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Animação bíblica da pastoral

Neste mês de setembro voltamos nossa atenção para a Palavra de Deus em nossa ação evangelizadora, como animação de nossa ação pastoral. “Entende-se por animação bíblica de toda a pastoral a busca consciente e contínua de ter a Sagrada Escritura como alma da missão evangelizadora da Igreja” (Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja – Doc. 97 da CNBB, 32). “Compreendida como a alma da vida pastoral da Igreja a Palavra de Deus precisa ser a inspiração de todo ser e agir evangelizador eclesial” (idem, 34).

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2015-2019 assumiu como uma de suas urgências: “Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral”. Esta é também a terceira urgência das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Ribeirão Preto (2015-2019). Os Bispos do Brasil lembram que “o discípulo missionário é convidado a redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Jesus Cristo” (DGAE, 49); e alertam: “o desafio para todos os que aceitam Jesus como caminho é escutar a voz de Cristo em meio a tantas outras vozes. O discípulo missionário, bombardeado a todo o momento por questões que lhe desafiam a fé, a ética e a esperança, precisa estar de tal modo familiarizado com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra que, mesmo pressionado, mas não se sinta abalado (At 2,25; 2Cor 4,8-9), continue solidamente firmado em Cristo Jesus e, por seu testemunho, interpele os corações que o questionam (At 16,16-34)” (DGAE, 50).

Temos consciência de que “a Palavra de Deus dirige-se a todos, indistintamente: crianças, jovens, adultos, idosos, e em todas as situações e contextos em que se encontrem. Ouvida e celebrada na comunhão com os irmãos, a Palavra de Deus gera solidariedade, justiça, reconciliação, paz e defesa de toda a criação. O discípulo missionário haverá de reconhecer e testemunhar que a Palavra é de Deus e, como tal, deve ser acolhida e praticada” (DGAE, 51).

Precisamos crescer na consciência de que a animação bíblica de toda a pastoral “é um caminho de conhecimento e interpretação da Palavra, um caminho de comunhão e oração com a Palavra e um caminho de evangelização e proclamação da Palavra. O contato interpretativo, orante e vivencial  com  a  Palavra de Deus não forma, necessariamente, doutores; forma santos” (DGAE, 54).

Diante disso, “a Igreja no Brasil deseja incrementar a animação bíblica da vida e da pastoral, com o envolvimento de toda a comunidade, pessoas, pastorais, movimentos, associações e serviço. A animação bíblica é indispensável para que a vida da Igreja seja, ainda mais, uma “escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, escola de comunhão e oração com a Palavra e escola de evangelização e proclamação da Palavra. Seus principais objetivos são: propiciar meios de aproximação das pessoas à Palavra de Deus, para conhecê-la e interpretá-la corretamente; entrar em comunhão  com a Palavra de Deus por meio da oração; evangelizar e proclamá-la como fonte de vida em abundância para todos” (DGAE, 93).

Os Bispos do Brasil insistem: “em todos os níveis da ação evangelizadora, sejam criadas e fortalecidas equipes de animação bíblica da pastoral. Essas equipes impulsionam a responsabilidade de todos os batizados com relação à Palavra de Deus. Entre as atividades que se propõem sobressaem, em particular, aquelas que reúnem grupos de famílias, círculos bíblicos e pequenas comunidades em torno à meditação e vivência da Palavra...” (DGAE, 96).

“Merece destaque a leitura orante, que favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Seja, portanto, incentivada e reforçada, conforme as orientações da Igreja, de modo que proporcione comunhão com o Senhor e ilumine a realidade vivida pelos participantes, animando-os e despertando-os para o compromisso evangélico a serviço do Reino de Deus...” (DGAE, 98).

Deixemos que essas orientações dos Bispos do Brasil impulsionem a animação bíblica da vida e da pastoral em todas as nossas comunidades. Bispo, padres, diáconos e demais agentes de pastoral, estamos todos implicados nesta tarefa.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Igreja-Hoje - Setembro 2017