Com a mediação dos Missionários Redentoristas, especialmente do missionário redentorista padre Carlos Alberto Baptistine, C.Ss.R, natural de São Simão, a Arquidiocese de Ribeirão Preto recebeu uma relíquia de primeiro grau do sangue de são João Paulo II (Ex sanguine Sancti Joannis Pauli PP II). Em 17 de maio (domingo), Solenidade da Ascensão do Senhor, às 11h, o arcebispo dom Moacir Silva, presidiu a Missa na Catedral Metropolitana de São Sebastião, na recepção da relíquia. Concelebraram os padres: João Marcos da Silva Carvalho, vigário paroquial da Catedral; Carlos Alberto Baptistine, C.Ss.R; Wagner Gleison Theodoro, da paróquia de São Simão Apóstolo; Alencar Prates Rodrigues; e Antônio Elcio de Souza (Pitico), vigário geral e cerimoniário do sólio; e serviu nas funções litúrgicas o diácono Luís Roberto Bimbati. A relíquia permaneceu exposta na Catedral durante todo o domingo (17), e na segunda-feira (18) seguiu para a recepção na paróquia São Simão Apóstolo, onde ficará em definitivo.

Acolhida da Relíquia
Antes do início da missa, o padre Antônio Elcio, convidou os fiéis a acompanharem com fervor a entrada do relicário trazido pelo arcebispo dom Moacir Silva em procissão pelo corredor central da Catedral. “Alegria, cheio de devoção, nós que também experimentamos, acompanhamos São João Paulo II no seu ministério, quantos nasceram do pontificado de São João Paulo II, quantas graças alcançadas, quantos exemplos nós recebemos de São João Paulo II. Aqueles que tiveram a oportunidade, no tempo que ele visitou o Brasil, também ter se encontrado nas suas visitas, acompanharam tantas mensagens. Uma alegria podermos receber o sangue de São João Paulo II. Por isso, com piedade, nós vamos acolher a relíquia trazida por Dom Moacir, acolhendo nosso arcebispo, a relíquia, o padre Wagner, que fez o pedido da relíquia, que depois irá para São Simão, e o padre Baptistine, que mediou tudo isso, e em 20 de abril, revelou esta surpresa no programa “Famílias dos Devotos” da TV Aparecida. Com alegria, cantando, acolhamos a relíquia de São João Paulo II”.
Relíquia de primeiro grau
O missionário redentorista e cidadão simonense, padre Carlos Alberto Baptistine, contou brevemente o caminho para alcançar a graça de ganharmos a relíquia de São João Paulo II. “A nossa história para trazer a relíquia tem como ponto de partida o padre Adam Rapala, residente na comunidade redentorista de Aparecida (SP). Ele é polonês, nasceu na Polônia, e no começo deste ano, São Simão comemorou 200 anos de fundação. Aí eu perguntei ao padre Adam se conseguiríamos trazer uma relíquia de São João Paulo. Ele respondeu, olha, vamos pedir. Depois, em conversa com Dom Moacir, ele assinou o pedido. Coincidentemente, dois padres de Cracóvia, Diocese de dom Stanisław Dziwisz, que foi secretário papal de João Paulo II por mais de 40 anos, e eles conseguiram trazer a relíquia para o Brasil”.

Padre Baptistine revela a grande surpresa ao receber a relíquia, pois acreditava que seria um objeto de segundo grau, e ficamos admirados ao constatar que a relíquia era de primeiro grau. “E a gente achava que era um objeto qualquer. A relíquia, de primeiro grau, é sangue, pele, osso, cabelo. É sempre alguma parte. A relíquia de segundo é algo que ele usou: roupa, sapato, caneta. E aí, quando recebemos a relíquia aqui em Aparecida, e abrimos o documento, estava escrito ex sangue, quer dizer, o sangue de São João Paulo II. Eles queimam o sangue, e vira um chip pequenininho, igual de celular, E eles colocam, então, no relicário. E veio, então, para Ribeirão Preto. Aí falei para Dom Moacir, vamos começar entrando pela Catedral, e depois fica em São Simão, e quando a diocese precisar, está lá em São Simão. Então, hoje vocês são os privilegiados de receber aqui em Ribeirão Preto, a relíquia de São João Paulo II. Tenho muita fé em São João Paulo II. Então, mais do que nunca, rezar por todos aqueles que tem a fé e dirigem os seus pedidos em São João Paulo II para a intercessão de Deus”.
São João Paulo II na vida de Dom Moacir
O arcebispo dom Moacir Silva, no início da homilia, recordou os momentos que esteve na presença de São João Paulo II, em suas visitas ao Brasil, e reconheceu o legado do santo. “Este momento para mim é muito significativo, porque, afinal de contas, foi São João Paulo II, que me nomeou bispo da igreja, em 20 de outubro de 2004. Tive também a alegria e a graça de estar presente nas três vezes que ele esteve no Brasil. No dia 4 de julho de 1980, no Santuário Nacional de Aparecida, e Seminário Bom Jesus, em Aparecida. Em 1991, em Florianópolis, na beatificação de Santa Paulina. E, em 1997, no Rio de Janeiro, no II Encontro Mundial das Famílias. São João Paulo II deixou diversos legados para a Igreja, e eu quero rapidamente destacar dois legados. O primeiro, a Jornada Mundial da Juventude, um momento de encontro da juventude do mundo com o papa. Que a presença de sua relíquia entre nós seja um estímulo maior para que a nossa arquidiocese avance na evangelização da juventude. Aquela missão que eu dei para os jovens de rejuvenescer a nossa diocese. O outro legado foi o Encontro Mundial das Famílias. O primeiro foi em Roma. E o segundo, onde foi? No Brasil. O papa escolheu o Brasil para o II Encontro Mundial das Famílias, no Rio de Janeiro, em 1997. É uma graça muito grande para todos nós podermos ter a presença de sua relíquia nesta nossa celebração eucarística”.

O arcebispo continuou a homilia explicando o sentido da Ascensão do Senhor. “A Solenidade da Ascensão de Jesus, que hoje celebramos, sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo. O Evangelho apresenta o encontro final de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, num monte da Galileia. A comunidade dos discípulos, reunida à volta de Jesus ressuscitado, reconhece-O como o seu Senhor, adora-O e recebe d’Ele a missão de continuar no mundo o testemunho do ‘Reino’”.
Dom Moacir ampliou a reflexão e contextualizou o texto do Evangelho: “Podemos dividir o texto deste Evangelho em duas partes. Na primeira (vers. 16-18), descreve-se o encontro. Jesus, vivo e ressuscitado, revela-Se aos discípulos; e os discípulos reconhecem-no como ‘o Senhor’ e adoram-no. Depois de descrever a adoração, Mateus acrescenta uma expressão que alguns traduzem como ‘alguns ainda duvidaram’ e outros como ‘eles que tinham duvidado’ (gramaticalmente, ambas as traduções são possíveis). No primeiro caso, a expressão significaria que a fé não é uma certeza científica e que não exclui a dúvida; no segundo caso, a expressão aludiria a essa dúvida constante dos discípulos – expressa em vários momentos, ao longo da caminhada para Jerusalém – e que aqui perde qualquer razão de ser. Ao reconhecimento e à adoração dos discípulos, segue-se uma manifestação do mistério de Jesus, que reflete a fé da comunidade de Mateus: Jesus é o ‘Senhor’, que possui todo o poder sobre o mundo e sobre a história; Jesus “o mestre”, cujo ensinamento será sempre uma referência para os discípulos; Jesus é o ‘Deus-conosco’, que acompanhará, a par e passo, a caminhada dos discípulos pela história”.

Dom Moacir em continuidade a meditação do Evangelho traz a explicação da segunda parte: “Na segunda (vers. 19-20), Mateus descreve o envio dos discípulos em missão pelo mundo. A Igreja de Jesus é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens e que deixou nas mãos e no coração dos discípulos. A primeira nota do envio e do mandato que Jesus dá aos discípulos é a da universalidade… A missão dos discípulos destina-se a ‘todas as nações’. A segunda nota dá conta das duas fases da iniciação cristã, conhecidas da comunidade de Mateus: o ensino e o batismo. Começava-se pela catequese, cujo conteúdo eram as palavras e os gestos de Jesus (o discípulo começava sempre pelo catecumenato, que lhe dava as bases da proposta de Jesus). Quando os discípulos estavam informados da proposta de Jesus, vinha o batismo – que selava a íntima vinculação do discípulo com o Pai, o Filho e o Espírito Santo (era a adesão à proposta anteriormente feita). Uma última nota: Jesus estará sempre com os discípulos, ‘até ao fim dos tempos’. Esta afirmação expressa a convicção – que todos os crentes da comunidade de Mateus possuíam – de que Jesus ressuscitado estará sempre com a sua Igreja, acompanhando a comunidade dos discípulos na sua marcha pela história, ajudando-a a superar as crises e as dificuldades da caminhada”.
Dom Moacir ainda perguntou aos fiéis se estamos sendo fiéis ao mandato missionário de Jesus. “A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou? O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia? Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade cristã?”
Após os ritos finais, a relíquia permaneceu na Catedral e os fiéis puderam contemplar e rezar pedindo a intercessão de São João Paulo II.





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