A Casa finalizada e acessível ao laicato missionário

A Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, dirigida pelo Côn. Angélico Sândalo Bernardino, divulgava semanalmente cadernos de notícias chamados Nossa Vida sobre os acontecimentos pastorais da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Esse veículo constitui a principal fonte de registro das atividades ocorridas na Casa Dom Luís, que naquele momento – começo de 1971 – era a esperada obra para a formação do laicato católico. “Embora ainda em construção, oferece aos lá buscam recolhimento, ambiente agradável e acolhedor” (Nossa Vida, ano I, nº 08).

Mesmo que não estivesse inteiramente terminada, a Casa se tornou referência na recepção de retiros dos movimentos leigos e, também, local para realização de reuniões e momentos de espiritualidade dos clérigos. Desse modo, um dos primeiros eventos com maior contingente de retirantes foi um retiro conjunto dos cleros de Ribeirão Preto e Franca, com a presença de Dom Bernardo José Bueno Miele e de Dom Diógenes Silva Matthes.

Ao informar sobre o encontro de coordenadores de pastoral e representantes dos conselhos presbiterais das dioceses paulistas, o Nossa Vida informou que “a reunião está marcada para a Casa Dom Luís, por suas excelentes condições” (ano I, nº 26). Em meio às atividades que lá se sucediam, as obras de conclusão prosseguiam, dando forma ao salão do auditório e ao que se tornaria, posteriormente, o símbolo da Casa: a capela em formato de mitra episcopal. As irmãs consagradas do Instituto Servas de Jesus Sacerdote que a administravam informaram ao órgão pastoral mencionado, em janeiro de 1972 que, apesar de ainda estarem no princípio do ano, 30 fins de semana já estavam reservados “para a realização de encontros, cursilhos, retiros” (Nossa Vida, ano I, nº 26). O seminário dos leigos não tinha finalidade lucrativa, apenas estabelecia taxas básicas para manutenção, hospedagem e alimentação.

De fato, o Movimento de Cursilhos de Cristandade assiduamente utilizou a Casa, bem como se empenhou ativamente nos trabalhos para sua conclusão. Era visível que o ideal de Dom Mousinho de formação do laicato se expandira também para a responsabilidade dos leigos pelo seminário que lhes servia e se tornava o centro dos retiros e das reuniões na região nordeste do Estado de São Paulo. Assim, “foram convidados numerosos leigos, com liderança em nosso meio e disponibilidade para o trabalho” (Nossa vida, ano I, nº 35).

Lá se realizavam até mesmo algumas reuniões do cursilho, assim como seus retiros destinados aos segmentos masculino e feminino do movimento. Ocorreu também, promovido pelos bispos da Província Eclesiástica, o chamado “Cursilhão” provincial, que reuniu secretariados e escolas dirigentes das dioceses que compunham a mencionada província. Desse modo, a Casa Dom Luís foi ponto de encontro e lugar de vivência da espiritualidade e de troca de experiências para os leigos, especialmente aos pertencentes às circunscrições eclesiásticas de Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Jaboticabal, Franca, Barretos, São José do Rio Preto e Jales. Os dirigentes do Cursilho afirmavam, então, que “a jornada de espiritualidade será, como sempre, na Casa Dom Luis” (Nossa Vida, ano III, nº 93).

Ademais, a Casa acolheu reuniões episcopais, como a Assembleia dos Bispos, evento que reuniu 75 pessoas no mês de junho de 1972. O Nossa Vida relatou que, ao final, os bispos julgaram positivamente as instalações do local, tal como a dinâmica e a disposição de ambientes. Os retiros do clero da Arquidiocese de Ribeirão Preto continuaram a ser realizados lá, além de algumas reuniões do Conselho Presbiteral – instituído anos antes a partir das diretivas conciliares.

Em 5 de agosto de 1972, Robin Calil, que era presidente das comissões pró-construção havia cinco anos, informou que as obras na Casa Dom Luís já estavam chegando ao fim. Pouco tempo depois, estava completamente terminada a urgente obra arquidiocesana em favor de todos os homens e mulheres que congregavam a fé católica no interior paulista.

Bruno Paiva Meni
Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

7º Artigo – Série Histórica: Especial 50 anos da Casa Dom Luís
(Desde 14 de agosto de 2021, mensalmente no dia 14 de cada mês, publicamos um artigo histórico por ocasião do jubileu de ouro da Casa Dom Luís)

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