, animadores etc) com juventude no Brasil. Manter os sites de juventude, capacitação de jovens e adultos e acima de tudo produzir subsídios para as diversas expressões juvenis e adultos.
 
IH - O que entendemos hoje por cultura juvenil? O que marca ou caracteriza a juventude atual?

Padre Toninho: A cultura juvenil não é uma outra cultura, diferente das culturas pré-moderna e pós-moderna. Os jovens participam da mesma cultura que os adultos ao seu redor. É muito mais uma subcultura dessas culturas mais amplas. Suas roupas são diferentes; eles têm sua própria gíria; a influência do grupo de pares é frequentemente decisiva; seus valores e comportamentos são diferentes; fazem reuniões; sua música é diferente. Compreender a cultura jovem é um passo essencial para trabalhar pastoralmente com jovens. Mas, primeiramente, precisamos definir claramente o que queremos dizer com o termo “jovens”. A juventude atual trás o novo da tecnologia que influência o comportamento e a maneira de se relacionar com os outros.

IH - Que desafios sobressaem com maior expressão na realidade da juventude tanto na sociedade quanto na Igreja? A juventude encontra espaço e acolhida na Igreja? Como implementar o protagonismo juvenil na Igreja?

Padre Toninho: O desafio tanto para a sociedade como para a Igreja é a linguagem juvenil. Dessa forma se faz necessário escutar os jovens sempre e a partir da escuta interagir. Na verdade, existe espaço para os jovens na Igreja, o que falta para a igreja é saber quais são os anseios dos jovens e confiar no potencial que cada jovem tem para oferecer. O protagonismo juvenil acontece se a Igreja inserir os jovens nos espaços eclesiais e acompanhar, pois, o jovem está no processo de aprendizagem e cabe ao adulto respeitar esse processo. O jovem aprende na medida em que se insere nos projetos de evangelização que a Igreja tem. Também a Igreja deve reconhecer que os jovens têm muito a oferecer na sociedade moderna.

IH -  Como a Igreja no Brasil está acolhendo o Sínodo dos Jovens e a Exortação “Christus Vivit”?

Padre Toninho: Os bispos sinodais do Brasil juntamente com o jovem Lucas Galhardo (jovem brasileiro participante como auditor no sínodo) gravaram um curso EAD para ser disponibilizado através do site “Jovens conectados” (http://jovensconectados.org.br) às pessoas interessadas em conhecer o documento e compartilhar nas redes sociais. Em outubro o curso estará funcionando. Também estamos rodando o Brasil para trabalhar o documento.

IH - O papa Francisco, na missa de envio da JMJ Panamá 2019, expressou: “Não vos esqueçais que não sois o amanhã, não sois o «entretanto», mas o agora de Deus.” Esta é a grande missão da juventude: rejuvenescer a Igreja?

Padre Toninho: Sim. Uma frase bem colocada pelo Papa Francisco, pois os jovens no Sínodo fizeram questão de colocar que eles são “sujeito de direito” – “são o presente e não só o futuro da Igreja”. Dessa forma os jovens devem se inserir e serem inseridos nos processos de evangelização dentro e fora da Igreja, em especial, usando as novas tecnologias que eles dominam com propriedade.

IH - Que pontos são essenciais em uma paróquia ou diocese para um trabalho de acompanhamento e evangelização da juventude?

Padre Toninho: Preparar os adultos para escutar e entender o seu ministério de acompanhador dos jovens. O acompanhante ou assessor são guias e não pessoas que trazem respostas prontas ou colocam o modelo da sua juventude como uma única forma de ser jovem no mundo contemporâneo. O acompanhante é chamado a escutar incansavelmente e testemunhar o Evangelho para que os jovens tenham essas pessoas como modelo na igreja. Também praticar a acolhida do jovem independente de como os jovens se encontram. Mobilizar os jovens das comunidades para o exercício da missionariedade. Fazer intercâmbio missionário entre as paróquias, etc. Na experiência missionária Deus se revela para os jovens através das pessoas que eles encontrarem. A missão fortalece o discipulado e amplia os horizontes da missão.