As portas abertas ao povo

Pouco faltava para a conclusão do primeiro pavilhão da Casa Dom Luís. A fim de direcionar o término da obra, Dom Bernardo José Bueno Miele passou a presidir, em 1969, um grupo de trabalho composto por ele, Robin Calil e Antônio Del Lama. A responsabilidade que lhes foi atribuída por Dom Frei Felício, combalido por um câncer, era para adiantar a construção para que a Casa pudesse passar a receber o quanto antes retiros e momentos formativos e de espiritualidade.

É por esse motivo que o Côn. Francisco de Assis Correia escreve em O Seminário dos Leigos ou História da Casa Dom Luís (1962-1997) que “com Dom Miele, a Casa Dom Luís, ainda em construção, recebeu novo impulso, tendo dedicado a melhor de sua inteligência para sua rápida conclusão, visando a melhor formação dos leigos e agentes de Pastoral” (p. 60). Nesse mesmo ano, acordou-se entre a Arquidiocese de Ribeirão Preto e o Instituto Secular Servas de Jesus Sacerdote que as irmãs consagradas seriam as responsáveis administrativas pela Casa, assim como zelariam pelo prédio e organizariam os eventos que lá ocorressem.

Desse modo, em 19 de fevereiro de 1970 Ir. Maria Luíza Zanelato assumiu tal responsabilidade, sendo auxiliada por Ir. Maria Áurea Ventura e Ir. Quitéria Martins de Oliveira. Foi, então, que elas iniciaram os trabalhos em Brodowski – SP. Embora a obra ainda não estivesse concluída, alguns retiros e encontros começaram a ser marcados de forma experimental para testar sua capacidade de acomodação e viabilidade. Tornava-se evidente a necessidade de um lugar apropriado à recepção dos movimentos leigos que se espraiavam pelas paróquias da Igreja particular pois a inconclusa Casa Dom Luís passou a ser continuamente procurada para receber os eventos eclesiais.

A agência alemã Adveniat – cujo objetivo principal é ajudar a Igreja da América Latina e do Caribe – enviou à Arquidiocese de Ribeirão Preto a quantia de Cr$40.307,15, ainda em 1970, a fim de que os dois pavilhões da Casa Dom Luís fossem concluídos.

À época, o Núncio Apostólico no Brasil era Dom Umberto Mozzoni, que esteve em Ribeirão Preto por ocasião da ordenação episcopal de Dom Diógenes Silva Matthes, eleito bispo diocesano de Franca. No mesmo dia, 11 de junho de 1971, o prelado pontifício visitou as instalações da Casa Dom Luís e a abençoou, bem como conheceu e conversou com as irmãs que se dedicavam laboralmente ao seminário dos leigos que começava a funcionar.

Com a passagem e a bênção do Núncio, considerou-se que o primeiro pavilhão da Casa, destinado ao alojamento de aproximadamente 80 retirantes, estava inaugurado. A inauguração do segundo pavilhão, onde havia a residência das irmãs, além da cozinha e refeitório, ocorreu em uma tarde de sábado, no dia 14 de agosto de 1971, com uma exposição da Casa realizada por Dom Miele e por Robin Calil. Em seu discurso, o arcebispo coadjutor ressaltou que o ideal do seminário para formação do laicato só se tornara realidade por causa da assídua benfeitoria dos movimentos, das paróquias e dos leigos. Reafirmou, então, que os colaboradores da obra eram os “amigos de Dom Luís”.

Desse modo, a Casa Dom Luís do Amaral Mousinho estava oficialmente em funcionamento e à disposição para a realização de retiros, momentos de formação e reuniões dos leigos e do clero. De fato, foi inaugurada sem estar concluída, visto que, do projeto original, ainda faltava a edificação da capela e do auditório. Por isso, os trabalhos em prol da arrecadação de fundos continuaram, sob o nome de “Campanha da Simpatia”, na qual seus membros buscavam doações e contributos pessoalmente na casa dos benfeitores.

No entanto, a obra já começava a ser reconhecida por representar uma urgente necessidade da Igreja pós-conciliar. Buscada por movimentos leigos de dentro e de fora da Arquidiocese de Ribeirão Preto, a Casa Dom Luís se tornava, retiro após retiro, o centro da espiritualidade e da formação da região.

Bruno Paiva Meni
Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

6º Artigo – Série Histórica: Especial 50 anos da Casa Dom Luís
(Desde 14 de agosto de 2021, mensalmente no dia 14 de cada mês, publicamos um artigo histórico por ocasião do jubileu de ouro da Casa Dom Luís)

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