A retribuição e o despojamento no serviço missionário no Amazonas

A retribuição e o despojamento no serviço missionário no Amazonas

Não conhecemos os desígnios de Deus, mas quando temos um sonho guardado em nossos corações, devemos estar preparados para que ele se realize.

Em novembro de 2018 fiquei sabendo que o padre Ivonei estava em missão no Amazonas. Sem pensar muito, me comuniquei com ele e perguntei se existia a possibilidade de eu ir e atender, como pediatra. Não sabia onde seria ou como seria. Não pensei nas dificuldades. Confiei.

Atendi em vários lugares, crianças maravilhosas, pais sedentos e adolescentes sofridos. Compartilhei meu dom e meu saber, mas voltei com a sensação de que recebi muito mais do que doei.

Desde então, tenho feito desse sonho a realidade de minha vida. Este ano completei a quinta visita de trabalho voluntário, no Careiro da Várzea e comunidades ribeirinhas e mais duas no Pará, no Barco Hospital Papa Francisco, também com ajuda do padre Ivonei.

Sempre acreditei que tenho que devolver o que recebi, e recebo, em minha vida. Meu dom, o privilégio de ter podido cursar uma universidade, a felicidade de ter nascido em uma família que me amparou e de ter formado uma que me apoia. Não acredito que possa possuir todos esses benefícios e não compartilhar com meus semelhantes.

Tenho tido, a cada vez que vou, a companhia de outras colegas, médicas e voluntárias, que se dispõem a viver comigo essa experiência e cada uma se sente tocada, como eu fui. Através de nossas fotos e filmes, mais e mais pessoas se sentem contagiadas e se dizem dispostas e com vontade de participar. Além da presença, várias fizeram ou fazem doações que são revertidas, com a boa vontade do padre Maciel, em leite, fraldas, cestas e roupas.

A ajuda, o acolhimento e a disponibilidade do padre Maciel tem sido fundamental para que tudo se realize da melhor forma. Toda a estrutura da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com os funcionários e coordenadores das comunidades torna possível com que possamos nos deslocar em segurança, sermos recebidos com carinho nas casas onde almoçamos e descansamos. Essa parte, da comunhão e convivência faz com que a viagem tenha a beleza da simplicidade e do amor partilhado. Mesmo que sejam de diferentes religiões, Deus está sempre presente e se tornaram comuns, nossas conversas sobre Cristo, sobre a igreja, sobre Deus. É impossível não reconhecê-lo nos pequeninos, nos esquecidos, nos sem esperança, nos sorrisos puros, no rio imenso e nas árvores majestosas.

Pela terceira vez, tivemos a ajuda importantíssima da Secretaria de Saúde do município, na pessoa do Secretário Herlon. Todos os dias de atendimentos foram organizados, planejados e executados da melhor forma. Mesmo que algumas coisas fossem improvisadas, o mais importante foi realizado. Na semana, atendemos mais de 300 crianças, muitos adultos e entregamos doações. Antes de cada início de trabalho, um agradecimento, a Deus e à paróquia, era feito, pelo secretário e pelo Padre.

Agradeço à Arquidiocese de Ribeirão Preto e de Manaus, por me receberem, apoiarem e ajudarem. Sozinha, eu nada faria. Sem ajuda, meu sonho continuaria dentro do meu coração e seria, ainda, apenas sonho, pois um sonho que se sonha só, é sonho só.

Fabíola Terra Baccega
Médica Pediatra e Missionária
@fabiolatbaccega

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