“Jesus está conosco, mas depende de nós o milagre da partilha” afirma Dom Moacir na solenidade de Corpus Christi

“Jesus está conosco, mas depende de nós o milagre da partilha” afirma Dom Moacir na solenidade de Corpus Christi

O arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto, dom Moacir Silva, presidiu a Eucaristia na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), 16 de junho, às 17h30, na Catedral Metropolitana de São Sebastião. Depois de dois anos, devido à pandemia, os fiéis puderam participar presencialmente da solenidade e procissão de Corpus Christi. Concelebraram os padres: Francisco Jaber Zanardo Moussa (pároco); Igor Fernando Aparecido Madalosso de Lima (vigário); Antônio Élcio de Souza (mestre de cerimônias); e serviu nas funções litúrgicas o diácono Áureo João Nunes Ribeiro.

Liturgia da Palavra

Na Solenidade de Corpus Christi a Igreja glorifica o Santíssimo Sacramento e celebra o sacramento que fundamenta a nossa fé: a Eucaristia. Na Liturgia da Palavra foram proclamadas as leituras: Gn 14,18-20, Sl 109(110),1.2.3.4 (R. 4bc), 1Cor 11,23-26 e Lc 9,11b-17. Alguns dos trechos do cântico da ‘Sequência’ recordam a instituição da Eucaristia: “Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida, vem com ela celebrar! Este pão, que o mundo o creia! por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu. (…) O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar (…) Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão. É por todos recebido, não em parte ou dividido, pois inteiro é que se dá! Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele:
multiplica-se o Senhor”.

Homilia

Ao iniciar a homilia, o arcebispo dom Moacir Silva, exaltou o sentido da instituição da Eucaristia na vida cristã. “Queridos irmãos e queridas irmãs estamos celebrando a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. São João Paulo II, falando da Eucaristia chamou-a de ‘mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até o extremo (cf. Jo 13,1), um amor sem medida’ (EE, 11)”, disse dom Moacir.

Na meditação do texto do Evangelho (Lucas 9,11b-17), o arcebispo acentuou o verdadeiro sentido do mistério pascal e da Eucaristia. “No Evangelho de hoje, temos o relato da multiplicação dos pães, segundo São Lucas; ele foi escrito numa linguagem eucarística, isto é, a parte principal do relato usa os mesmos termos com os quais é descrita a Última Ceia: Jesus toma, abençoa, parte e distribui o pão. Mas não é qualquer pão, é o Pão da Eucaristia que lembra sua entrega por nós, sofrendo na cruz em total doação, como Ele mesmo nos diz: ‘Isto é o meu corpo que é dado por vós’. ‘Este cálice e a nova aliança, em meu sangue’. Jesus quis ser pão, alimento do dia-a-dia para todos nós. Alimento que Ele não deu a uma só pessoa, partiu-o e deu a todos que ceavam com Ele. Jesus repartiu sua vida com todos, vinda do Pai, pão vivo descido do céu. Através dele a aliança do Pai renova-se, é a ‘nova aliança’, agora com todos e para toda a humanidade”, explicou o arcebispo.

E, dom Moacir continuou a meditação falando da partilha como gesto concreto de amor ao próximo. “Jesus nos deixa no gesto da partilha, o grande amor do Pai por nós, exemplo que nos pede para repetir: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’. A lição da partilha é uma dimensão irrenunciável da Eucaristia. Na multiplicação dos pães, Jesus não fez descer pão do céu, como o maná de Moisés. Nem transformou pedras em pão, como lhe sugeriu o demônio quando das tentações no deserto. Mas ordenou aos discípulos: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ … e o pão não faltou. A multidão que ia ao encontro de Jesus, como ouvimos no Evangelho, pedia a cura aos que precisavam, mas ouvia atenta a sua Palavra, sem perceber o entardecer. Jesus alimentou-os primeiro com a Palavra, depois, com todos que comungaram sua mensagem, partilhou o pão. Tudo começa com a partilha da Palavra, depois segue a partilha do pão. Jesus mostrou aos discípulos o milagre do amor. O amor infinito que vem de Deus. O amor que se transforma em pão, multiplica-se quando partilhado, alimenta a todos. Quando o pão é partilhado sempre sobram cestas de pão. (…) Jesus está conosco, mas depende de nós o milagre da partilha. Quando sabemos partilhar, geramos felicidade e recolhemos mais que sobras de pão. Recolhemos alegrias e multiplicamos a esperança de que o pão sempre poderá ser partilhado para saciar a fome dos famintos. Construímos uma sociedade solidária e fraterna”, destacou o arcebispo.

A Palavra e a Eucaristia precisam caminhar juntos como expressão do testemunho da caridade no discipulado de Cristo como expressou o arcebispo: “O Cristo vivo no Santíssimo Sacramento é vivo também na Palavra do Evangelho. Precisamos colocar-nos a seus pés, como a multidão que o seguia, primeiro para ouvir o que Ele quer nos falar para depois recebê-lo no pão da Eucaristia. Palavra e Eucaristia, pão para ser comungado e adorado, não só adorado. Cristo perpetuou sua presença entre os discípulos como alimento. E este alimento é para ser consumido, porém não isoladamente: é pão partido e repartido entre os irmãos. Os que se alimentam do seu corpo, bebem de seu sangue, identificam-se com Ele, formam um só corpo, repetem o seu gesto de amor. Como discípulos, também recebemos o pedido: ‘dai-lhes vós mesmos de comer’. Não podemos despedir os que precisam de nós, seja em necessidades materiais ou espirituais”, enfatizou dom Moacir.

E, ao concluir a homilia, dom Moacir rezou: “Fica conosco, Senhor! Alimenta-nos com o Pão da Unidade. Dai-nos a graça compreendermos mais e melhor as lições da Eucaristia, conscientes de que a partilha é uma dimensão irrenunciável da mesma. Senhor Jesus, Pão Vivo descido do céu, sustentai-nos na vivência da partilha, hoje e sempre. Amém!”

Procissão e bênção: Após a Eucaristia, o arcebispo dom Moacir, os padres concelebrantes, e os fiéis saíram em procissão pelas ruas do centro de Ribeirão Preto. O Santíssimo Sacramento conduzido pelo arcebispo, em revezamento com os padres concelebrantes, era seguido pelos fiéis com cânticos e louvores de adoração. Terminada a procissão, os fiéis se concentraram defronte as escadarias da Catedral, e o arcebispo dom Moacir Silva, após as orações, deu a bênção solene do Santíssimo Sacramento.

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