Arquidiocese celebra o 29º Grito dos Excluídos/as: “Vida em primeiro lugar”

Com o tema: “Vida em primeiro lugar” e o lema: “Você tem fome e sede de que?”, aconteceu em 7 de setembro, a edição do 29º Grito dos Excluídos/as com a participação do Pilar da Caridade, da Cáritas Arquidiocesana de Ribeirão Preto, das diversas Pastorais Sociais: Pastoral da Sobriedade, Pastoral Carcerária, Associação Franz De Castro Holzwarth, Pastoral Afro-Brasileira, Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança; e Movimentos Sociais: Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), União Nacional por Moradia Popular, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina.

Concentração: Os participantes se concentraram na Comunidade Santa Madalena de Canossa, na Vila Juruá, em Ribeirão Preto, área da paróquia Sagrada Família atendida pelos padres canossianos, para um momento de oração, cânticos, reflexão e partilha dos desafios vividos pelo Brasil à luz da fé, como revela a motivação para o evento: “a celebração hoje é a escuta do grito da fome e da sede. Nosso povo passa fome e tem sede. A fome e sede têm rostos, pessoas que estão nas ruas, pessoas que trabalham, mas que não conseguem alimentação sufi ciente para si e os filhos. O Papa Francisco fala que, para a humanidade, a fome (e nós acrescentamos a sede) não é só uma tragédia, mas também uma vergonha. Por isso hoje celebramos a partilha, para que ela nos comprometa, diante de Deus, na transformação das estruturas que geram morte!”
Em caminhada os participantes seguiram em peregrinação pelas ruas do bairro levando faixas, banners, e muita animação para rezar, cantar e refletir nas diversas paradas até a chegada na Comunidade Santa Josefina Bakhita, na Vila Guiomar, na periferia de Ribeirão Preto. Na comunidade, o padre Giorgio Valente, FDCC, presidiu a Eucaristia, concelebrada por padres e a presença de diáconos, de membros da comunidade e participantes do grito.

Mudança: só com participação popular

Na homilia, padre Giorgio Valente refletiu o sentido de celebrarmos o Grito dos Excluídos no dia da pátria. “Em setembro, o Dia da Pátria se festeja, como é que se comemora o Dia da Pátria? A história tem a sua lógica, depois a prática tem outras lógicas que nós procuramos ver. Normalmente, no mundo inteiro, o Dia da Pátria é um desfile de tanques, de armamentos militares, ou por exemplo como se dá, na Rússia, na Coréia, que mostraram as últimas dimensões para destruir a Terra. E se olharmos a história, vai ser assim mesmo. Isto é pátria? Isto depende da pátria? Nunca, porque a pátria é o mundo inteiro. Estamos subdivididos em nações, em cidades, mas a pátria é o mundo inteiro. Nunca posso considerar que a pátria é matar uma outra nação”, explicou padre Valente.

Ao falar do Evangelho padre Giorgio comentou o significado de sermos testemunhas de Cristo. “O que nos explica o evangelho de hoje? Jesus disse que o Filho do Homem vai ser perseguido, vai ser morto, vai ser ressuscitado. Pedro disse a verdade da história. O que ele falou? Jesus disse a verdade. Longe de mim, Satanás. Chamou Pedro de Satanás. Ninguém ganhou este título, mas somente Pedro. Ele era o Papa. Certo? Portanto, estamos percebendo que quando queremos tirar a cruz de Cristo, que é a cruz da nossa vida, nós somos, São Paulo dizia, nos tornamos inimigos da cruz de Cristo. O inimigo da cruz de Cristo é aquele que quer evitar o sofrimento, evitar o escuro da vida, evitar fazer o bem aos outros”.

Ainda na homilia, padre Giorgio, falou das diversas necessidades da existência humana e da esperança de uma sociedade pautada pela partilha e a vivência dos direitos sociais. “Fome. Por quê? Fome seria de território, saúde, justiça, moradia, terra, educação, trabalho. Certo? Essas são as existências mínimas. O mínimo que se pede a uma pessoa que possa ter acesso a esses direitos para ter uma vida digna. União Nacional por Moradia Popular. É possível? Sim. Eu sou testemunha que isso é possível. Porque há anos atrás, no período de Dom Arnaldo, ele me pediu para ir ao Conselho de Moradia Popular, pois em Ribeirão Preto haviam sido feitos vários bairros de moradia popular. Então temos vários bairros como o Heitor Rigon, o Branca Salles, outro bairro, 900 lotes urbanizados, 400 casas populares, com o dinheiro (recursos) da prefeitura, e abrangeu uma população que não tinha dois salários mínimos para baixo. Significa que é possível fazer. Não é impossível. É possível e todo mundo tem direito a uma casa, uma moradia. E se não tem, nós temos que lutar para isso”, exemplificou padre Valente.

E, ao finalizar a homilia, padre Giorgio motivou os presentes a caminhar na esperança e perseverança. “Olhemos o legado do dia de hoje. Conservemos o Dia da Pátria, não com os canhões, nem com os tanques, nem com os militares. Porque se não tem dinheiro para a vida social, tem fábrica de dinheiro para os tanques, e isto provoca morte nas sociedades. Vamos celebrar o dia da pátria, sobretudo pensando neste episódio aqui, mudança só com participação popular. Quem vai nos ajudar será o Sínodo, e vivendo a sinodalidade todo mundo participe de qualquer decisão que a Igreja toma. A mesma coisa vamos precisar de uma sinodalidade social para que todas as vozes, todas as residências sejam sempre contempladas”.

Alimentos: Após os ritos finais, mais um momento de partilha e testemunhos, a confraternização, e o exemplo da doação e partilha de ao menos 1 mil quilos de alimentos produzidos no assentamento Mário Lago (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST), sem uso de agrotóxicos, na antiga Fazenda da Barra, em Ribeirão Preto.

Grito: O Grito dos Excluídos tem como objetivo anunciar a esperança de um mundo melhor. Incentivar ações que fortaleçam e mobilizem as pessoas para atuarem nas lutas locais, denunciar as injustiças e os males causados por este sistema neoliberal, que exclui degrada e mata, concentra a riqueza e renda nas mãos de alguns e impõe a miséria para milhões.

Saiba mais:
https://www.gritodosexcluidos.com

@grito.dos.excluidos

 

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