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Novo ano

No início deste novo ano, destaco dois elementos importantes em nossa ação evangelizadora: a 15ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral (15ª APP), nos dias 23 e 24 de novembro, e a Hora da Juventude.

Ao pensar a 15ª AAP, chamo a atenção para uma afirmação de São João Paulo II, no início deste novo milênio: “não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (NMI, 30). Nesta perspectiva muito nos ajudará a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, do Papa Francisco, sobre a chamada à santidade no mundo atual.

Na preparação e realização da 15ª AAP precisamos ter presente a sinodalidade na vida e na missão da Igreja. “A dimensão sinodal da Igreja dever ser expressada por meio da aplicação e do governo de processos de participação e de discernimento capazes de manifestar o dinamismo de comunhão que inspira todas as decisões eclesiais” (Comissão Teológica Internacional – A Sinodalidade na vida e na missão da Igreja, 76). O Papa Francisco, na comemoração dos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos, disse: “Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta, ciente de que escutar é mais do que ouvir. É uma escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender” (Discurso, 17 de outubro de 2015). No processo da Assembleia precisamos “colocar-nos à escuta uns dos outros para discernirmos, juntos, aquilo que o Senhor está a pedir à sua Igreja. Isto exige de nós que estejamos atentos e nos precavamos bem para não prevalecer a lógica da autopreservação e da autorreferência, que acaba por tornar importante o que é secundário, e secundário o que é importante” (Papa Francisco – Homilia na Missa de Abertura do Sínodo, 3 de outubro de 2018).

A 15ª AAP precisa refletir sobre a cultura urbana e a evangelização. Deus habita na vida dos homens da cidade, em meio as suas alegrias, desejos e esperanças, como também em suas dores e sofrimentos, em cada realidade humana, cujos limites às vezes nos fazem mal e nos oprimem. Identifica-se com as nossas experiências humanas mais fortes: o amor e a morte, a alegria e a dor, a união e a exclusão. Deus se faz presente não obstante as sombras que caracterizam a vida cotidiana das cidades, como por exemplo, a violência, a pobreza, o individualismo e a exclusão. Jesus vem nos outros que pedem nosso amor (Mt 25, 37-40) apaixonado e compassivo. (A Pastoral das Grandes Cidades, Edições CNBB, p. 317).

Tenho dito que estamos vivendo a Hora da Juventude. Na Missa do Dia Nacional da Juventude (18 de novembro de 2018), em Santo Antônio da Alegria, dei uma missão aos jovens: “rejuvenescer nossa Arquidiocese, a partir das nossas paróquias”; e os jovens deram um sim a esta missão. O Sínodo sobre a Juventude, acontecido em outubro do ano passado nos desafia em nossa ação evangelizadora e exige conversão pastoral. “Os jovens chamam-nos a cuidar, com maior empenho e juntamente com eles, do presente e a lutar contra aquilo que de algum modo impede a sua vida de crescer com dignidade. Pedem-nos e exigem-nos uma dedicação criativa, uma dinâmica inteligente, entusiasta e cheia de esperança, e que não os deixemos sozinhos nas mãos de tantos traficantes de morte que oprimem a sua vida e obscurecem a sua visão” (Papa Francisco – Homilia na Missa de abertura do Sínodo, 3 de outubro de 2018).

O Documento final do Sínodo, no nº 119 afirma: “No momento em que escolheu ocupar-se dos jovens neste Sínodo, a Igreja no seu conjunto fez uma opção muito concreta: considera esta missão uma prioridade pastoral decisiva, na qual deve investir tempo, energias e recursos. Desde o início do caminho de preparação, os jovens manifestaram o desejo de ser envolvidos, valorizados e sentir-se coprotagonistas da vida e missão da Igreja. Neste Sínodo, experimentamos que a corresponsabilidade vivida com os jovens cristãos é fonte de profunda alegria também para os bispos”.

A paróquia é o lugar para demonstrar efetivamente a opção pelos jovens, acolher e valorizar as juventudes, abrindo espaços físicos de acolhida para que os jovens possam se encontrar, aprofundar sua fé, conviver, praticar esportes e lazer sadio (cf. Documento Final do Sínodo, 128 a 132 e 143).

Faço minhas as palavra do Santo Padre no final da homilia da Missa no encerramento do Sínodo: “Que o Senhor abençoe os nossos passos, para podermos escutar os jovens, fazer-nos próximo e testemunhar-lhes a alegria da nossa vida: Jesus”.

 

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano


Boletim Informativo Igreja-Hoje - Janeiro/Fevereiro - 2019