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06/01
2016

Arcebispo

Arcebispo fala em Natal com o rosto da misericórdia

Em entrevista ao jornal Enfim, o arcebispo dom Moacir Silva demonstra a relação que existe entre o Natal e o Jubileu Extraordinário da Misericórdia lançado recentemente pela Igreja e avalia as atividades arquidiocesanas.


Arcebispo fala em Natal com o rosto da misericórdia
Dom Moacir Silva entusiasmou-se com os fiéis em caminhada Catedral e espera mesma participação significativa nas celebrações natalinas


Carlos Alberto Nonino
José Mário de Sousa
Jornal Enfim


O papa Francisco, como os fiéis católicos, sentem uma necessidade maior, sobretudo nos atuais tempos, de todos se voltarem para a misericórdia, contemplar a misericórdia, porque contemplando a misericórdia, nós nos tornamos mais misericordiosos. O Natal traz para o mundo o rosto da misericórdia de Deus.

o que afirma o arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva, nesta entrevista exclusiva ao jornal Enfim, na qual demonstra a relação que existe entre o Natal e o Jubileu Extraordinário da Misericórdia lançado recentemente pela Igreja. A misericórdia é mais necessária nos tempos difíceis de hoje, afirma.

Dom Moacir salienta também que foi muito significativa a caminhada de fiéis da Igreja São José Catedral, quando senti, com muita clareza, a Igreja peregrina. Fala ainda de marcas surpreendentes do papa Francisco, convida para entrar na Porta Santa da Catedral, comenta a posição agora da Igreja em relação ao padre Cícero Romão Batista e outras questões da atualidade.


Qual a relação entre o Natal e o Jubileu Extraordinário da Misericórdia?

Dom Moacir - O papa Francisco, para marcar os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, dia 8 de dezembro, lançou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, afirmando que Jesus Cristo é o rosto da misericórdia. Pois bem, o Natal traz para o mundo o rosto da misericórdia do Pai.

Qual a importância da misericórdia, agora?

Dom Moacir - O papa sente, como nós sentimos, uma necessidade maior, sobretudo nos nossos tempos, de nos voltarmos para a misericórdia, contemplar a misericórdia. Contemplando a misericórdia, nós nos tornamos mais misericordiosos. O lema da misericórdia é Sede misericordiosos, como o Pai. Este até é o refrão o hino oficial do jubileu. Nesses tempos marcados por tantas desgraças, tantas misérias, por tantos pecados, então é o tempo oportuno de colocar o pensamento para contemplar a misericórdia de Deus e nos tornarmos mais misericordiosos, avançarmos na prática das obras da misericórdia, tanto as corporais, como as espirituais.

Como a comunidade pode participar mais desse processo?

Dom Moacir - O Santo Padre convida as pessoas exatamente para repensar a prática da misericórdia. Está fundamentado no capítulo 25 do evangelho de São Mateus. Há diversos meios de os fiéis aproveitaram este ano de graça, como passar pela Porta Santa aqui na nossa Arquidiocese, a Porta Santa da Catedral, que foi aberta no dia 13 de dezembro de 2015, como estabeleceu o papa na bula que regula a convocação do Ano Santo. A peregrinação pela Igreja Catedral, a passagem pela Porta Santa, a reflexão sobre a misericórdia, o sacramento da penitência, a eucaristia, a oração pelo Santo Padre, tudo isso tem significado em educar para a indulgência do ano santo, por viver as obras da misericórdia. O esforço maior por viver as obras da misericórdia: dar comida a quem tem fome, vestir os nus, aconselhar os que precisam de orientação, rezar pelos falecidos, e assim por diante.

O senhor contatou participação expressiva da comunidade na abertura da Porta Santa?

Dom Moacir - Foi muito significativa, sim, a abertura da Porta Santa, como foi significativa antes a caminhada que tivemos da Igreja São José até a Catedral. Olhando para a rua, eu senti, com muita clareza, a Igreja peregrina. Com o bispo frente, como tem de estar, seguido pelo clero, o povo cantando, eu vi essa imagem da Igreja peregrina. Então, a participação foi muito boa, foi além da expectativa, a Catedral estava lotada, e também havia muita gente do lado de fora. A celebração marcou realmente a vida das pessoas que participaram.

A misericórdia se torna mais firme, mais forte e mais necessária nos tempos difíceis que estamos vivendo?

Dom Moacir - Justamente por causa dos tempos difíceis, é que é preciso voltar-se para a misericórdia. tomar consciência de que, no meio das dificuldades não se está tudo perdido, está é a importância da presença da Igreja. Nosso Deus é misericordioso, interessado no bem do homem. Ele não desiste do homem, mesmo que o homem o esqueça. Deus não esquece o homem e não desiste de apostar no homem. Ele quer o bem do homem.

Chegamos a mais uma marca do papa Francisco?

Dom Moacir - Devo dizer que sim, porque o papa Francisco é envolvido pela realidade da misericórdia, tanto é que, no seu lema episcopal, está lá a misericórdia (Miserando atque eligendo que significa Com misericórdia, o elegeu). Desde início de seu pontificado, o papa tem insistido na misericórdia. E para culminar os 50 anos do Concílio Vaticano II, que chamou a atenção para a misericórdia, para a Igreja misericordiosa, o papa quis então proclamar o jubileu da misericórdia, que sem dúvida é mais uma marca de seu pontificado.

O papa Francisco surpreende cada vez mais?

Dom Moacir - Sempre. Ainda há pouco, no final de novembro, ele surpreendeu a ponto de realizar na frica a abertura da Porta Santa, antes de fazer a abertura oficial no Vaticano. Foi surpreendente, nunca aconteceu antes.

E o senhor, como arcebispo, está surpreendendo?

Dom Moacir - Eu??? (sorriso). Não sei. Surpresas sempre ocorrem, por diversos meios. Se surpreendo, o povo é que vai dizer.



Antes de falarmos do Natal, como o senhor analisa a posição agora da Igreja em relação ao padre Cícero?

Dom Moacir - O padre Cícero, quando faleceu, estava suspenso de suas ordens. Uma situação complicada. O cardeal Ratzinger, antes de ser o papa Bento XVI, como prefeito da Congregação da Fé no Vaticano, pediu ao bispo de Crato (CE) que fizesse a revisão do processo. Numa das assembleias gerais dos bispos do Brasil (CNBB), os bispos assinaram pedido para que o padre Cícero fosse reabilitado, ou seja, que fosse retirada a suspensão de ordem. O cardeal Ratzinger dizia que, para se pensar num processo de canonização, a primeira providência seria reabilitá-lo. O pedido foi enviado. Depois houve mudança, o cardeal Ratzinger se tornou papa, depois renunciou, e o processo parou um pouquinho. Agora, o papa Francisco, como papa da misericórdia, quis revogar a suspensão do padre Cícero. Interessante é que a carta da Santa Sé aponta justamente para as obras e a missão que o padre Cícero realizou, a afluência de fieis s romarias. A reabilitação dele é um grande momento para a Igreja no Brasil, porque o padre Cícero agora está reconciliado com a Igreja.

Uma ação que fortalece a Igreja?

Dom Moacir - Sem dúvida, fortalece a Igreja. Padre Cícero tem milhares de devotos no Brasil inteiro. Sua vida demonstra que foi um padre que cuidou das pessoas, anunciou o Evangelho, cuidou principalmente dos pobres.

Este é o seu terceiro Natal em Ribeirão, qual a diferença, o que há de novo?

Dom Moacir - Neste Natal, insisto que a importância é o Ano Santo da Misericórdia. São novos tempos que vêm ao encontro dos homens fiéis da Igreja. Deus que vem ao encontro dos homens e assume a vida dos homens para levar os homens a participar da vida Dele. Deus que se faz criança no Menino de Belém para que ninguém tenha medo de se aproximar de Deus, para que as pessoas possam se aproximar do mistério, deixar se envolver pelo mistério de Deus e assim participar da vida divina que é o projeto de Deus para os seus filhos.

Fale um pouco sobre as celebrações do Natal.

Dom Moacir - São quatro missas, começando pela vigília no dia 24 durante o dia. Esta primeira quase não ocorre mais, a não ser que o dia 24 caia num domingo. Depois, temos a missa da noite, que é a mais solene. Em seguida, temos a missa da aurora, bem cedinho. Finalmente, a missa do dia.

Cada uma com sua própria liturgia?

Dom Moacir - Cada uma com suas leituras próprias.

A da noite, véspera de Natal, é que tem maior participação?

Dom Moacir - Sim, isto é que constato desde minha época em São José dos Campos (onde ele foi bispo antes de vir para Ribeirão Preto). missa que lota as igrejas, tanto quanto a missa da Quarta-Feira de Cinzas.



Qual o convite que o senhor faz comunidade católica?

Dom Moacir - Convido as pessoas a se colocarem perante o mistério de Deus que vem ao nosso encontro no Natal. A participação na celebração é justamente uma forma de agradecer a Deus pelo grande presente que nos deu, Jesus, que veio para nos salvar. No Natal, Deus partilhou a si mesmo conosco. também convite para a gente partilhar aquilo que nós temos e o que somos. Uma grande fraternidade. Foi isso que Deus veio fazer conosco, integrar-se na humanidade para que nós pudéssemos participar. Uma forma de bem participar do Natal é justamente partilharmos do mistério de Deus.

Como o senhor avalia a situação da Arquidiocese de Ribeirão Preto, hoje?

Dom Moacir - Concluímos o processo da assembleia pastoral. Foi um ano de muita reflexão, passando primeiro pelas comunidades paroquiais, depois pelas foranias até chegar ao centro da Arquidiocese. Nesse processo, acolhemos de forma especial as diretrizes da ação evangelizadora da igreja no Brasil com suas urgências, principalmente a urgência de evangelização. No ano que vem, teremos momento muito especial, que será justamente o tempo de aplicação dessas diretrizes na Arquidiocese. Para isso já programei estar nas paróquias com os padres e com os conselhos de pastoral, para juntos estarmos vendo a aplicação da urgência da ação evangelizadora nas diversas comunidades.

O ano de 2015 foi expressivo para a Igreja, particularmente para a Arquidiocese?

Dom Moacir - Foi um ano especial. Tivemos o ano da vida consagrada que termina agora em fevereiro, o ano da paz, que a CNBB celebrou em diversas comunidades. Fizemos a caminhada da paz em Ribeirão e outras cidades da Arquidiocese, no dia de São Francisco de Assis. Assim, em termos eclesiais, foi um ano bastante positivo. Ano também em que se debruçou sobre a realidade da família em comunhão com a Igreja do mundo inteiro. A Arquidiocese pensou e refletiu muito sobre questões da família. Vivemos todo processo de assembleia cuja maior parte ocorreu justamente em 2015. Foi um ano realmente bastante ativo.

E o que podemos esperar em 2016?

Dom Moacir - A aplicação das nossas diretrizes, sob a inspiração do Ano Santo da Misericórdia... Uma programação especial da Santa Sé, que nossa Arquidiocese deverá assimilar. Teremos o jubileu dos diáconos, jubileu da catequese, dos jovens e adolescentes, jubileu dos religiosos, das famílias... Tudo isso estará dentro de nossa programação da Arquidiocese. Mas esperamos principalmente os fiéis para viver este ano da misericórdia.




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