Arquidiocese de Ribeirão Preto presente na 44ª edição da Assembleia das Igrejas Particulares (AIP)

Entre os dias 20 e 22 de outubro, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), o episcopado paulista, as lideranças pastorais e os padres que coordenam o trabalho pastoral nas seis arquidioceses e 36 dioceses do Estado participaram da Assembleia das Igrejas Particulares (AIP). A Arquidiocese de Ribeirão Preto esteve representada pelos seguintes participantes: Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano e Vice-Presidente do Regional Sul 1 da CNBB; Padre Luís Gustavo Tenan Benzi, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral; Telma Cristina Luis Gomes, Agueda Filipin e Leonardo Jurca, e também o Padre Marcelo Luiz Machado, como Assessor da Comissão Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul 1 da CNBB.

“Quais periferias reclamam nossas respostas e quais respostas daremos às periferias?” foi o tema central do encontro que, anualmente, é organizado pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e, em 2023, chegou em sua 44ª edição.

Com caráter sinodal, também estiveram em Itaici três representantes das dioceses paulistas, bem como os padres e religiosos assessores das pastorais, movimentos, serviços eclesiais e organismos vinculados à entidade.

Em comunhão com as orientações da CNBB e com o Magistério do Papa Francisco, a AIP, expressão da comunhão eclesial em todo o Estado de São Paulo, contou com a assessoria do jesuíta Padre Carlos Alberto Contieri, reitor do Pátio do Colégio, em São Paulo (SP).

Abertura

A 44ª AIP começou na tarde da sexta-feira (20) com a celebração que reuniu os participantes na capela central do Mosteiro e, após, em procissão, seguiram até o auditório para as sessões do tema central. “Momento rico em nossa caminhada eclesial: que possamos aproveitar bem a nossa Assembleia que nos ajudará a cumprir a ação evangelizadora em nossas arquidioceses e dioceses”, comentou o arcebispo de Ribeirão Preto e vice-presidente do Regional Sul 1, Dom Moacir Silva.

Durante a sessão de abertura, conduzida pelo arcebispo de Sorocaba e presidente do Regional, Dom Júlio Endi Akamine, um vídeo institucional mostrou a realidade eclesial, social e econômica do Estado de São Paulo para favorecer o movimento de saída da Igreja, proposta central da AIP.

Em seguida, o bispo auxiliar de São Paulo e secretário da entidade, Dom Carlos Silva, ressaltou que o método sinodal, aplicado na dinâmica da AIP, além de caminhar juntos, enquanto Igreja, quer ajudar os inscritos a “estarem juntos e construir processos”.

No final da tarde do primeiro dia, após duas sessões do tema principal abordadas pelo assessor Padre Carlos Alberto, e interação com as lideranças, a AIP contou com a celebração da Missa, presidida pelo cardeal Scherer, Dom Odilo Pedro, arcebispo de São Paulo, e com encontros específicos entre os participantes.

À noite, os bispos, os padres coordenadores diocesanos de pastoral, e as coordenações e assessorias das comissões, organismos, pastorais, movimentos e os representantes das dioceses, tiveram, respectivamente, encontros que trataram o tema da AIP a partir do campo de atuação em cada diocese do Estado.

Participantes das dioceses da Sub-Região RP-1

SEGUNDO DIA

Uma missa, que rendeu graças aos bispos jubilares, deu início às atividades da AIP na manhã do segundo dia de atividades (21). A celebração foi presidida pelo bispo emérito de Jundiaí, Dom Vicente Costa que, no mês passado, comemorou 25 anos de ordenação episcopal. Durante a manhã, os participantes da AIP seguiram com a assessoria do tema central e, em seguida, foram divididos pelas sub-regiões pastorais do Regional Sul 1, a saber, Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto I e II, São Paulo e Sorocaba, para uma dinâmica de “Escutar o Senhor” por meio da leitura orante da Palavra de Deus.

Tema Central

O assessor Padre Carlos Alberto Contieri, SJ, apresentou pistas à luz do tema central que lança um olhar para as regiões periféricas. Em suas considerações iniciais, o presbítero, facilitador da Assembleia, resgatou catequeses do Papa Francisco para sublinhar a vocação missionária da Igreja “que não se deixa seduzir pelo sucesso e nem é prisioneira da aprovação dos outros”, disse. “A fé é êxodo. A fé é saída. É movimento de desinstalação. Ela é testemunho”, completou o padre.

No trânsito da exposição inicial, que contou com citação de Dom Hélder Câmara, três questões foram apresentadas: “qual o tamanho do meu mundo? O que contém o meu mundo? Qual a minha visão de mundo?” Em busca de respostas, na segunda sessão do encontro, os participantes foram conduzidos ao entendimento de que a Igreja existe para servir. “O que a gente faz em um lugar, porém, não dá, simplesmente, para fazer em outro”, alertou o Jesuíta ao chamar a atenção para a necessária adaptação da mensagem. “Nós precisamos do Espírito Santo para ter criatividade para fazer a Palavra ser compreendida pelo outro”, completou.

Sinodalidade

Ainda refletindo o tema central, o Padre Carlos Alberto desejou saber se os presentes seriam capazes de encorajar outras pessoas a partir da própria vivência da fé. “O Espírito é a força que impulsiona a missão”, voltou a sublinhar o facilitador antes de questionar se “nossas palavras e os nossos gestos tem força de atração?”

Consideradas as intervenções, o assessor da Assembleia afirmou que não existe uma periferia, mas muitas (e são elas as realidades para onde o Senhor envia). “O que falta em todos nós, é o ânimo para estar em lugares onde a Igreja já esteve. A Igreja é universal: não há lugar onde ela não deva estar. Não há situação que ela não deva contemplar em sua ação missionária. É preciso uma Igreja em saída e em conversão. Não é uma questão de hierarquia, mas de todos nós”, disse o presbítero.

Recuperar a centralidade da Palavra de Deus para que a profecia não seja simplesmente uma bandeira foi apontada como questão fundamental. “Sem a dimensão do serviço também não há profecia”, seguiu o padre Contieri. “É preciso, ao meu ver, dar lugar ao serviço e ao testemunho”, completou. Concluindo, o Padre Contieri garantiu retomar o tema nas demais sessões à luz do tema central.

Na ordem: Dom Carlos, Dom Júlio, Dom Moacir e o assessor Padre Carlos Alberto

A partilha teve como ponto de partida as “três saídas” de Jesus: de Deus para o mundo, de Si para os outros (amando a humanidade até o fim) e o êxodo desse mundo para o Pai. Segundo o padre Contieri, a vontade divina se “inclina” à liberdade humana. “A missão da Igreja é preparar, renunciando o protagonismo”. Considerando a fraqueza dos outros (igualmente reconhecendo suas próprias fragilidades), a Igreja é convocada a manter-se de portas abertas (sinal de sua disposição à saída).

“Onde a Igreja deve concentrar o melhor de sua energia, inspiração e criatividade apostólica para realizar a sua missão?” A pergunta, segundo o presbítero, questiona a adesão do povo à missão de Jesus. “Nós nunca estamos por inteiro onde a gente está. A gente perde a capacidade de atenção das pessoas”, completou Contieri.

Pessoas que têm paixão por sua fé devem ser valorizadas em um “mundo da dispersão”. A “Geração Z”, por exemplo, se mostra disponível aos debates em diversas esferas, mas, vez ou outra sem espaços de expressão, fazem das Redes Sociais o local para a partilha de seus entendimentos.

Em momento de “Escutar o Senhor”, o padre Contieri propôs a Leitura Orante da Palavra de Deus celebrada, nas diversas Capelas do Mosteiro, em grupos formados pelas sub-regiões. O momento oracional foi uma das dinâmicas sugeridas para fazer ressoar a partilha da quinta sessão; a primeira de sábado dedicada ao tema central.

Sub-Região

O coordenador de pastoral Padre Luís Gustavo

Durante o período da tarde, os mais de 250 participantes da 44ª AIP se reuniram por sub-regiões pastorais. A metodologia de divisão foi realizada com o objetivo de proporcionar um momento de escuta atenta das diversas realidades pastorais paulistas em torno do tema central do evento.

O objetivo foi proporcionar um espaço de reflexão e diálogo, buscando respostas e aprofundamentos que serão implementados em suas respectivas sub-regiões pastorais até a próxima AIP, no segundo semestre de 2024.

No plenário, a Sub-região RP I (constituídas pelas dioceses de Franca, Jaboticabal, São João da Boa Vista e Ribeirão Preto), acordou em promover a cultura do encontro iluminados pela Palavra de Deus, ir em direção ao outro.

O momento demonstrou um compromisso sério e dedicado por parte dos participantes em abordar questões cruciais da Igreja e servir melhor às diversas realidades. As discussões e os planos de ação resultantes prometem trazer avanços significativos nas próximas etapas, fortalecendo o papel da Igreja na sociedade e seu compromisso com a justiça social e o serviço às comunidades mais vulneráveis.

Depois de apresentados todos os pontos de partida escolhido por cada sub-região, o Padre Contieri enfatizou sobre a convergência do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no que tange a juventude e a recuperação da Palavra de Deus em várias frentes, e enfatizou: “A vida da Igreja e convicção da fé depende da centralidade da Palavra de Deus na nossa vida eclesial”.

E deixou ainda uma provocação, que não foi dita necessariamente por nenhum dos grupos, mas que ele julga de extrema importância: a sinergia. “A igreja não mostra todo o seu vigor porque falta esse trabalho de sinergia. Existem boas iniciativas e excelentes trabalhos, mas cada um fazendo a ‘sua parte’, é preciso saber vender o peixe”, finalizou.

Um ato solene à noite, finalizou as atividades do segundo dia, e marcou o início das atividades dos presidentes das nove Comissões Episcopais, e também dos bispos referenciais, padres assessores e lideranças leigas que coordenam as diversas pastorais, movimentos, organismos e serviços eclesiais no Estado de São Paulo. A presidência do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teve como intenção dar a conhecer, por meio deste ato, os bispos que foram eleitos para a função durante a 85ª Assembleia do episcopado paulista, realizada entre 30 de maio e 1º de junho.

TERCEIRO DIA

A 44ª Assembleia das Igrejas Particulares do Regional (AIP) consagrou o domingo, dia 22, à missionariedade; acompanhando a celebração do Dia Mundial das Missões. A primeira sessão da última etapa do encontro foi especialmente consagrado à intercessão de São João Paulo II. “Um grande missionário que teve os jovens como seu grande amor”, sublinhou o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e secretário da entidade junto ao episcopado paulista, Dom Carlos Silva. Em um dos últimos momentos da AIP, houve a apresentação das campanhas promovidas em âmbito nacional pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): a Campanha da Evangelização 2023 e a Campanha da Fraternidade 2024. Uma comissão estadual foi criada para motivar a Campanha da Fraternidade (CF) e analisar os projetos sociais que, anualmente, são contemplados pelo Fundo de Solidariedade. Após os comunicados pastorais e encaminhamentos finais ocorreu a celebração de encerramento da 44ª Assembleia das Igrejas Particulares (AIP) do Regional Sul 1.

Fonte: Texto e Fotos
https://cnbbsul1.org.br

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