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Jornada Mundial da Juventude 2019

De 22 a 27 de janeiro de 2019 a Igreja viveu um momento especial com a juventude: a 34ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Panamá. Tive a graça de participar deste evento importante com um bom grupo de jovens de nossa arquidiocese de Ribeirão Preto.

Neste espaço quero repercutir a palavra do Papa Francisco para a juventude do mundo inteiro, representadas nos jovens que lá estavam. Na cerimônia de acolhida e abertura da JMJ ele disse: “Bem! Sei que, para chegar aqui, não foi fácil. Conheço os esforços, os sacrifícios que fizestes para poderdes participar nesta Jornada. Muitos dias de trabalho e dedicação, encontros de reflexão e oração, cuja recompensa é o próprio caminho. O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho. Se alguém se põe a caminhar, já é um discípulo. Se ficas parado, perdeste… Começar a caminhar, estar a caminho: esta é a alegria maior do discípulo. Vós não tendes medo de arriscar e caminhar. Se hoje podemos estar em festa, é porque esta festa já começou há muito tempo em cada comunidade”.

“Vós, queridos amigos, fizestes muitos sacrifícios para vos poderdes encontrar, tornando-vos assim verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro. Com isso, tornastes-vos mestres e artesãos da cultura do encontro, que não é ‘Olá!  Como estás? Adeus, até breve’. Não, a cultura do encontro é aquela que nos faz caminhar juntos com as nossas diferenças, mas com amor, todos unidos no mesmo caminho. Vós, com os vossos gestos e atitudes, com as vossas perspectivas, desejos e sobretudo a vossa sensibilidade, desmentis e refutais certos discursos que se concentram e empenham em semear divisão, aqueles discursos que procuram excluir e expulsar quantos ‘não sejam como nós’”.

“Encontrar-se significa saber fazer outra coisa: entrar na cultura do encontro é apelo e convite a termos a coragem de manter vivo e em conjunto um sonho comum... Um sonho, um sonho chamado Jesus, semeado pelo Pai: Deus como Ele, como o Pai, enviado pelo Pai com a confiança que crescerá e viverá em todo o coração. Um sonho concreto, que é uma Pessoa, que corre nas nossas veias, faz exultar e dançar de alegria o coração sempre que escutamos o mandamento que Jesus nos deu: ‘Que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos’. Como se chama o nosso sonho? [os jovens respondem: «Jesus!»]”.

“Queridos jovens, esta Jornada não se revelará fonte de esperança por um documento final, uma mensagem consensual ou um programa a aplicar. Não será por isso. Aquilo que dará mais esperança neste encontro serão os vossos rostos e uma oração. Isto dará esperança... o rosto com que voltardes para casa, o coração transformado com que regressardes a casa, a oração que tiverdes aprendido a dizer com esse coração transformado”.

Na Via-Sacra, o Papa disse: “Queridos jovens de todo o mundo! Caminhar com Jesus será sempre uma graça e um risco. Uma graça, porque nos compromete a viver na fé e a conhecê-Lo, penetrando nas profundezas do seu coração, compreendendo a força da sua palavra. Um risco, porque, em Jesus, as suas palavras, os seus gestos, as suas ações contrastam com o espírito do mundo, a ambição humana, as propostas duma cultura do descarte e da falta de amor”.

Na Vigília, Francisco afirmou: “Sempre impressiona a força do ‘sim’ de Maria, jovem. A força daquele ‘faça-se em Mim’, que disse ao anjo. Foi uma coisa distinta duma aceitação passiva ou resignada. Foi qualquer coisa distinta daquele ‘sim’ que por vezes se diz: ‘Bem; provemos a ver que sucede’. Maria não conhecia a frase ‘provemos a ver que sucede’. Era determinada: compreendeu do que se tratava e disse ‘sim’, sem rodeios de palavras. Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Foi o ‘sim’ de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer ‘não’. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma ‘influenciadora’, é a ‘influenciadora’ de Deus! O ‘sim’ e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades”.

Na missa de envio, o Papa disse: “Jesus revela o agora de Deus, que vem ao nosso encontro para nos chamar, também a nós, a tomar parte no seu agora, no qual ‘anunciar a Boa-Nova aos pobres’, ‘proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos a recuperação da vista’, ‘mandar em liberdade os oprimidos’ e ‘proclamar um ano favorável da parte do Senhor’ (cf. Lc 4, 18-19). É o agora de Deus que, com Jesus, se faz presente, se faz rosto, carne, amor de misericórdia que não espera situações ideais ou perfeitas para a sua manifestação, nem aceita desculpas para a sua não realização. Ele é o tempo de Deus que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus, começa e faz-se vida o futuro prometido”.

“Vós, queridos jovens, não sois o futuro. Gostamos de dizer-vos: ‘Sois o futuro…’ Mas não é verdade! Vós sois o presente! Não sois o futuro de Deus; vós, jovens, sois o agora de Deus. Ele convoca-vos, chama-vos nas vossas comunidades, chama-vos nas vossas cidades, para irdes à procura dos avós, dos adultos; para vos erguerdes de pé e, juntamente com eles, tomar a palavra e realizar o sonho que o Senhor sonhou para vós”.

Que os ensinamentos do Papa Francisco nos ajudem a viver bem a Hora da Juventude em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto.


Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Igreja-Hoje - Janeiro/Fevereiro - 2019