A ética a serviço da dignidade humana

Quando falamos de Pessoa Humana, pensamos naquela pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, e não na pessoa que criou Deus à sua imagem e semelhança. Deus é o criador e a pessoa humana a criatura! Para ter-se noção de Deus, basta contemplar, por exemplo, a face de uma criança, o rosto enrugado de um ancião, a carinha sapeca de um adolescente. Buscamos, geralmente, a imagem de Deus em pinturas de artistas famosos ou esculturas que deram nome aos seus escultores. Nem por último, ensinaram-nos de que Deus seria um velhinho de barbas brancas. A Teologia da Criação nos sugere um exercício diferente: buscar a noção de Deus no outro. Aliás, Cristo não cansou de nos ensinar isso: buscou resgatar a figura do Pai no rosto sofrido do pobre, do oprimido, do marginalizado e excluído de sua época histórica. Ele, Jesus Cristo, identificando-se com os pobres, com as crianças, com os enfermos, deu-nos uma antessala da identidade do próprio Deus Criador.

É interessante que este Deus gostou tanto de criar a pessoa humana à sua imagem e semelhança, que resolveu ser gente também. Fez-se pessoa humana igual em tudo a nós, menos no pecado. Uma das principais motivações de Deus querer ser Pessoa, foi para resgatar a dignidade que essa perdera, devido ao pecado da arrogância, da prepotência, da autossuficiência, deixando Deus falando sozinho, virando-lhe as costas. E mais ainda: achou lindo a pessoa humana ter mãe! Deus não tinha mãe e resolveu ter uma também. Parecia bom demais ter mãe! Conservou imaculado o útero de uma jovem e desse fez seu porta-joias, a fim de nascer, também, igualzinho ao nascimento da pessoa humana. Teve sua mãe e nasceu como todos nós nascemos!

Mas Deus driblou a pessoa diversas vezes. Quis mostrar à humanidade de que basta a dignidade humana, para ser semelhante a Ele, nosso Criador. Basta a dignidade humana, para ser realizado e plenamente feliz!

Escolheu nascer numa estrebaria, com cheiro de feno, entre animais, até porque a sociedade nunca poderia imaginar que Deus fosse revestido de tamanho despojamento e humildade. Muitos esperavam que nascesse em algum condomínio fechado, em algum hotel de cinco estrelas ou maternidade famosa. Mas, segundo João diz em seu Prólogo, “Veio para a sua casa, mas os seus não o receberam” (cf. Jo 1,11). Gosto de rezar durante o Ângelus: E a Palavra (Verbo) se fez pessoa (homem) e habitou entre nós! (cf. Jo 1,14). Não possuía casa própria, andava de cidade em cidade e aceitava a hospedagem de quem o recebia. Mesmo sendo proclamado Rei por causa dos sinais que realizou, parou num trono reservado ao pior dos bandidos, a Cruz! Que rei é este, que é condenado à morte mais escandalosa, vergonhosa de sua época para os judeus e louca para os romanos? A grande acusação que o condenou brotou dos corações invejosos dos governantes políticos e religiosos de seu tempo. Já Herodes não aceitou a ideia de que alguém melhor do que ele sobrevivesse, motivo pelo qual mandou matar todas as crianças abaixo de dois anos de idade, nascidas em Belém. Os Sumos Sacerdotes e os Escribas que interpretavam a Lei de Deus decretam Sua própria sentença: a Cruz!

Mas a morte não foi a última palavra. As mulheres encontraram o sepulcro (também emprestado) vazio no terceiro dia após a morte cruel do Filho de Deus, do próprio Deus feito pessoa! Ele ressuscitou e do túmulo vazio exalavam os aromas de sua ressurreição, envolvendo todos aqueles que creram. E quem crê, promove A Ética a serviço da Pessoa Humana!

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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