Celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo e Procissão do Senhor Morto
A Sexta-feira da Paixão do Senhor celebra a Morte salvadora do Senhor: sua entrega de amor ao Pai e ao mundo, na plena solidariedade com o ser humano. O ato litúrgico da Celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, 03 de abril, às 15 horas, foi presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva. Em comunidade celebramos o mistério não pela Eucaristia, mas pela Celebração da Palavra que é completada pelas preces universais, a Adoração da Cruz, a Santa Comunhão eucarística, e a Coleta para os Lugares Santos.
O arcebispo dom Moacir em sua reflexão abordou o sentido do sofrimento de Jesus na dimensão da salvação da humanidade. “Queridos irmãos e queridas irmãs, estamos reunidos, celebrando a Paixão e Morte de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual a nossa morte foi destruída. Diz Santo Efrém que ‘Nosso Senhor foi calcado pela morte, mas Ele, por sua vez, esmagou a morte como quem pisa aos pés o pó do caminho. Sujeitou-se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer’. A Sexta-feira Santa é um dia polarizado liturgicamente em torno da Paixão do Senhor e da sua morte na Cruz. Hoje se cumpriu o repetido anúncio de Jesus nos Evangelhos sobre a sua morte violenta em Jerusalém. A Paixão de Jesus não é apenas um sofrimento físico como nunca visto, mas é, sobretudo, um sofrimento total que O envolve integralmente: espírito, alma e corpo. O sofrimento de sua alma ultrapassa todas as medidas, mergulhando em profundezas inimagináveis. O valor da dor, da paixão e da morte de Cristo tem sua raiz no significado que recebem de uma finalidade superior: a salvação do homem, a quem Deus ama”.

Ao meditar o Evangelho, dom Moacir destaca a atitude de Jesus, em fazer prevalecer a vontade do Pai. “Meditando o Evangelho, especialmente os relatos da Paixão e os outros textos relacionados a ela, percebemos os sentimentos de Jesus diante do desafio do sofrimento da sua Paixão. (Pai se for possível, afasta de mim este cálice, contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua); aqui pensamos tanto nos sofrimentos físicos: tortura, flagelação, coroação de espinhos, crucifixão, como também os sofrimentos psíquicos: traição de Judas, negação de Pedro, deserção geral dos discípulos, ingratidão do povo judeu, ódio dos seus chefes religiosos. E Jesus aceita o plano do Pai, abraça o plano do Pai: ‘não se faça a minha vontade, mas a tua vontade’. ‘Nesta transformação do ‘não’ em ‘sim’, nesta inserção da vontade da criatura na vontade do Pai, Ele transforma a humanidade e nos redime. E nos convida a entrar nesse seu movimento: sair do nosso ‘não’ e entrar no ‘sim’ do Filho. Minha vontade existe, mas a decisiva é a vontade do Pai, porque esta é a verdade e o amor’” (Bento XVI, Quarta-feira Santa 2011). O motivo e a razão da obediência de Cristo é a vontade do Pai, que é a salvação do homem”.

Um dos pontos altos da Sexta-feira Santa é a paixão seguida da morte na cruz. Dom Moacir fala do sentido da cruz nas nossas vidas. “O mistério da cruz na vida de Jesus – e, portanto, também na nossa – é revelação máxima de amor, pois não há modo mais verdadeiro de expressar amor do que dar a vida por aquele a quem se ama. A história de amor que é a vida, paixão e morte de Cristo pede a todos e a cada um de nós uma resposta também de amor. Qual será a minha resposta? Em que ponto da minha vida, a vivência do amor está mais fragilizada? Acreditamos e dizemos que a cruz é o sinal do cristão não por masoquismo espiritual, mas porque a cruz é fonte de vida e de libertação total, como sinal que é do amor de Deus pelo homem por meio de Jesus Cristo. O amor que testemunha a sua cruz é a única força capaz de mudar o mundo, se nós que somos seus discípulos seguirmos o seu exemplo. Jesus podia ter salvado a humanidade com triunfo, poder e glória; isto é, a partir de fora, como um super-homem. Mas ele preferiu salvar a humanidade a partir de dentro de nossa condição humana; ele preferiu ser um de nós, testemunhando humildade, serviço, obediência e renúncia”.

Ao terminar a meditação dom Moacir deixou a seguinte mensagem: “O segredo da cruz de Jesus é o amor, e a única maneira de entendê-la e convertê-la em fonte de vida é amar generosamente a Deus e aos irmãos. Meus irmãos e minhas irmãs, abramos nosso coração e nosso espírito diante do mistério da Paixão e Morte de Jesus. Deixemos que o Espírito Santo nos relembre tudo o que aconteceu com Jesus neste momento supremo de sua vida terrena. Por fim, peçamos a graça de vivermos de modo digno de remidos pela Paixão do Senhor, hoje e sempre. Amém”.
Procissão do Senhor Morto no centro de Ribeirão Preto: O arcebispo Dom Moacir Silva participou na noite da Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor, da procissão do Senhor Morto, na Catedral Metropolitana de São Sebastião. Os andores com as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores percorreram algumas ruas do centro de Ribeirão Preto acompanhadas pelos fiéis em clima de oração, cânticos e reflexão.





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