A missão de Dom Alberto (1909-1945)

D. Alberto, jovem bispo. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Os sinos soaram funebremente naquela tarde de 6 de maio de 1945. No Palácio Episcopal, morria piedosamente Dom Alberto José Gonçalves, primeiro bispo de Ribeirão Preto, e toda a diocese sentia a perda de seu pastor, que a governou desde a sua criação.

Natural do Paraná, ainda como presbítero, atuou na instalação da Diocese de Curitiba em 1894 e, também, foi responsável pela construção da Catedral da recém-criada diocese. Em sua vida política pública, logrou o cargo eletivo de deputado provincial do Paraná por diversas legislaturas e, depois, tornou-se senador.

Pela Bula “Dioecesium Nimiam Amplitudinem” do Papa Pio X, houve a criação da Diocese de Ribeirão Preto em 1908, firmada sob o Patrimônio de São Sebastião e Dom Alberto foi nomeado seu primeiro bispo. Ao tomar posse, ele encontrou uma cidade em processo de expansão: a constante chegada dos imigrantes – principalmente italianos – e a lavoura de café predominando economicamente na região.

Foto oficial de D. Alberto. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski

Com a instalação do bispado, a ele ficou a responsabilidade e os cuidados de 36 paróquias que precisavam se ajustar ao novo governo diocesano. Dom Alberto foi ao encontro das necessidades da nascente diocese, realizando visitas pastorais nas paróquias. Sobre isso, conta Monsenhor João Lauriano em Bispos e Arcebispos de Ribeirão Preto:

“Pastor de grande envergadura, sem dispor dos recursos necessários em tais contingências, fiado na Providência, Dom Alberto pôs ombros à dura tarefa sem mais delongas e lá se foi em visita às suas ovelhas”.

Durante seu governo, além da organização das paróquias já constituídas, criou também cerca de 15 paróquias. Congregando os religiosos e as religiosas na diocese, delegou-lhes os cuidados de hospitais e escolas e de formação dos sacerdotes. Pelo dispêndio de sua própria renda, terminou a construção da Catedral de São Sebastião e edificou o Palácio Episcopal.

Festa Jubilar de sacerdócio e de episcopado de D. Alberto em 1934. Imagem: Arquivo Metropolitano.

Apesar de ter apoio dos diocesanos, Dom Alberto recebeu acusações e passou por desentendimentos com setores da elite ribeirão-pretana que estavam sob a influência de ideários contrários ao catolicismo. Os maçons, assim como os positivistas e os protestantes, exerciam funções públicas e políticas e Dom Alberto se relacionava de forma harmoniosa com membros desses grupos. No entanto, conforme explica a Profª Nainôra Freitas: “o bispo não hesitou em cumprir seu dever de pastor todas as vezes em que foi necessário se indispor contra aqueles que feriam os ensinamentos da Igreja”.

Cortejo fúnebre de D. Alberto. Imagem: Arquivo Metropolitano.

Em 1938, combalido pela idade, escreveu uma carta pastoral em que prestava contas da administração do seu governo e, em tom de despedida, agradecia ao povo pela obediência e pelo afeto filial: “Filhos caríssimos, ficai certos que tereis sempre um lugar privilegiado em meu coração”.

Quando já não dispunha das forças para sozinho governar a Igreja particular de Ribeirão Preto, foi-lhe concedida, então, a ajuda de Dom Manuel da Silveira D’Elboux, em 1940, que integrou o presbitério diocesano como bispo auxiliar.

O Seminário Maria Imaculada, grande obra idealizada por Dom Alberto, foi fundado em 19 de março de 1945. Pouco tempo depois, em maio, ele faleceu, tendo ordenado mais de cem padres e governado a Diocese de Ribeirão Preto por 36 anos.


Bruno Paiva Meni

Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

FONTES:

FREITAS, Nainôra Maria Barbosa de. A criação da Diocese de Ribeirão Preto e o governo do primeiro bispo: D. Alberto José Gonçalves. Franca, 2006.
Disponível em: https://www.franca.unesp.br/Home/Pos-graduacao/nainora.pdf

LAURIANO, Monsenhor Dr. João Lauriano. Bispos e Arcebispos de Ribeirão Preto. Cúria Metropolitana, 1975.

 

Clero da Diocese de Ribeirão Preto em 1940. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

 

D. Alberto, D. Manuel e os seminaristas da Diocese em frente ao Palácio Episcopal. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

 

Inauguração do Seminário Maria Imaculada em 19 de março de 1945. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

 

 

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