Francisco é um grande catequista, afirma dom José Peruzzo

Dom Peruzzo comenta para a Rádio Vaticano – Vatican News o Motu proprio do Papa sobre o ministério de catequista.

Silvonei José – Vatican News

Foi apresentado nesta terça-feira na Sala de Imprensa da Santa Sé o Motu próprio do Papa Francisco “Antiquum ministerium”, com a presença do arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e dom Franz-Peter Tebartz-van Elst, delegado para a catequese do mesmo Pontifício Conselho.

O documento do Papa Francisco estabelece formalmente o ministério de catequista, desenvolvendo a dimensão evangelizadora dos leigos desejada pelo Concílio Vaticano II. Um papel ao qual, disse o Papa Francisco em vídeo-mensagem, que cabe a responsabilidade do “primeiro anúncio”.

Dom Peruzzo fez em exclusiva um comentário para a Rádio Vaticano – Vatican News sobre o documento:

Nos dias precedentes à apresentação do documento, o portal da CNBB conversou com o arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom José Antônio Peruzzo, sobre a importância da ação do Papa e o seu significado.
Confira a entrevista:

Dom Peruzzo, o que é um Motu Proprio?

A expressão Motu Proprio, expressão latina, significa movido dele mesmo, digamos assim de própria iniciativa. É algo querido pelo próprio Papa. O romano pontífice, ele não é apenas o executivo, vitalício, a exercer uma função, ele é o pastor da Igreja universal, sucessor dos apóstolos, com uma responsabilidade de pastorear a igreja e movido por sua própria iniciativa e percepção pastoral originada de suas próprias motivações, claro que assessorado sempre, mas motivado por suas próprias determinações. E como pastor da igreja universal decidiu publicar um determinado escrito cuja característica é da própria moção pessoal, isto quer dizer Motu Proprio.

Qual é a importância e o que esse documento significa para o serviço catequético?

São várias centenas de milhares de catequistas no Brasil. Ministério é a palavra “munus” e também especialmente ministro originalmente significa aquele que age em nome de. Reconhecer o serviço catequético como um ministério é algo que procede já daquela mais genuína teologia e eclesiologia do Vaticano II. O Papa Francisco é enfático nos seus pronunciamentos explícitos ou de maneira nem sempre explícita, mas ele é sempre muito afeiçoado ao que o Concílio Vaticano deixa a entrever.

O que se vislumbra com esse Motu Proprio?

De certo modo não é uma novidade. Já estava de maneira latente e presente no que a Igreja queria projetar de si mesma. Para o serviço da catequese sem nenhuma dúvida é um serviço solene. É uma nova experiência que aqui no Brasil já se discutia e em algumas dioceses já se praticava. Valoriza a catequese, os catequistas e a atuação da catequese como um todo. O Papa é muito sensível especialmente ao ministério da ministerialidade feminina, digamos assim. Na catequese é imensa a maioria feminina nesse serviço.

E o que o Documento significa em termos pastorais?

O catequista se sente como leigo ministerialmente instituído. Não é apenas um serviço que presta a uma comunidade. Diz o Papa: é vocação, sim!

Servir em nome da igreja à comunidade, à educação da fé, e fazê-lo por causa do batismo que recebeu e a verdade que professa; assumir isso e a Igreja reconhecer este papel não como papel, mas como missão, não como um atributo, mas como algo próprio da identidade do batizado. Assumir isso como ministério responsabiliza a própria hierarquia. Não é um título que se dá, mas uma missão que se reconhece. É dom de Deus. Não é uma distribuição efetiva e prática e/ou pragmática de tarefas é pronunciar a verdade de si mesmo, o catequista, na condição de ministro e não apenas de colaborador funcional. E isto educa a Igreja e os hierarcas bispos, presbíteros e também diáconos. Educa-nos para tomar no devido apreço e reconhecer na devida grandeza o que significa educar a fé de um povo.

Haverá um ritual para instituí-los ou reconhecê-los ministros e ministras. Será uma liturgia específica, tem a solenidade própria. Não será apenas uma titulação, mas formular pública e liturgicamente uma missão que há séculos a igreja exerce, mas precisava educar-se para reconhecer que não apenas no serviço oficial da liturgia, mas no serviço ministerial da educação da fé, os leigos e aqui – de maneira mais destacada as mulheres – podem conferir um novo rosto ao discipulado. São discípulas. No Brasil centenas de milhares que podem dizer à Igreja o quanto de maternidade a própria Igreja precisa se deixar matizar pela presença do ministério dessas mulheres.

Há uma fala do Papa que diz que “o catequista é uma vocação”. E que “Ser catequista, esta é a vocação, não trabalhar como catequista”. Para o senhor, a catequese é uma vocação?

O Papa diz sim que a catequese é uma vocação. A diferença e o que significa vocação? A palavra vocação vem de vox, procede de dentro. Não é uma palavra que alguém de fora pronuncia e determina, mas é uma voz interior que ressoa e ecoa e espera daquele ou daquela escolhida para a missão uma resposta. A resposta se dá em expressão de serviço catequética. O ministro catequista não presta um mero serviço, ele não dá aulinhas sobre a fé, ele partilha a experiência de ter encontrado Jesus Cristo, isso começa deste dentro, por isso é voz interior, por isso é vocação.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-05/francisco-um-grande-catequista-afirma-dom-jose-peruzzo.html

Veja também:

Pastoral da Sobriedade realiza a Semana Nacional de Políticas Sobre Drogas

Começa no sábado, 19 de junho, e vai até a terça-feira, 29 de junho, a Semana Nacional de Políticas Sobre Drogas, com o tema “Para que todos tenham vida”. Organizada pela Pastoral da Sobriedade da Arquidiocese de Ribeirão Preto a semana contará com atividades celebrativas, palestras, roda de conversa, e por motivo da pandemia, toda programação será transmitida na página do Facebook da Arquidiocese de Ribeirão Preto

Reze o Rosário com os membros do Apostolado da Oração

Neste mês de junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, os membros do Apostolado da Oração da Arquidiocese de Ribeirão Preto (Rede Mundial de Oração do Papa), com a impossibilidade de se reunirem presencialmente devido a pandemia, buscaram se reinventar e gravaram a recitação do Rosário.

Formação para Catequistas – FORANIAS

A Equipe Arquidiocesana da Animação Bíblico-Catequética promove no dia 17 de junho (quinta-feira), às 20 horas, a formação para os Catequistas das paróquias das Foranias Santo Antônio, Bom Jesus da Lapa e Cristo Operário. O tema será “O mundo digital e Catequese à Luz do Espírito Santo” com base no Diretório para Catequese.