<

Vivendo o Tempo Pascal

As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário (NUALC) afirmam no número 18: “Como Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus principalmente pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida, o sagrado Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor resplandece como o ápice de todo o ano litúrgico”. Ele “começa com a Missa vespertina na Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do domingo da Ressurreição” (NUALC, 19). O documento também afirma: “Os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, como um grande domingo” (NUALC, 22); este período constitui o tempo Pascal.

Na liturgia dominical deste tempo predomina o evangelho de São João (somente no terceiro domingo temos o evangelho de São Lucas e, na Ascensão, São Marcos); na primeira leitura temos o livro dos Atos dos Apóstolos; na segunda leitura, predomina a Primeira Carta de São João, neste ano do ciclo B.

No 2º Domingo da Páscoa temos o evangelho da aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos em dois momentos (Jo 20, 19-31): primeiro, sem a presença de Tomé; e, depois, com a sua presença. Dois ensinamentos ficam bem claros: primeiro, desde o dia da ressurreição a comunidade cristã se reúne para encontrar-se com o seu Senhor; segundo, a comunidade reunida é o lugar da experiência do Senhor ressuscitado. Tomé fez a experiência do Ressuscitado, na comunidade reunida. Para nós não é diferente. É na comunidade reunida para celebrar a Eucaristia que fazemos a experiência do Cristo vivo; é na comunidade que partilhamos a fé com os irmãos e, por isso mesmo, crescemos na fé.

No 3º Domingo é ainda Jesus que aparece aos onze reunidos no Cenáculo (Lc 24, 35-48) e explica como sua vida foi o cumprimento das esperanças de seu povo, registrados nos salmos, na lei de Moisés e na palavra dos profetas. Ele não explica essas coisas só para aumentar a cultura geral dos discípulos. Ele quer que compreendam como é importante fazer parte dessa história de salvação orientada por Deus ao longo dos séculos. É preciso que percebam a grandeza da missão para que se apaixonem por ela e trabalhem com entusiasmo e alegria.

No 4º Domingo, Jesus se revela como o Bom Pastor (Jo 10, 11-18). Neste dia a Igreja inteira reza pelas vocações sacerdotais. Pela ordenação, o sacerdote “se torna, na Igreja e para a Igreja, imagem real, viva e transparente de Cristo Sacerdote, uma representação sacramental de Cristo Cabeça e Pastor” (DMVP, 2b).

O 5º Domingo caracteriza-se pela vida misteriosa de Cristo nas comunidades. Ele se apresenta como a videira verdadeira do qual nós somos os ramos (Jo 15, 1-8). Ele continua a oferecer ao mundo e aos homens os seus frutos; e o faz por meio dos seus discípulos. A missão da comunidade de Jesus, que hoje caminha pela história, é produzir os frutos de justiça, de amor, de verdade e de paz que Jesus produziu.

No 6º Domingo, Jesus nos dá o mandamento do amor (Jo 15, 9-17); com isso Ele quer que a sua vida continue através de nós, seus discípulos. O Batismo nos uniu a Cristo, nos inseriu em Cristo, nos transformou em seus membros. Deste modo, é Ele que continua agindo em nós: é Ele que ama, que cura, que consola, que ajuda o pobre, que enxuga as lágrimas.

A Ascensão do Senhor, aqui no Brasil, é transferida para o 7º Domingo da Páscoa (cf. NUALC, 25). Jesus volta para Pai e nos deixa o compromisso (Mc 16, 15-20): “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura”. Eis aí a nossa missão: anunciar com a nossa vida os valores do Evangelho; anunciar que em Cristo, morto e ressuscitado, o Pai oferece a salvação a todas as pessoas.

O tempo Pascal termina com a celebração de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos (Jo 20, 19-23), que os transformou profundamente. Ele veio a nós, de modo especial na Crisma, e também quer nos transformar.

Desejo a todos uma feliz e santa Páscoa, e uma profunda vivência da espiritualidade pascal, que se caracteriza pela participação na vida do Ressuscitado.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Igreja-Hoje - Abril 2018