Dom Moacir aos fiéis no Domingo de Ramos: “Deus é amor e não exclui ninguém”

Dom Moacir aos fiéis no Domingo de Ramos: “Deus é amor e não exclui ninguém”

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, deu início as celebrações da Semana Santa, no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 29 de março, com a concentração na Capela do Colégio Auxiliadora, para o rito e a bênção dos Ramos. O arcebispo dom Moacir Silva, abençoou os ramos e, após a proclamação da leitura do Evangelho, houve o início da procissão e a continuidade dos ritos da missa na Catedral. Concelebrou o vigário paroquial, padre João Marcos da Silva Carvalho.

No início da homilia o arcebispo Dom Moacir falou sobre o sentido da celebração do Domingo de Ramos onde a liturgia nos revela o itinerário da vida cristã. “A liturgia de hoje nos convida a contemplar nosso Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor”.

Deus é amor e não exclui ninguém

Ao meditar o Evangelho (Mateus 26,14-27,66) o arcebispo recordou as características atribuídas pelo evangelista ao descrever a paixão e morte de Jesus Cristo. “O Evangelho nos convida a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total. A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus percebeu que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina ‘fazendo o bem’ e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o ‘Reino’; e avisou os ‘ricos’ (os poderosos, os instalados), que o egoísmo, o orgulho, a autossuficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte”.

Enxergar na paixão o amor de Cristo por cada um de nós

Dom Moacir ainda acrescentou: “Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor o tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco ‘até ao fim dos tempos’: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes”.

Solidariedade com os crucificados deste mundo

E, antes de finalizar a homilia o arcebispo falou a respeito do sentido de contemplarmos a cruz nos dias atuais. “Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição”.

O arcebispo concluiu a homilia motivando os fiéis a viverem a espiritualidade da Semana Santa: “Aproveitemos a Semana Santa para contemplar esta proximidade de Deus em nosso sofrimento humano e contemplar também a revelação plena do seu amor por todos e cada um de nós no Cristo crucificado. Que o Senhor nos conceda aprender o ensinamento de sua Paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Assim seja!”

 

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