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Vocações

O mês de agosto, no Brasil, Mês Vocacional, chama nossa atenção para a questão das vocações. Além de pensar e refletir sobre as vocações específicas é necessário ampliar a questão vocacional, é preciso pensar na construção de uma cultura vocacional.

Em 2018, a Igreja realizará a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Estamos em tempo de preparação para este importante acontecimento. Em vista da preparação desta Assembleia Sinodal, o Papa Francisco, escreveu uma Carta aos Jovens por ocasião da apresentação do Documento Preparatório da Assembleia, publicada em 15 de janeiro de 2017. Ele inicia esta carta, dizendo: “Caríssimos jovens! É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’. Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque  vos    trago    no  coração. Exatamente  hoje  é  apresentado   o  Documento Preparatório, que confio também a vós como ‘bússola’ ao longo deste caminho”.

Ao citar o chamado que Deus fez a Abraão: “Sai da tua terra” (Gn 12,1), o Papa diz: “Quando Deus disse a Abraão ‘Sai!’, o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós  aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?”

O Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, ao apresentar o Documento Preparatório, comentando o capítulo II: “Fé, discernimento, vocação”, centro do documento, a certa altura disse: “Devemos esclarecer que o termo ‘vocacional’ deve ser entendido no sentido amplo e se refere a toda a vasta gama de possibilidades de realização concreta da própria vida na alegria do amor  e   na   plenitude derivante do dom de si mesmo a Deus e aos outros. Trata-se de encontrar a forma concreta na qual esta realização plena pode ocorrer ‘através de uma série de escolhas, que   incluem  estado  de vida (matrimônio,  ministério  ordenado,   vida  consagrada, etc.), profissão, modalidade de compromisso social e político, estilo de vida, gestão do tempo e do dinheiro, etc.”. Como se vê, a preocupação é com a ampliação da visão vocacional na Igreja.

O Documento Preparatório, aborda a realidade do jovem no mundo de hoje (capítulo 1), e lembra que a transição para a vida adulta e a construção da identidade exigem cada vez mais um percurso “reflexivo”. “As pessoas são forçadas a readaptar os seus percursos de vida e a voltar a apropriar-se continuamente das próprias escolhas. Além disso, juntamente com a cultura ocidental difunde-se um conceito de liberdade entendida como possibilidade de aceder a oportunidades sempre novas. Não se aceita que construir um percurso de vida pessoal significa renunciar a trilhar caminhos diferentes no futuro: ‘Hoje escolho este, amanhã veremos’. Tanto nas relações afetivas como no mundo do trabalho, o horizonte compõe-se mais de opções sempre reversíveis do que de escolhas definitivas”.

Daí a importância do dom do discernimento (capítulo 2), pois tomar decisões e orientar as ações pessoais em situações de incerteza e perante impulsos interiores contrastantes é o âmbito do exercício do discernimento. “Tratando-se de decisão vocacional é preciso concentrar-se no discernimento vocacional, ou seja, no processo com a qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e à escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar por aquela sobre o estado de vida. Se a interrogação sobre o modo como não desperdiçar as oportunidades de realização pessoal diz respeito a todos os homens e mulheres, para o fiel a questão torna-se ainda mais intensa e profunda. Como viver a Boa Notícia do Evangelho e responder ao chamamento que o Senhor dirige a todos aqueles dos quais vem ao encontro: por meio do matrimônio, do ministério ordenado, da vida consagrada? E qual é o campo em que se pode fazer frutificar os talentos pessoais: a vida profissional, o voluntariado, o serviço aos últimos, o compromisso na política?”

Convido cada jovem a descobrir na vida de Maria de Nazaré o estilo da escuta, a coragem da fé, a profundidade do discernimento e a dedicação ao serviço.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano


Igreja-Hoje - Agosto 2017