Abertura da exposição: Dom Alberto e Dom Manoel: a Diocese de Ribeirão Preto e os desafios de uma Igreja em construção (1908-1952)

DOM ALBERTO E DOM MANUEL: A DIOCESE DE RIBEIRÃO PRETO E OS DESAFIOS DE UMA IGREJA EM CONSTRUÇÃO (1908-1952)

APRESENTAÇÃO

Celebrar a história, a memória e a vida da Igreja são parte constitutiva da fé cristã. Neste ensejo, o Museu Arquidiocesano Dom Arnaldo Ribeiro e o CEARP se alegram em rememorar dois de seus pastores: seu primeiro bispo, Dom Alberto José Gonçalves, nos 165 anos de seu nascimento (1859-2024), e seu segundo bispo, Dom Manuel da Silveira D’Elboux, nos 120 anos de seu nascimento (1904-2024). Sendo assim, apresentamos nossa 3ª exposição: “Dom Alberto e Dom Manuel: a Diocese de Ribeirão Preto e os desafios de uma Igreja em construção (1908-1952)”. Nossa intenção é apresentar a ação pastoral e o legado deixado por eles na história da Diocese de Ribeirão Preto e sua reverberação na sociedade da época.

A trajetória sacerdotal de Dom Alberto, enquanto padre no Paraná, foi marcada por trabalhos importantes e relevantes na vida política e religiosa. Tendo sido eleito deputado, na Assembleia Constituinte, em 1892, ocupou o cargo por mais três legislaturas ordinárias; também foi eleito senador da República, em 15 de outubro de 1895. Trabalhou incansavelmente para a criação e instalação da Diocese de Curitiba, no ano de 1894. Em 23 de agosto de 1897, o Papa Leão XIII o nomeou Protonotário Apostólico, honraria concedida somente ao mais alto colégio não episcopal de prelados, tendo sido, igualmente, agraciado com a Cruz Pro Ecclesia et Pontifice, em 09 de agosto 1901.

Em 02 de fevereiro de 1909, na catedral de Curitiba, foi ordenado bispo para a Diocese de Ribeirão Preto. Seu pastoreio foi permeado por desafios financeiros, pastorais e sociais, pois a nova diocese, criada pelo Papa Pio X, não possuía palácio episcopal, seminário e cúria diocesana. Da mesma forma, a construção da igreja catedral estava em atraso e com pouquíssimos recursos para o andamento das obras. Assomado a isso, nem mesmo a pecúnia necessária para o sustento do bispo existia. Tendo em vista esse cenário, Dom Alberto investiu todo seu patrimônio e recursos financeiros pessoais, para organizar e alavancar o patrimônio da Diocese de Ribeirão Preto. Dos bens imóveis erigidos, destacamos a catedral de São Sebastião, o palácio episcopal, a cúria diocesana, o salão “Dom Alberto” e o Seminário Maria Imaculada, todos esses imóveis situados na cidade de Ribeirão Preto.

No que se refere à vida pastoral, a diocese contava com 36 paróquias e centenas de capelas (urbanas e rurais) espargidas por um vasto território. Essa realidade desafiadora, de forma alguma, intimidou Dom Alberto que, em seus trinta e seis anos como bispo de Ribeirão Preto, visitou toda a diocese sete vezes. Como pastor zeloso, incentivou, estabeleceu e valorizou a piedade e a vida espiritual na diocese, fomentando as Associações, Irmandades e a Ação Católica a viverem a fé em consonância com os ensinamentos da Igreja Católica Apostólica. Também não foi indiferente à necessidade de reformas e construções de matrizes, capelas, hospitais “Santas Casas de Misericórdia”, escolas, creches, asilos. Neste contexto, promoveu e articulou o clero, religiosos e religiosas para que tomassem as devidas providências no cuidado material e espiritual do povo. A preocupação para com os pobres e a vida dos operários também não lhe foi indiferente.

Em janeiro de 1940, o Papa Pio XII nomeia o Pe. Manuel da Silveira D’Elboux, bispo titular de Barca e auxiliar de Dom Alberto José Gonçalves. Durante cinco anos, Dom Manuel, com muita disponibilidade, humildade e dedicação, ajudou Dom Alberto à frente da Diocese de Ribeirão Preto. Com a morte de Dom Alberto, em 06 de maio de 1945, Dom Manuel foi eleito vigário capitular e, em 18 de fevereiro de 1946, foi nomeado bispo diocesano de Ribeirão Preto.

Desde sua chegada a Ribeirão Preto, como bispo auxiliar, Dom Manuel não mediu esforços para promover e incentivar a vida espiritual e a ação pastoral na diocese. Deste período, destacamos: as visitas pastorais, o 1º Congresso Eucarístico Diocesano, realizado em setembro de 1940, reorganização das Obras das Vocações Sacerdotais. Deu notoriedade sobretudo ao Apostolado dos Leigos, por meio da Ação Católica. Diante das necessidades e urgências do operariado fundou o “Círculo Operário Ribeirãopretano”.

Como vigário capitular da diocese, atento aos sinais dos tempos e sabedor da importância e influência da imprensa, comprou, em 1945, o “Jornal Diário de Notícias” e o transformou em instrumento oficial de informação da diocese. Já como bispo diocesano, constituiu o corpo administrativo, disciplinar e docente do Seminário Maria Imaculada, inaugurado em 19 de março de 1945, em Ribeirão Preto. Dom Manuel sempre manifestou grande apreço para com a educação, e em 11 de abril de 1948 instalou o “Centro do Professorado Católico”.

Em 1950, o Papa Pio XII nomeou Dom Manuel como Arcebispo Metropolitano de Curitiba, no Paraná e, ao mesmo tempo, Administrador Apostólico da Diocese de Ribeirão Preto. Encargo este que exerceu de 08 de dezembro de 1950 à 10 de junho de 1952, tendo sido auxiliado pelo Mons. Dr. João Lauriano, que assumiu a função de Vigário Administrativo.
A exposição apresenta um rico acervo de fotos, documentos e enciclopédias raras, periódicos da Diocese de Ribeirão Preto (Boletim do Ribeirão Preto e Jornal Diário de Notícias), objetos pessoais dos bispos, vestes litúrgicas, dentre outros itens.

Pe. Neuber Johnny Teixeira
Curador do Museu Arquidiocesano

 

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