Com o tema: “Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus” (Sl 71,5) e o lema: “Chamados a criar novos sinais de esperança, de 10 a 16 de novembro, ocorreu a nona edição da Jornada Mundial dos Pobres (JMP). A temática nos convidou a seguir o chamado do Papa Leão XIV: “Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas. Congratulo-me com as iniciativas já existentes e com o empenho que é manifestado diariamente a nível internacional por um grande número de homens e mulheres de boa vontade”.
A Comissão Arquidiocesana para o Jubileu 2025, a Cáritas Arquidiocesana de Ribeirão Preto, a Comunidade Missionária Divina Misericórdia, as Pastorais Sociais, e a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, celebraram o Jubileu dos Pobres, na IX Jornada Mundial dos Pobres, em 16 de novembro (33º Domingo do Tempo Comum), às 8h, em celebração eucarística presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva, na Casa de Acolhimento Santa Dulce dos Pobres, na Rua Casa Branca, 1655, Vila Brasil, em Ribeirão Preto, local administrado pela Comunidade Missionária Divina Misericórdia (CMDM). Após a missa houve um café com as pessoas em situação de rua e os participantes.

O texto da Recordação da Vida lembrou do compromisso da Igreja com os pobres. “Irmãos e irmãs, estamos às portas de encerrar o ano litúrgico. A conclusão desse período nos recorda que o tempo e a vida passam veloz. Que esta Eucaristia nos ajude a viver bem nossa vocação cristã. E hoje celebramos o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco, em 2016. O Papa Leão XIV publicou, em 13 de junho, a mensagem para o Nono Dia Mundial dos Pobres de 2025, que tem o tema: ‘Tu és minha esperança’. O Papa, inclusive, enfatizou que os pobres não são um passatempo para a Igreja. Ajudar os pobres é uma questão de justiça, não apenas de caridade. No Brasil, a CNBB adotou a Jornada Mundial dos Pobres, visando como haver não apenas uma celebração pontual, mas, um período de preparação que fomente nas comunidades ações concretas em prol das pessoas em situação de fragilidade, e nos leve a combater qualquer forma de pobreza e ajudar os mais necessitados. O Papa publicou, em 9 de outubro, a primeira Exortação Apostólica de seu papado, iniciada pelo seu antecessor, Papa Francisco, Dilexi te (Eu te amei) – Sobre o amor aos pobres. A publicação denuncia as estruturas econômicas desiguais e convoca a sociedade a se posicionar publicamente diante da persistência da exclusão social. O texto declara que a compaixão divina se manifesta historicamente por meio de ações concretas junto aos pobres. Somos chamados a ser sinais de esperança e capazes de sentir a dor do outro. Que nossos olhos possam ver o sofrimento dos outros. Que tenhamos coragem de sair do nosso comunismo e ir em direção daqueles que precisam, os sofredores que esperam de nós, o amor e o cuidado”.
Na homilia, dom Moacir, inicialmente refletiu alguns trechos da mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial dos Pobres. “Neste Domingo, em comunhão com o Papa Leão XIV e toda Igreja, vivemos o IX Dia Mundial dos Pobres. Para este ano, o Papa escolheu como tema: ‘Tu és a minha esperança’, dentro do Jubileu Peregrinos de Esperança. Afirma o Santo Padre: ‘No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não decepciona (cf. Rm 5, 5) e São Paulo pode escrever a Timóteo: ‘Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo’ (1 Tm 4, 10). O Deus vivo é, verdadeiramente, o ‘Deus da esperança’ (Rm 15, 13), que em Cristo, pela sua morte e ressurreição, se tornou a “nossa esperança” (1 Tm 1, 1). Não podemos esquecer que fomos salvos nesta esperança, na qual precisamos permanecer enraizados’.”

E, o arcebispo continuou a reflexão: “O pobre, diz o Papa, pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização. Ele não conta com as seguranças do poder e do ter; pelo contrário, sofre-as e, muitas vezes, é vítima delas. A sua esperança só pode repousar noutro lugar. Reconhecendo que Deus é a nossa primeira e única esperança, também nós fazemos a passagem entre as esperanças que passam e a esperança que permanece. As riquezas são relativizadas perante o desejo de ter Deus como companheiro de caminho porque se descobre o verdadeiro tesouro de que realmente precisamos. Ressoam claras e fortes as palavras com que o Senhor Jesus exortou os seus discípulos: ‘Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam’ (Mt 6, 19-20)”.
Na proximidade do encerramento do ano litúrgico, dom Moacir convidou a fazer um exame de consciência da caminhada cristã. “A Palavra de Deus nos convida a fazer, mais do que um exame de consciência individual, um exame de consciência coletivo, um balanço da caminhada neste ano litúrgico que está chegando ao fim; e a Palavra de Deus neste tempo é um convite, de fato, para fazer avaliação. Eis algumas perguntas que podem nos ajudar: A nossa comunidade paroquial foi perseverante no seu trabalho cotidiano? Seguiu Jesus todos os dias, constantemente? Ou houve alguma falha que poderíamos corrigir? A nossa comunidade enfrentou algum conflito ou perseguição? Foi atribulada ou posta à prova? E ficou firme, cheia de esperança e de coragem, ‘paciente’ e forte como o Senhor Jesus? A nossa comunidade deu um testemunho, diante de pequenos e grandes, de sua fidelidade ao Evangelho, à vontade de Cristo nosso Senhor? Fez crescer a esperança no ‘sol de justiça’ ou não? Por fim, peçamos ao Senhor a graça de, à luz da sua Palavra, avaliar nossa vida de fé e de esperança, em meio às dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia. Ajuda-nos, Senhor, hoje e sempre. Amém!”.

Antes dos ritos finais, o diácono Francisco Alves Ferreira Neto, Moderador Geral da CMDM, agradeceu a presença dos padres e diáconos, da Comissão Arquidiocesana para o Jubileu 2025, e citou a participação de alguns acolhidos das casas atendidas pela comunidade em Serrana, Batatais e Ribeirão Preto. “E hoje nós estamos aqui reunidos para celebrar justamente este jubileu e com muita alegria ver que o nosso Papa, como foi lembrado no comentário inicial, lançou esta exortação que fala justamente dos pobres e, principalmente, as palavras que constam dela e também na mensagem escrita no dia de Santo Antônio para este Dia Mundial dos Pobres. E é sempre é bom gravar e repetir todos os dias: ‘Para nós, enquanto Igreja, os pobres não são um passatempo. Os pobres são irmãos e irmãs que nós devemos amar’. Vocês são os principais para Jesus Cristo, os privilégios, os preferidos. E queremos, em nome da Cáritas, agradecer, primeiro, em nome da comunidade, que foi muito parceira neste trabalho que nós fizemos para esse momento aqui, com o seu presidente que está aqui, o Diácono Fabrício”.
Jornada Mundial dos Pobres
O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco em 2016, ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A data, celebrada anualmente no 33º Domingo do Tempo Comum, busca conscientizar a comunidade sobre a realidade da pobreza e convidar todos a ações concretas de solidariedade e compaixão com os mais vulneráveis.
A iniciativa surgiu como um chamado à Igreja e à sociedade para reconhecerem a presença de Cristo nos pobres e excluídos, e para responderem a essa realidade com amor e serviço.
No Brasil, a Igreja adotou a Jornada Mundial dos Pobres, e não apenas o Dia Mundial dos Pobres, para ir além de uma celebração pontual e promover um período amplo de reflexão, conscientização e ações concretas em prol das pessoas empobrecidas. A ação, que se estende por uma semana, permite que as comunidades e paróquias se envolvam em diversas atividades com as pessoas em situação de pobreza.




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