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06/06
2014

Advento

Microfone aberto

Artigo do padre Alfeu Piso analisa a participação do Clero no Encontro de Atualização Teológico-Pastoral do Clero e aponta os desafios missionários para a ação evangelizadora da Igreja.


Microfone aberto

Microfone aberto foi o indicativo de conteúdos de certos plenários da reunião dos presbíteros realizada nos dias 27 a 30 de maio, na Casa Dom Luiz, em Brodowski. Microfone aberto! Soou de forma diferente nessa reunião. Que beleza! Coisa simples e que até deveria ser normal. Mas, dadas as circunstâncias, foi o anúncio de uma boa nova. com coisas simples assim que se pode recuperar a esperança e se pode recomeçar. E a coisa interessou! E já conseguiu grandes mudanças. A dita reunião do clero mostrou que pode ser diferente e passou a fazer parte das estruturas a serem renovadas.

Se o microfone está aberto, em primeiro lugar, é porque tem quem deseja ouvir, e, que acredita em quem possa ter o que falar. E, em nosso caso, se o presbitério já pode falar, logo ele, de novo, já passou a existir. Que bom! Os presbíteros e diáconos existem, tem credibilidade, tem competência, e podem acrescentar pessoalmente. Eles não são apenas receptor, mas, com o Bispo, são protagonistas na vida da Igreja Particular.

Que bom! O microfone está aberto! Despertou-se no ambiente uma admiração e sentiu-se nova expectativa entre os presbíteros presentes. Criou-se um clima descontraído e até cheio de humor nas salas de reuniões. Um tipo de voltamos para casa, estamos em casa, podemos falar, existimos. Embora tenha havido só um relativo bom aproveitamento do microfone aberto nos plenários, e, se não foi mais usado, é porque já se havia perdido o hábito da palavra, há muito silenciada e substituída pela audição passiva de muitas e muitas anteriores reuniões dos presbíteros. Reuniões a que se chegava com ares de flagelados, com os olhos erguidos para os helicópteros que nos traziam as cestas básicas de pastoral, sem levar em conta que todos já produzimos em nosso quintal nossos pés de mandioca, com algumas ervas amargas.

Todos, sem censura, tiveram oportunidade, dentro do limite do tempo, de se manifestar. E o sensacional é que também não houve pressa para se resolverem as coisas na base de pequenos decretos ex cátedra, sobre o que se pode e o que não se pode. Abriu-se um caminho de reflexão. De fato, as coisas não podem ser respondidas, saciando pequenas perguntas, e, resolvidas com pequenas respostas disciplinares, mas pelo estabelecimento de um processo envolvente de reflexão. Mais do que soma de pequenos decretos, é preciso consenso. Uma boa reflexão e boas respostas devem ser precedidas por boas perguntas, assim como o tratamento deve vir depois de um bom diagnóstico.

Sentiu-se que se pode recuperar o prazer das reuniões de presbíteros e diáconos com o Bispo. Tudo foi muito respeitoso, sem agressividade. Houve reconhecimento do que se faz e do que se fez. Mas é inevitável que, quando se levanta o tapete, se encontrem debaixo dele certas coisas de que nem o dono do tapete tem conhecimento.

Fica claro que estamos lidando com uma proposta mais complexa do que se imagina. Recolocar a Igreja em estado de missão é complexo. Não vai acontecer com um simples ato de vontade e com uma simples ordem de saída e com pequenos arranjos. A Igreja se habitou a ser sedentária, a ser cultual, a ser administrativa e a ser devocional. Os bispos, padres, diáconos foram formados para o culto, para a administração e pouco ainda entendem de Missão. A missão pertence ao DNA da Igreja, e não é coisa que lhe foi acrescentada depois, nem uma sua atividade específica. A Igreja não tem missão. Ela é Missão. E a Igreja, por questões históricas, que não vem ao caso analisar no momento, passou a ver a missão e a evangelização como atividade que saia dela, e, que era tercerizada a grupos especializados de missão. Missão era coisa de grupos especializados. E o novo chamado missionário não visa a formação de mais um grupo específico representativo e especializado em missão. Não estou dizendo que o projeto SIM queria ser isso, mas no fim acabou aparecendo com isso, pois, se deu quase paralelamente a tudo o que se faz. Não houve uma conversa anterior, houve informações. O chamado missão visa despertar a Igreja Missão, toda ela, em todos os seus membros e em todas as suas atividades. E isso não vai acontecer de um dia para o outro. preciso ainda muita fisioterapia para isso. Nessa Igreja-Missão, os presbíteros com o Bispo tem um papel fundamental. Usando um neologismo do Papa Francisco, eles devem primeirear todo o processo de saída missionária. Os Bispos e presbíteros também precisam fazer fisioterapia e recuperar a dinâmica missionária, formar-se nisso, pois, até agora já aprenderam a fazer discursos de missão, mas ainda vivem ocupados em administrar o que aprenderam a fazer e conseguem fazer, de acordo com a demanda de suas comunidades.

E para terminar, recomendo a leitura, neste site, dos seguintes títulos de minha autoria:

Missão e Evangelização

Coisas que é preciso contar Dia das Missões

Criar ambientes da Palavra

O Presbítero Pároco

Repensando a Paróquia

Grilo das estruturas

Forania


Padre Alfeu Piso
Doutor em teologia, é pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Brodowski, e professor de teologia no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (CEARP), em Brodowski


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