Fiéis participam da Missa da Ceia do Senhor e Lava-pés na Catedral

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Um grande número de fiéis se reunu na noite da Quinta-feira Santa, 29 de março, às 19h30, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto (SP), para participar da Concelebração Eucarística da Ceia do Senhor e Lava-pés, presidida pelo arcebispo Dom Moacir Silva. Concelebraram os padres Francisco Jaber Zanardo Moussa, Cônego Antonio Felix Garcia e Antônio Élcio de Souza (Pitico), e serviu nas funções litúrgicas o Diácono João Paulo Tarlá Júnior. A celebração teve início com a procissão de entrada, tendo à frente as 12 pessoas que teriam seus pés lavados pelo Arcebispo que os acompanhava vindo logo atrás. Foram escolhidos para participar do rito do lava-pés, gesto e exemplo de serviço, frequentadores da Catedral entre crianças, jovens e adultos. Um grande número de fiéis participou da missa.

Na Quinta-feira Santa, a Ceia do Senhor está centrada na comemoração do Novo Mandamento de Amor, simbolizado pelo lava-pés. A Instituição da Eucaristia, o Sacerdócio ministerial, os Sacramentos da Igreja, recebem sentido e são motivos de ação de graças, a partir do Novo Testamento. Na Última Ceia, Jesus Cristo celebrou profeticamente o que ia realizar em seguida: sua Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição.

“Queridos irmãos, queridas irmãs! Estamos reunidos em torno do Altar do Senhor, celebrando a Eucaristia, no dia em que ela foi instituída, como tão sublime sacramento. Que privilégio! Que dom para todos e cada um de nós! ‘Tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim’ (Jo 13, 1)”, expressou Dom Moacir ao iniciar a homilia.

Dom Moacir recordou aos fiéis o sentido da Quinta-feira Santa. “Entramos, nesta noite, na Páscoa de Cristo, que constitui o momento dramático e conclusivo, longamente preparado e esperado, da existência terrena do Verbo de Deus. Jesus veio para junto de nós não para ser servido, mas para servir, e assumiu sobre si os dramas e as esperanças dos homens de todos os tempos. Antecipando misticamente o sacrifício da Cruz, no Cenáculo, quis permanecer conosco sob as espécies do pão e do vinho e confiou aos Apóstolos e aos seus sucessores a missão e o poder de perpetuar a sua memória viva e eficaz no rito eucarístico”, lembrou o arcebispo.

O arcebispo ainda destacou o sentido do mistério pascal e do gesto de serviço expresso no lava-pés. “Por conseguinte, esta celebração envolve-nos misticamente a todos e insere-nos no Tríduo Sagrado, durante o qual também nós aprenderemos do único ‘Mestre e Senhor’ a ‘estender as mãos’ a fim de nos dirigirmos para onde nos chama o cumprimento da vontade do Pai celeste. ‘Fazei isto em memória de mim’ (1 Cor 11, 24). Com este mandamento, que nos empenha a respeitar o seu gesto, Jesus conclui a instituição do Sacramento do Altar. Também no final do lava-pés Ele convida a imitá-lo: ‘Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz’ (Jo 13, 15). Desta forma, Jesus estabelece uma relação íntima entre a Eucaristia, sacramento do seu dom sacrifical, e o mandamento do amor, que nos compromete a receber e a servir os irmãos”, salientou Dom Moacir.

O gesto do rito do lava-pés insere-se na doação aos outros, como explicou o arcebispo: “Em que consiste ‘lavar os pés uns aos outros’? Que significa concretamente? Eis que, qualquer obra de bondade pelo outro especialmente por quem sofre e por quantos são pouco estimados é um serviço de lava-pés. Para isto nos chama o Senhor: descer, aprender a humildade e a coragem da bondade e também a disponibilidade de aceitar a recusa e contudo confiar na bondade e perseverar nela. Mas existe ainda uma dimensão mais profunda. O Senhor limpa-nos da nossa indignidade com a força purificadora da sua bondade. Lavar os pés uns aos outros significa sobretudo perdoar-nos incansavelmente uns aos outros, recomeçar sempre de novo juntos, mesmo que possa parecer inútil. Significa purificar-nos uns aos outros suportando-nos mutuamente e aceitando ser suportados pelos outros; purificar-nos uns aos outros doando-nos reciprocamente a força santificadora da Palavra de Deus e introduzindo-nos no Sacramento do amor divino (Bento XVI, Missa da Ceia do Senhor – 2006)”, disse dom Moacir.

E, ao concluir a homilia, o arcebispo rezou: “Por fim, confessamos: unidos a toda a Igreja, anunciamos a tua morte, ó Senhor. Cheios de gratidão, já vivemos a alegria da tua ressurreição. Repletos de confiança, comprometemo-nos a viver na expectativa da tua vinda gloriosa. Hoje e sempre, ó Cristo, nosso Redentor. Amém”

Ao final da concelebração, o Santíssimo Sacramento foi trasladado pelo arcebispo dom Moacir, altar até a Capela do Santíssimo Sacramento, seguido do cortejo de fiéis, onde permaneceu exposto para adoração.

Pastoral da Comunicação
Arquidiocese de Ribeirão Preto