Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária do Regional Sul I em Santos

A Casa de Retiros Dom David Picão, na Diocese de Santos, em Santos, nos dias 15 a 17 de maio, acolheu a Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária do Regional Sul I da CNBB. O encontro reuniu assessores, coordenações diocesanas e representantes da pastoral com o objetivo de refletir, avaliar e projetar os caminhos da missão evangelizadora junto às pessoas privadas de liberdade. O encontro reuniu 115 participantes (bispo, padres, diáconos, seminaristas e agentes da Pastoral Carcerária), entre eles, os representantes da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Ribeirão Preto: Carlos César Domingos (egresso), Adriana Franco Picão de Melo, Samuel Barbosa de Melo, padre Rafael Carlos dos Santos Ribeiro, diácono Antônio Carlos dos Santos e Patrick Araújo da Silva.

A assembleia começou na sexta-feira (15) com a recepção dos agentes da Pastoral Carcerária, sobreviventes (egressos) e demais membros. Após a acolhida, a Missa presidida por Dom Luiz Antônio Cipolini, bispo referencial da Pastoral Carcerária no Regional Sul 1. Após a missa houve a apresentação da programação oficial, a palavra do bispo referencial; e do coordenador da Pastoral Carcerária, padre Marcos Alves da Silva, que ofereceram orientações pastorais e motivacionais para os trabalhos.

No sábado (16), iniciamos com a celebração da Missa, e na sequência foram apresentadas as dioceses presentes, divididas em sub-regiões, sendo elas: Aparecida, Botucatu, São José do Rio Preto, toda a Sub-região de São Paulo, Campinas, Sorocaba, e Ribeirão Preto. Após a apresentação das dioceses, aprofundamos reflexões sobre os caminhos e as percepções da Pastoral Carcerária à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), que de acordo com o bispo referencial, Dom Cipolini, no número 25, fala sobre “os encarcerados que devem entrar na tenda”.

O coordenador padre Marcos apresentou o tema “O processo da fé na pós-cristandade”, destacando temas como: pós-cristandade, pós-verdade, pluralidade de religiões, fé personificada, as crises e suas consequências. Além disso, padre Marcos destacou a importância dos direitos da pessoa humana, dando ênfase à pessoa encarcerada, buscando assistência e mecanismos para ajudar os presos quando existem denúncias, como: falta de saúde, violência, fome e ausência de assistência religiosa. Nesse sentido, o padre ressaltou a importância dos sacramentos dentro dos cárceres, em meio aos desafios presentes no sistema prisional.

A Irmã Petra Silvia Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária (Pcr), partilhou e refletiu que não podemos julgar a pessoa privada de liberdade apenas pelo seu passado ou pela possibilidade de reincidência. A experiência no cárcere revela realidades muito difíceis, marcadas por sofrimento, violações e situações em que, muitas vezes, os direitos humanos são deixados de lado. Além disso, as condições precárias das unidades prisionais mostram a necessidade de uma presença pastoral capaz de acolher, ouvir, caminhar junto e promover transformação. Ao mesmo tempo, percebe-se como ainda existem grandes desafios para que a assistência e a visita religiosa aconteçam com a dignidade que toda pessoa humana merece.

No período da tarde do sábado, ocorreram as partilhas em grupos entre coordenadores, agentes de pastoral e padres, sobre assuntos pertinentes ao sistema prisional. Depois das partilhas, houve um momento formativo com o representante da Defensoria Pública, Dr. Bruno Shimizu, que trouxe importantes contribuições sobre os desafios do sistema prisional, como: superlotação, tortura, falta de água, a situação das penitenciárias femininas e suas condições precárias, a falta de saúde e o papel da Igreja na promoção da dignidade humana. Outro momento importante foi a partilha e os testemunhos de familiares de pessoas presas e a experiência de ver familiares no sistema prisional, enriquecendo profundamente nossa compreensão da realidade enquanto Pastoral Carcerária.

O bispo da diocese de Santos, Dom Joaquim Giovanni Mol Guimarães, dirigiu palavra aos participantes agradecendo o trabalho da Pastoral Carcerária, e reconheceu os desafios enfrentados pela pastoral. Além disso, destacou o preconceito da sociedade em relação à pastoral e concluiu sua fala refletindo sobre o uso das drogas no meio dos jovens, realidade que tem crescido e aumentado a população penitenciária. Com isso encorajou a Pastoral Carcerária a ser esperançosa. No final do dia, houve o momento de escuta e de testemunhos de egressos do sistema prisional, enriquecendo profundamente nossa compreensão da realidade acompanhada pela pastoral.

No domingo (17), iniciamos o encontro com um momento de partilha em grupos, no qual cada participante expressou suas experiências, percepções e inquietações sobre a realidade do cárcere. A partir das reflexões apresentadas, meditamos sobre as condições precárias presentes no sistema carcerário e sobre a importância de reconhecer, em cada pessoa privada de liberdade, o valor sagrado da vida humana. Também foi destacado que, muitas vezes, dentro do sistema penitenciário, ainda existem desigualdades marcadas por questões sociais e ideológicas, revelando que a pobreza frequentemente está ligada a situações de injustiça. Diante dessas realidades, refletimos que um dos grandes chamados da Pastoral Carcerária é a coragem: coragem de enxergar além das aparências, de defender a dignidade humana e de nos deixar impulsionar pela missão de visitar, acolher e levar esperança aos cárceres.

Outro ponto de destaque consiste no grande desafio relacionado à saúde mental dos presos e à falta de assistência psicológica. O abraço fraterno é um remédio para cada um deles, curando as feridas causadas pelo sistema. Enfim, encerramos o encontro, e foram definidas orientações para os próximos encontros. A próxima Assembleia será eletiva e está agendada para os dias 21, 22 e 23 de maio, em Bauru.

Padre Rafael Ribeiro
Coordenador e Capelão da Pastoral Carcerária

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