Dom Moacir preside rito de instalação da Basílica Menor de Santo Antônio

Na Solenidade de Santo Antônio de Pádua, quinta-feira, 13 de junho, às 19h30, o arcebispo dom Moacir Silva presidiu a missa solene com rito de instalação canônica da Basílica Menor de Santo Antônio de Pádua, nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. A missa contou com a participação dos monges beneditinos olivetanos, diversos padres da arquidiocese e de outras dioceses, diáconos e grande números de fiéis. A cerimônia de instalação canônica, no transcorrer da missa, constou de diversos ritos: o anúncio público da concessão e proclamação do título, a ladainha, a leitura do decreto e entronização das insígnias basilicais: a Virga Rubra, a Umbela e o Tintinábulo, e o anúncio das indulgências plenárias anexas à basílica.

A basílica está sob a guia pastoral da Congregação Beneditina de Santa Maria de Monte Oliveto e tem como pároco Dom Gregório Maria Botelho, OSBoliv., e os vigários paroquiais: Dom Bernardo Maria Bergamin, OSBoliv., Dom André M. Bernardino, OSBoliv., Dom Milton Aparecido M. Santana, OSBoliv., e Dom Anselmo Sidnei M. Codinhoto.

Homilia

Na introdução da homilia o arcebispo dom Moacir comentou sobre as exigências para a obtenção do título de basílica menor e manifestou a dupla motivação da celebração na festa do padroeiro. “Hoje, dois grandes motivos nos reúnem nesta noite: a festa de nosso padroeiro Santo Antônio e a Instalação da Basílica Menor nesta Igreja Abacial Santo Antônio. Justifica-se o título de Basílica Menor a esta Igreja Abacial o fato dela ser, na Arquidiocese de Ribeirão Preto um centro de atividade litúrgica e pastoral, sobretudo para as celebrações da Santíssima Eucaristia, da Penitência (atualmente ela dispõe 4 confessores) e dos outros sacramentos, sendo exemplar quanto à preparação e desenvolvimento, fiéis na observância das normas litúrgicas e com a ativa participação do povo de Deus. Com dupla alegria, celebramos Santo Antônio, o grande pregador da Palavra de Deus e, por isso chamado também Doutor Evangélico”, explicou dom Moacir.

Indulgência e Procissão

Nos ritos finais, antes do início da procissão em louvor ao padroeiro da basílica, o arcebispo deu a bênção com indulgência plenária a todos os fiéis  presentes, verdadeiramente arrependidos, confessados e restaurados pela santa comunhão. Na continuidade os fiéis acompanharam a procissão com o andor de Santo Antônio de Pádua com orações e cânticos pelas ruas do bairro.  
Indulgência - Os fiéis poderão no transcorrer do ano obter a indulgência plenária nas seguintes datas: a) no dia de aniversário da Dedicação da Basílica: a 31 de março; b) No dia da celebração litúrgica do patrono: a 13 de junho; c) na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo: a 29 de junho ou no domingo designado para a mesma; d) no dia de aniversário da concessão do título de Basílica Menor: a 04 de março; e) num dia no ano estabelecido pelo Senhor Arcebispo: a 25 de dezembro; e)  num dia no ano, escolhido livremente por cada fiel.

Basílica Menor

A aprovação da elevação à categoria de Basílica Menor foi comunicada pela Congregação do Culto Divino e Sacramentos, em 04 de março deste ano, e insere-se no contexto celebrativo do primeiro Centenário da chegada dos monges olivetanos a Ribeirão Preto, coroando todos esses anos de dedicação dos monges à emancipação integral da pessoa humana e de seu enobrecimento espiritual, expresso num gesto público de privilégio, bênção e reconhecimento não somente aos monges olivetanos, mas, sobretudo, estendendo-o também a toda Arquidiocese de Ribeirão Preto, pois, dado evidente, a história dos beneditinos olivetanos nesta arquidiocese confunde-se com a história da mesma.

O monge olivetano Dom Bernardo Maria Bergamin, OSBOliv, durante a coletiva de imprensa para anúncio da concessão do título de basílica menor, em 15 de abril, expressou ao arcebispo e a comunidade o agradecimento pela reconhecimento e elevação da paróquia à categoria de basílica. “Este título chega a nossa comunidade num período muito significativo. É o ano em que nós, os Monges Beneditinos Olivetanos, completamos cem anos de fundação na Terra de Santa Cruz, e cem anos de presença nesta Arquidiocese. Lá no passado, em 1919, Dom Alberto José Gonçalves acolheu esta comunidade e hoje, cem anos depois, pelos mistérios de Deus, o senhor (Dom Moacir) presenteia esta Arquidiocese e esta comunidade com este grande dom vindo do Papa Francisco, este título de Basílica Menor”, expressou Dom Bernardo.

Domus Ecclesiae

O Decreto Domus Ecclesiae da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicado em 09 de novembro de 1989, rege e estabelece normas para a concessão do título de Basílica Menor. Na introdução do decreto lemos: “Entre as Igrejas de uma diocese, em primeiro lugar e com maior dignidade, está a Catedral, na qual é colocada a Cátedra, sinal do magistério e do poder do Bispo, Pastor da sua Diocese, e sinal de comunhão com a Cátedra romana de Pedro. Seguem-se depois as igrejas paroquiais, que são sede das várias comunidades da Diocese. Existe, além disto, os santuários, aos quais acorrem em peregrinações os fiéis da Diocese e de outras Igrejas locais. Entre essas igrejas e outras que são chamadas por outros nomes, existem algumas dotadas de uma especial importância para a vida litúrgica e pastoral, que podem receber do Sumo Pontifíce o título de ‘Basílica Menor’, mediante o qual vem expresso um particular vínculo com a Igreja de Roma e com o Sumo Pontifíce”.

Outros tópicos do decreto apontam como condições para obter o título as seguintes exigências: a) ser um centro de atividade litúrgica e pastoral (celebrações da Eucaristia, Penitência e outros sacramentos); b) a Igreja deve ser convenientemente grande e com presbitério suficientemente amplo; c) a Igreja goza de certa fama em toda a Diocese, importância histórica e beleza artística; d) é necessário um número adequado de sacerdotes, de confessores, ministros e um coral.

As exigências documentais para a concessão do título exigem: a) pedido do ordinário local, no caso da Arquidiocese, do Arcebispo; b) o nihil obstat (“nada consta) ou um juízo favorável da Conferência Episcopal (CNBB); c) livros e relatos referentes à origem, história e atividade religiosa; d) álbum de fotos que ilustrem o aspecto externo e interno da Igreja.

As obrigações e deveres da Basílica, segundo o decreto, abrangem: a formação litúrgica dos fiéis; a instituição de grupos de animação litúrgica; cursos especiais de formação; série de encontros e iniciativas análogas. “Entre as atividades da Basílica, se dê muita importância ao estudo e à divulgação dos documentos do Sumo Pontífice e da Santa Sé, sobretudo àqueles referentes a Sagrada Liturgia”. Ainda se pede grande atenção as celebrações do Ano Litúrgico, a realização no tempo da Quaresma das estações romanas, a promoção à participação ativa dos fiéis na Eucaristia e na celebração da Liturgia das Horas, e o cultivo das formas aprovadas de piedade popular.

Com o propósito de tornar mais evidente o vínculo de comunhão da Basílica Menor e a Cátedra Romana de Pedro, devem ser celebradas anualmente: a) Festa da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro); Solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho) e o aniversário da eleição ou início do supremo ministério pastoral do Sumo Pontífice.

Os fiéis em visitação à Basílica Menor poderão obter a indulgência plenária desde que devotamente participem de “qualquer rito sacro ou pelo menos recitam o Pai Nosso e o Credo, segundo as habituais condições – Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e oração pelas intenções do Sumo Pontífice – podem obter Indulgência Plenária:  No dia do aniversário da dedicação da Basílica; No dia da celebração litúrgica do patrono, Na solenidade dos Santos Pedro e Paulo apóstolos (29 de junho); No dia do aniversário da concessão do título de Basílica; Uma vez ao ano no dia estabelecido pelo Ordinário local; Uma vez ao ano no dia livremente escolhido por cada fiel”.

Conheça o significado das insígnias basilicais

Com a elevação e instalação da Basílica Menor Santo Antônio de Pádua, durante a celebração, foram entronizadas as insígnias basilicais que tem o seguinte significado:

Virga Rubra: uma espécie de bastão grosso, revestido de tinta vermelha com decorações e ponteiro em prata que é levado processionalmente, por um dignitário chamado “regulador”, junto às demais insígnias. Ao regulador cabe guiar o cortejo pelo caminho próprio, tornando mais lento ou acelerando o ritmo da marcha segundo a necessidade, impedindo sempre os outros de ultrapassá-lo, ordenando, assim, o andamento dos cortejos e procissões.

Tintinábulo:  uma espécie de campanário portátil, sustentando um pequeno sino, tendo, como timbre, o símbolo da Santa Sé (a tiara pontifícia sobre as chaves cruzadas) ou brasão do Papa que concedeu o título. Tem função de chamar a atenção dos fiéis para a passagem dos cortejos processionais das basílicas.

Umbela:  a insígnia mais vistosa, no formato de um guarda-sol semiaberto, em amarelo e vermelho, as cores oficiais de Roma até o papa Pio VII. Tem doze bandas de tecido vermelho e amarelo, intercaladas, e com alparavazes (ou seja: abas) nas mesmas cores, mas em ordem inversa. Os alparavazes vermelhos são decorados com brasões do papa que concedeu o título, do bispo da época da concessão, da diocese que recebeu, da própria basílica, do local onde esta se encontra e do reitor da época (ou, em nosso caso, do Mosteiro anexo) e os amarelos com são ornados com arabescos (em nosso caso o “lírio”, em referência a Santo Antônio). Arrematando o pavilhão, como timbre, é posto um orbe encimado por uma cruz.
 

Fotos: Filipe Masloti (Basílica Menor Santo Antônio de Pádua)