Dízimo: ato de amor e gratidão

Falar em dízimo, significa falar em dinheiro, e isso é um tanto complicado entre cristãos católicos, já que a nossa religião parece ser a mais liberal da face do mundo. Situados numa determinada “cultura de sobrevivência”, tornamo-nos mais “pedintes” do que “agradecidos”. Na medida em que entendemos nossa Igreja, como um “supermercado de sacramentos” nos comportamos demasiado “interesseiros”. Esquecemos que o dízimo é um verdadeiro e profundo ato de amor e gratidão!

“Pagai integralmente os dízimos devido ao Templo para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência, diz o Senhor, e vereis se eu não abrirei os reservatórios do céu e se não derramo minha bênção sobre vós muito além do necessário” (Ml 3,8-10).

Tudo é de Deus. Nada nos pertence. O que temos, se nos é simplesmente emprestado. Poderíamos dizer que com o dízimo consciente e comprometido, Deus testa nosso amor e nossa gratidão pelo dom da vida e tudo que Ele nos concede para sermos felizes e realizados.

A palavra dízimo significa a décima parte. No Antigo Testamento os Hebreus deviam contribuir para os serviços do templo, com o dízimo, isto é, a décima parte do que colhiam ou lucravam.

Para o católico a palavra dízimo quer indicar uma contribuição para a Igreja, contribuição que deve ser sistemática (de preferência, mensal), de compromisso moral – por amor, não por obrigação – e fixado de acordo com a consciência moral de cada um. É uma forma de retribuição do homem a Deus!

O homem de fé reconhece que Deus é bondade. Criou o Universo e as coisas materiais. O Universo é um dom do Pai, para que o homem o possua e o transforme. O homem de fé oferece uma parte do que possui em sinal de reconhecimento ao Pai, doador de todo o bem. Não damos diretamente a Deus, pois Ele não precisa de nossos bens (do nosso dinheiro), mas colocamos a serviço desse corpo, a Igreja, pois, a Comunidade é fruto da colaboração de todos.

O dízimo não é só arrecadação financeira, mas é um sistema e método de formação comunitária com informações claras, contatos, reuniões e prestação de contas.

As finalidades do dízimo, seu destino ou aplicação são: para a conservação, manutenção e ampliação da vida e das atividades da Comunidade, de que fazemos parte e servimos. Para pagamentos de luz, água, telefone, impostos, consertos, e bens da Igreja. Para compra de velas, hóstias, vinho de missa, paramentos e objetos litúrgicos necessários para as celebrações. Para pagamento de folhetos e compra de flores. Para limpeza da Igreja e seu jardim. Para a manutenção do padre e dos funcionários. Para as despesas com serviços paroquiais, como: catequese, encontros, cursos de formação e outros. Não por último, o dízimo deverá contemplar os mais pobres da Comunidade: aqueles que não têm como dar sua própria colaboração.

Ser dizimista é em primeiro lugar, sentir-se responsável e participante na Vida da Comunidade Paroquial. Por isso separamos, do muito que Deus nos deu, uma parte que Ele nos dá e a separamos para oferecer a Deus como Ato de Amor e Gratidão!

Pe. Gilberto Kasper
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Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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Com o tema: “O Ministério do Catequista” e a assessoria do Padre Jânison de Sá, Assessor da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, a Comissão Animação Biblíco-Catequética da Arquidiocese de Ribeirão Preto realiza a XII Concentração de Catequistas.