A Adoração Eucarística

Estamos avançando no Ano da Oração em preparação ao Jubileu 2025. Neste mês queremos olhar mais de perto a Adoração Eucarística. Estar na Presença do Senhor! Aprofundando a sua fé na presença real de Cristo na Eucaristia, a Igreja tomou consciência do significado da adoração silenciosa do Senhor presente sob as espécies eucarísticas (Cf. Catecismo da Igreja Católica [CIgC] 1379). A Adoração Eucarística permite prolongar e dar mais espaço ao encontro pessoal com Jesus verdadeiramente presente nas espécies eucarísticas, fora do tempo da Missa. Se na Eucaristia a Igreja demonstra a sua fidelidade ao mandamento do Senhor “Fazei isto em memória de mim”, adorar o Corpo sacramental do Senhor é continuar a fazer Sua memória. Contemplamos Aquele que recebemos na Comunhão, para permanecermos com Ele, para estarmos na Sua presença, a única capaz de transformar a nossa vida e dar-lhe um sentido. De fato, é o corpo real de Cristo, a Eucaristia, que dá força para o caminho desta peregrinação terrena e santifica o corpo místico, que é a Igreja.

Neste Ano da Oração, todas as comunidades são convidadas a promover momentos de Adoração Eucarística, elemento indispensável para o encontro com o Senhor. Cada comunidade deve encontrar as formas e os tempos mais adequados para desenvolver esta prática que dá tantos frutos de santidade à Igreja. Apresentamos aqui um esquema clássico de Adoração que pode ajudar os fiéis na oração e no reconhecimento da presença do Senhor que espera que nos voltemos para Ele:

• Exposição do Santíssimo Sacramento: enquanto esperamos que o Senhor seja exposto no altar, é bom que nos preparemos em silêncio recolhido, conscientes de que em breve estaremos diante d’Ele, prontos a escutar na oração o que Ele nos quer dizer e prontos a depositar os nossos pedidos aos seus pés. Para favorecer o clima de oração, é desejável que a exposição seja acompanhada de um cântico e do uso de incenso: tudo isto favorece o reconhecimento da excepcionalidade do momento e da divindade do Senhor presente sob as espécies do pão consagrado.

• Pedido de perdão: uma vez terminada a exposição, para melhor dispor o coração, pode dedicar-se um breve momento a um pedido de perdão pelos próprios pecados. O Senhor conhece as nossas feridas, os nossos limites e os nossos pecados: ninguém se pode gabar de nada diante d’Ele, o que nos é pedido é que coloquemos tudo na Sua Presença, certos de que a grandeza da Sua misericórdia pode abraçar todo o nosso ser.

• Invocação do Espírito Santo: seguindo o ensinamento de São Paulo, também para a Adoração Eucarística, façamos nosso o convite a invocar “o Espírito que vem de Deus, para podermos conhecer os dons da graça de Deus” (1Cor 2,12): ninguém, de fato, pode reconhecer a presença real do Senhor na Hóstia consagrada, se não for o Espírito a sugeri-lo em cada um de nós. Por isso, é bom preparar o coração para o encontro com o Senhor através de uma invocação ao Paráclito, eventualmente também sob a forma de um cântico, pedindo-lhe que ilumine a nossa mente com o dom da fé.

• Adoração silenciosa: o momento central da Adoração Eucarística pode ser deixado para um espaço especial dedicado à oração silenciosa, àquele diálogo especial com o Senhor Jesus no qual o coração de Deus fala ao coração do homem, como nos ensinou São John Henry Newman. Neste momento, podemos apresentar ao Senhor intenções particulares de oração às quais dedicar a Adoração Eucarística: por exemplo, pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, pelos doentes, pelas famílias, etc. Este silêncio pode ser intercalado por breves cânticos ̶ ou mesmo ladainhas ̶ ou por algumas leituras breves, tiradas quer da Sagrada Escritura quer do ensinamento dos santos; ao mesmo tempo, pode ser de grande utilidade recitar, diante do Santíssimo Sacramento, o Santo Rosário, sabendo que estamos invocando aquela que, em primeiro lugar, acolheu as palavras do Senhor – permitindo que Deus, encarnando-se, operasse o início da Redenção – e que, conosco, está presente adorando o seu Filho na Hóstia consagrada.

• Bênção Eucarística: a celebração termina com a bênção dos fiéis com o Santíssimo Sacramento. Esta bênção, embora mantenha sempre o caráter de sacramental, possui um caráter único em relação a todos os outros tipos de bênção (com água benta, com as relíquias dos santos, por intercessão da Virgem Maria, etc.), porque nesta bênção o Senhor está presente com o seu Corpo, de forma verdadeira, real e substancial. Com a bênção eucarística, Ele faz-Se próximo de nós de uma forma muito especial, envolvendo todos os presentes e atraindo todos a Si. Este momento pode ser considerado o ponto culminante do rito de adoração, o coroamento desse diálogo que se prolongou em silêncio diante de Jesus e que, agora, como um sol resplandecente, infunde o seu calor nas nossas almas.

Aproveitemos este Ano da Oração e, sobretudo o Ano Santo do Jubileu para crescermos na intimidade como o Senhor, presente na Eucaristia (cf. Ensina-nos a Rezar, p. 28-31)

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Boletim Informativo Igreja-Hoje
Junho/2024

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