Dom Moacir presidiu a celebração do Domingo de Ramos na Catedral

A concelebração eucarística do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 25 de março de 2018, reuniu os fiéis, primeiro, na Praça Luís de Camões, defronte ao Hospital Beneficência Portuguesa, em Ribeirão Preto, às 8 horas, local da bênção dos ramos e da saída da procissão. Na Praça, o arcebispo dom Moacir Silva, abençoou os ramos e, após a proclamação da leitura do Evangelho, houve o início da procissão pelas ruas do centro de Ribeirão Preto até a Catedral Metropolitana de São Sebastião para a continuidade da concelebração eucarística. Concelebraram o pároco da Catedral padre Francisco Jaber Zanardo Moussa e o mestre de cerimônias padre Antônio Élcio de Souza (Padre Pitico), e serviu nas funções litúrgicas o diácono João Paulo Tarlá Júnior.

Na Catedral, após as leituras, dom Moacir na homilia explicou o sentido da celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. “No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado que, ao entrar em Jerusalém, prenunciou sua majestade. Comemoramos a entrada do Senhor em Jerusalém pela Bênção e Procissão de Ramos ou pela entrada solene das outras missas.  Os ritos do Domingo de Ramos refletem a exultação do povo à espera do Messias mas, ao mesmo tempo, caracterizam-se em pleno sentido como Liturgia ‘da paixão’. Com efeito, eles abrem-nos a perspectiva do drama já iminente, que acabamos de reviver na narração do evangelista Marcos. Também as outras leituras nos introduzem no mistério da paixão e morte do Senhor. Também os textos da missa chamam nossa atenção para o mistério da Paixão do Senhor. Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e sua ressurreição nos trouxe vida nova”, explicou o arcebispo.

De acordo com dom Moacir, a Primeira Leitura (Is 50,4-7), apresenta a figura do Servo Sofredor como expressão da Paixão do Senhor. “Na primeira leitura encontramos a figura do Servo Sofredor, que passa pela humilhação de ser surrado, esbofeteado, cuspido no rosto; mas ele não reagiu: continuou confiando no Senhor. Esta profecia se cumpre plenamente na Paixão do Senhor. Na história do Servo Sofredor e de Jesus, é fácil reconhecer a história de todos os homens em mulheres que querem praticar e proclamar a justiça”, salientou o arcebispo.

Ao meditar a Segunda Leitura (Fl 2,6-11), o arcebispo expressou: “Na segunda leitura, encontramos Jesus no seu esvaziamento de si mesmo, assumindo a condição de escravo, humilhando-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. E nós, já experimentamos este processo esvaziamento de nós mesmos? Ou continuamos cheios de nós mesmos, das nossas verdades, das nossas certezas, dos nossos pontos de vistas, do nosso egoísmo? A contemplação do Cristo esvaziado de si mesmo nos ajudará a esvaziarmos de nós mesmos”, destacou dom Moacir.

Na reflexão do Evangelho (Mc 14,1-15,47), dom Moacir, apresentou algumas características salientadas pelo evangelista Marcos, entre elas: a ausência de reação de Jesus ao beijo de Judas e ao gesto violento de Pedro: “o evangelista Marcos quer observar que Jesus não se revolta contra os acontecimentos que ele não pode impedir e que o Pai não quer livrá-lo, através de milagres, dos dramas que afligem os homens”. O evangelista também destaca a solidão de Jesus: “não se encontra ninguém que esteja do lado de Jesus. Ele é abandonado pelos discípulos, é traído pela multidão que prefere Barrabás, é esbofeteado, zombam dele, batem-lhe e é humilhado pelos soldados, é insultado pelos que passam e pelos chefes do povo que estão presentes na hora da crucifixão. Somente as trevas estão ao seu redor, envolvendo-o. Somente no fim, depois de ter narrado a sua morte, percebe-se que ‘estavam ali algumas mulheres, que olhavam de longe’. São Marcos faz questão de sublinhar que Jesus se sentiu completamente só”.

Outro aspecto observado na homilia pelo arcebispo e tratado pelo evangelista na narrativa diz respeito as reações de Jesus: “Outra característica da narrativa de São Marcos é a sua insistência nas reações muito humanas de Jesus diante da morte. Somente Marcos observa que, no Jardim das Oliveiras, quando percebe que estão procurando por ele para matá-lo, Jesus ‘começou a sentir pavor e angústia’. Os outros evangelistas evitam apresentar-nos um Jesus assustado. Marcos nos apresenta um Jesus que é nosso companheiro de sofrimento. Como nós, ele passou pela experiência do quanto é exigente obedecer ao Pai. Se o contemplarmos, sentimo-nos atraídos a segui-lo, porque o sentimos como um dos nossos. Marcos nos apresenta um Jesus que é nosso companheiro de sofrimento. Como nós, ele passou pela experiência do quanto é exigente obedecer ao Pai. Se o contemplarmos, sentimo-nos atraídos a segui-lo, porque o sentimos como um dos nossos”, observou dom Moacir.

O silêncio de Jesus é outra característica registrada pelo evangelista e salientada pelo arcebispo: “Uma outra característica da narrativa da paixão feita por Marcos é nos apresentar Jesus sempre em silêncio. Durante o processo não sai uma única palavra de seus lábios. Diante dos insultos, das provocações, das mentiras, ele fica calado. Na vida encontramos diversos significados para o silêncio. Há o silêncio que é sinal de fraqueza e de falta de coragem. E há também o silêncio que é fortaleza de espírito, ou seja, o silêncio de quem não aceita provocações, o silêncio de quem não se perturba diante da arrogância, do insulto, da calúnia. Foi este o silêncio de Jesus”.

Como ponto culminante da narrativa está a profissão de fé do soldado, como expressou dom Moacir: “O ponto culminante de toda a narrativa da paixão de Jesus segundo São Marcos, é a profissão de fé, proclamada aos pés da cruz, pelo comandante dos soldados romanos: ‘Na verdade, este homem era Filho de Deus’. É da boca de um soldado estrangeiro que procede a fórmula usada pelos primeiros cristãos para proclamar a própria fé em Cristo”.

E ao concluir a homilia, o arcebispo convidou os fiéis a viverem com intensidade e fé a Semana Santa. “Aproveitemos, meus irmãos e minhas irmãs, esta Semana Santa para contemplar o Mistério da Paixão do Senhor e aprender dela as grandes lições para a nossa vida. Que o Senhor nos ajude nesta contemplação, hoje e sempre. Amém!”, concluiu dom Moacir.