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Campanha da Fraternidade 2018

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano tem como tema: “Fraternidade e superação da violência” e como lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8). O objetivo geral é:“Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência” (Texto-Base [TB], 15b).

A CF tem o seu momento forte no tempo da Quaresma, tempo que nos convida à conversão do coração. A CF nos pede atenção e conversão. “Desperta para uma cultura de fraternidade, apontando  os  princípios  de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade” (TB, 14).

O Texto-base está estruturado em três partes: Ver, Julgar e Agir. O Ver começa apresentando as diversas formas de violência, mostrando a epidemia de homicídios no Brasil, a experiência cotidiana da violência: “Os números apontados pelo Mapa da Violência 2016, mostram que, no Brasil, cinco pessoas são mortas por arma de fogo a cada hora. A cada dia, são 123 pessoas assassinadas dessa forma. No ano de 2014, houve mais de 40 mil mortes. Essa cifras revelam que, no Brasil, ocorrem mais mortes por arma de fogo do que nas chacinas e atentados que acontecem em todo o mundo. Acontecem mais  homicídios no Brasil do que em diversas das guerras recentes” (TB, 26). Mostra ainda a violência institucional e a cultura da violência.  O  Ver trata também da violência  como  sistema  no  Brasil,  destacando a violência como parte da história do Brasil, a política e violência no Brasil e a violência como resultante da desigualdade  econômica.  Depois,  o  Ver apresenta  as  vítimas  da violência no Brasil contemporâneo  (violência racial, violência contra os jovens, contra homens e mulheres, violência doméstica; exploração sexual e tráfico humano); trata também da violência e narcotráfico e da ineficiência do aparato judicial, etc....

O Julgar parte da Sagrada Escritura, da Palavra de Deus. “A violência é um tema abundante na Sagrada Escritura, sobretudo no Antigo Testamento. Nela encontram-se fortes denúncias dos danos provocados pela violência, proibições de atos violentos e condenação de pessoas por atitudes violentas” (TB, 146). “A presença da violência na história da humanidade é sinal de ausência de amor e fraternidade” (TB, 149). No Novo Testamento, Jesus anuncia o Evangelho da reconciliação e da paz. “Para os cristãos, a superação da violência se baseia em sua profissão de fé, que começa afirmando: ‘Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra’. Assim, em seu princípio, a fé cristã se abre para a fraternidade universal. A confissão de fé em um Pai comum é a semente dessa fraternidade” (TB, 175). Depois, o Julgar apresenta a palavra da Igreja. “Fiel à mensagem de paz e reconciliação de Jesus Cristo, além de denunciar a violência e a guerra e de opor-se a elas com firme decisão, a Igreja oferece sua colaboração para a superação da violência, dando orientações, como partilha de sua experiência e de sua fé” (TB, 181). Um exemplo desta colaboração são as Mensagens para o Dia Mundial da Paz, que desde 1968, o Papa oferece para a humanidade no dia 1º de Janeiro de cada ano.

O Agir apresenta ações para a superação da violência. “‘Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir’. Pequenos e cotidianos gestos testemunham como os valores do Evangelho são imprescindíveis para a construção de um mundo novo, sem violência. Eis o caminho para um agir que supera a violência e inspira a construção da paz” (TB, 204). É bom não esquecermos que “a superação da violência pede comprometimento e ação que envolvam a sociedade civil, os membros da Igreja e os poderes constituídos, a fim de que não somente os direitos humanos, mas também a promoção da cultura da paz sejam asseguradas pela formulação de políticas públicas emancipatórias” (TB, 206). Por fim, teremos o gesto concreto – a Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos, dia 25 de março. Ela é o resultado de nossa penitência quaresmal.

Vivamos intensamente a CF 2018 como instrumento para nossa conversão pessoal e comunitária.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Igreja-Hoje - Fevereiro 2018