<

Chamados à santidade

O Papa Francisco presenteou a Igreja, portanto, a todos e a cada um de nós, com a nova Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate - Sobre a Chamada  à  Santidade  no   Mundo Atual.  O  Santo Padre assinou este documento no dia 19 de março, Solenidade de São José, e mandou publicar no dia 9 de abril de 2018.

O documento é constituído por cinco capítulos. Logo no início, o Papa declara sua intenção com esta Exortação: “Não se deve esperar aqui um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções que poderiam enriquecer este tema importante ou com análises  que  se  poderiam  fazer     acerca  dos meios de santificação. O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando  encarná-la  no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades,  porque  o  Senhor   escolheu  cada  um de nós ‘para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor’ [cf.Ef 1, 4]” (GE, 2).

No primeiro capítulo, o Papa trata do chamado à santidade e diz: “o que quero recordar com esta Exortação é sobretudo a chamada à santidade que o Senhor faz a cada um de nós, a chamada que  dirige também a ti: ‘sede pois santos, porque Eu sou santo’ (Lv 11, 45; cf. 1Pd 1, 16). O Concílio Vaticano II salientou vigorosamente: “munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho” [LG, 11] (GE, 10).

No segundo capítulo, o Papa lembra os dois inimigos sutis da santidade, ou seja o gnosticismo atual e o pelagianismo atual. “São duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade. Ainda hoje os corações de muitos cristãos, talvez inconscientemente, deixam-se seduzir por estas propostas enganadoras (GE, 35).

O terceiro capítulo reflete a santidade à luz do Mestre. “Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; assim o fez quando nos deixou as bem-aventuranças (Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre ‘como fazer para chegar a ser um bom cristão’, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida” (GE, 63).

No quarto capítulo, o Papa reflete sobre algumas características da santidade no mundo atual. Ele diz: “estas características que quero evidenciar não são todas as que podem constituir um modelo de santidade, mas são cinco grandes manifestações do amor a Deus e ao próximo, que considero particularmente importantes devido a alguns riscos e limites da cultura de hoje. Nesta se manifestam: a ansiedade nervosa e violenta que nos dispersa e enfraquece; o negativismo e a tristeza; a acédia cômoda, consumista e egoísta; o individualismo e tantas formas de falsa espiritualidade sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso atual” (GE, 111).

O capítulo cinco trata da luta, vigilância e discernimento. “A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. Esta luta é magnífica, porque nos permite cantar vitória todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida” (GE, 158).

E  o  Papa  conclui  a Exortação, dizendo:  “Espero  que  estas páginas sejam úteis para que toda a Igreja se dedique a promover o desejo da santidade. Peçamos ao Espírito Santo que infunda em nós um desejo intenso de ser santos para a maior glória de Deus; e animemo-nos uns aos outros neste propósito. Assim, compartilharemos uma  felicidade  que  o  mundo  não poderá tirar-nos” (GE, 177).

Exorto aos presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, fiéis leigos e leigas a se debruçarem sobre este texto e, assim, avançarem no caminho da própria santidade.


Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Igreja-Hoje - Maio/2018