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09/03
2018

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Comentando a Palavra de Deus - Terceiro Domingo da Quaresma

A Palavra de Deus do Terceiro Domingo da Quaresma nos ajudará a revermos a pureza de nossa relação com Deus.


Comentando a Palavra de Deus - Terceiro Domingo da Quaresma

A Palavra de Deus do Terceiro Domingo da Quaresma nos ajudará a revermos a pureza de nossa relação com Deus. A relação pessoal e a relação com Deus, seja através das leis que administram a vivência de nossa fé, seja através da fé transformada em obras, logo, nossa relação com Deus por intermédio dos irmãos, seja à luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, cuja Páscoa preparamos!

A página do Livro do Êxodo nos apresenta o Decálogo, a Lei Mosaica, os Mandamentos como bússola orientadora de caminharmos em direção ao nosso fim último que nada mais é do que a felicidade eterna! A lei torna-se necessária na medida em que a ética se distancia do comportamento humano. O Decálogo é resumido, por Jesus, num único mandamento: o do Amor! Jesus não subestima os Dez Mandamentos, mas os enriquece. Quem ama a Deus e ao próximo como a si mesmo, acolhe o Decálogo com muita simplicidade, sem escrúpulos, descomplicadamente. Para muitos, os Dez Mandamentos são ainda um “peso”, ou então compreendidos como meras proibições ou castigo. Já para quem desenvolve sua capacidade de amar um amor com sabor divino, os Mandamentos são um modo de administrar bem o dom precioso da vida.

Jesus vai além dos Mandamentos e se irrita quando a lei é colocada acima do amor. Pior fica, quando se utilizam do Templo, da Religião, de iniciativas pastorais que sacrificam as pessoas, favorecendo lucros indecentes. Não penso que o chicote utilizado por Jesus, tivesse os vendilhões como alvo, mas a estrutura da instituição religiosa de seu tempo, que se utilizava do Templo e do Culto para angariar riquezas. Há uma grande diferença entre manter o Templo, zelar por ele, conservá-lo e ampliá-lo, do que faziam as autoridades religiosas de Jerusalém. O não cumprimento dos preceitos implicava na exclusão do povo simples. Todos se esmeravam por cumprir o que estava prescrito. O povo viajava meses para a celebração da páscoa judaica, e naturalmente necessitava de “suporte” em torno do Templo para ali adorar a Javé. A exploração do simplesmente necessário foi que irritou a Jesus e o fez expulsar os vendilhões do Templo. Impor sacrifícios descabidos sobre os ombros do povo, exigir o cumprimento de leis simplesmente, não agrada o coração de Deus. Jesus tenta demonstrar que o amor supera e deve estar sempre acima da lei!

Toda celebração da Eucaristia é um divisor de águas. Nela vivemos a tensão entre o culto perfeito e o culto baseado nos interesses pessoais e mesquinhos. O evangelho fala da substituição do templo antigo pelo novo. Nós já somos o novo templo, contudo, a cada momento, precisamos ser purificados de tudo aquilo que não nos deixa oferecer sacrifícios agradáveis ao Senhor. Daí a importância da escuta da Palavra de Deus, da avaliação das nossas práticas, do afinar-se com os desígnios do Senhor e do entrar no espírito do culto em espírito e verdade. A liturgia transpira do começo ao fim, o sentido e a espiritualidade do culto prestado por Cristo ao Pai.

Importa nos deixarmos impregnar por esta liturgia e fazer da vida um culto perfeito. Na celebração, bebemos na fonte que é a misericórdia de Deus Pai. Nele aprendemos a confessar as nossas faltas. Na liturgia importa cantar tudo o que o Senhor fez por nós, antes e depois de ter proposto o código da aliança. A oração eucarística canta exatamente isso, tendo como centro o memorial da páscoa de Cristo.

Na fé, a cruz parece satisfazer e superar as expectativas humanas. Enviar seu filho para sofrer a morte por amor desafia todo pensamento humano. Nesta Quaresma, devemos ser mais solidários entre nós e, certamente, fazer uma loucura como a da cruz, um gesto insensato em benefício da justiça para com os pobres.

Estamos em plena Campanha da Fraternidade. Tantas realidades ligadas ao seu tema poderíamos trazer presentes... Poderíamos lembrar a sociedade tão violenta, que profana o templo que é o nosso corpo. FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA! Não podemos dissociar nossa vida dos problemas. É urgente que vivamos o lema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). Saibamos promover a dignidade de nosso povo, ajudando a superar as vergonhosas corrupções e o desrespeito tão desumano à cidadania de nosso povo, esfolado, explorado e enganado por aqueles que deveriam ser servidores, mas se sentem donos do Povo!

São Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios lembra e atualiza essa questão também a nós, de que não devemos correr atrás do espetaculoso, mas procurar encontrar o espetacular na própria cruz de Cristo. É dele que emana todo o sentido de nossa fé e a esperança de nossa salvação. Cristo não espera “coisas” de nós, Ele não precisa delas; mas espera que nos amemos, seguindo o Seu exemplo. Saibamos ser misericordiosos uns para com os outros. Mas também solidários e comprometidos com a promoção da dignidade humana.

Oxalá consigamos passar a Quaresma esforçando-nos por não falar nada mal de ninguém, bem como reservar os frutos de nossos exercícios quaresmais de penitência, como o jejum, a abstinência e outros, para o grande dia da Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos!
Nesta semana celebramos o Dia Internacional da Mulher. Rezemos e renovemos nossa acolhida às Mulheres de nossas Comunidades. O que seria da Igreja sem elas? Sintam-se valorizadas, inseridas e protagonistas da evangelização de nossa Igreja na Sociedade, especialmente neste Ano Nacional do Laicato!
Desejando-lhes abençoada semana, com ternura e gratidão, o abraço sempre fiel e amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ex 20,1-17; Sl 18(19); 1 Cor 1,22-25 e Jo 2,13-25)

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Março de 2018, pp. 22-25 e Roteiros Homiléticos da CNBB para a Quaresma de 2018, pp. 21-23.


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