Espetáculos esdrúxulos

Os Ministros do Supremo Tribunal Federal que se dizem tão “supremos”, mais uma vez se “apequenaram” e envergonharam Cidadãos Brasileiros que pagam seus salários exorbitantes. Mesmo a Presidente do STF, em inúmeras entrevistas, afirmando que rever prisão após condenação em Segunda Instancia, seria “apequenar” a Suprema Corte, o espetáculo foi um dos mais esdrúxulos que já assisti. Tentando se justificar, a maioria dos Ministros, reafirmava repetidamente que todos os cidadãos têm tratamento absolutamente igual em se tratando de Habeas Corpus. Sublinhavam a urgência do julgamento em questão, que ocupou uma tarde inteira só para decidirem se seria justo aceitar ou não o Habeas Corpus Preventivo do ex-presidente da República, único meio legal ou não, de evitar a prisão de Lula, cuja sentença foi confirmada no dia 26 de março em Porto Alegre.

Se todos os cidadãos têm tratamento igual junto à Suprema Corte, porque ainda não julgaram o pedido de Habeas Corpus de Antônio Palocci Filho, que espera há mais de nove meses para ser apreciado? Alguém entende porque a “delação premiada” do ex-ministro ainda não foi acolhida pelo Ministério Público Federal? Enquanto abastecia e intermediava dinheiro sujo aos cofres do Partido dos Trabalhadores e aos bolsos de tantos de seus integrantes, era tratado como “Companheiro”. Depois de depor parte das falcatruas suas e de seus ex-companheiros, passou a ser chamado de “Traidor”. Por que tanta pressa para julgar alguém que já é enquadrado na Lei da Ficha Limpa? Ou pretendem mudar também este anseio popular?

Não sou especialista em Direito, não ouso julgar o comportamento dos nobres Ministros, mas ouço uma indignação geral por parte de cidadãos de bem, que se sentem cansados da vaidade e do protagonismo da maioria dos Ministros do STF que buscam fama e prestígio porque sabem que estão sendo assistidos por um bom número de medíocres, como eu, e seus discursos serão registrados nos anais da história do Supremo. Na verdade, minha leitura é de que a sessão do Supremo Tribunal Federal do dia 22 de março de 2018 foi uma grande “malandragem jurídica”. Como se não bastasse, dois Ministros colocaram seus prestígios pessoais acima do serviço que deveriam prestar com maior zelo à Nação. Afinal, os Ministros são tão bem pagos para trabalharem com mais afinco, ou para receberem homenagens?

Os Professores tão mal remunerados em nosso País injusto trabalham de segunda à sexta-feira em sala de aula. Passam noites, finais de semanas e feriados trabalhando pela eficácia de sua missão. Como um Ministro da Suprema Corte tira do bolso do paletó uma passagem aérea, dizendo que já efetuou o “Check In” de seu voo porque seria homenageado para honrar a cadeira que ocupa no próprio Supremo? Quantas vezes a mesma Corte nos segurou até madrugada adentro para assistir a julgamentos monótonos e longos, porque lhes interessava chegar a um veredicto?

Finalmente, a maior falta de respeito para com o próprio Judiciário foi aceitar de última hora o pedido de “Liminar” da defesa do ex-presidente, “salvo-conduto”, para que não seja preso enquanto não terminarem o julgamento, agendado para este dia 4 de abril, já que todos os senhores Ministros parecem tão cristãos, que não puderam trabalhar nenhum dia da Semana Santa. Já os Desembargadores da 4ª Região do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre manteve o julgamento dos Desembargos para o dia 26 de março, Segunda-Feira Santa. Nem por isso mereciam tamanha falta de consideração do STF. Até porque para o PT só age com justiça os que são a seu favor. Quem é contra “não presta”. Que Democracia é essa? Não lhes parece Ditadura?

Sou da opinião de que ninguém seja preso não. Justo mesmo seria que todo o dinheiro desviado voltasse o quanto antes aos cofres públicos e aplicado nas necessidades básicas, que inexistindo fazem sofrer e matam milhares de pessoas todos os dias: na Saúde, na Educação, na Infraestrutura e na Segurança. Mas a Suprema Corte deixa de ser suprema para se tornar malandra, arrogante e prepotente, enquanto nos obrigar a assistir tais Espetáculos Esdrúxulos! Esperemos para conferir o resultado de hoje!

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL e UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.